quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Sobre educação formal
em 12 de novembro de 2007:
"A UNIAO FAS A DIFERENÇA
OS DEMOCRATAS DE SANTIAGO; ESTAO EM REUNIAO NO DIA 20 DO CORENTE MES
PARA DEFINIR QUEM A POIAR A OPOSIÇAO COMANDADO; POR VUMAR OU OS PROGRESISTAS;OU SANDRO PALMA DO PTB.
OS DEM. pode tanbem colocar um candidato a prefeito,estarao presente na reunio os acessores dos DEP.PAULO BORGES,E MARQUINHO LANQUES E OUTROS; asim os DEM de SANTIAGO vao tomar desiçao em qual lado ficar c nao colocar cantidato proprio;o lado q os DEM. opitar os deputados irao covesçar para ver o em tendimento ate as eleiçao de 2008
NO DIA 23 NOS VAMOS PUBRICAR O LADO Q OS DEM. DE SANTIAGO VAI APOIAR ENTAO VAMOS COMEÇAR UM PLANO DE GOVERNO JUNTOS UNIDOS PARA VENCER AS ELEIÇAO DE 2008".
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em 15 de novembro:
"VEM AI O NOVO BLOG, DOS DEMOCRATAS.
O BLOG DOS DEMOCRATAS DE SANTIGO,VAI MUDAR VAI
FALAR DAS COISAS Q ANDO BEM EM SANTIAGO E TANBEM AS RUIS.
AS PESSOAS DO ORKUT DOS DEM.VAO PODER DAR A SUA OPINIAO,VAO CONHECER OS LIDERE DOS DEM DE SANTIAGO.
AGOARDE EM BREVE.
DEMOCRATAS DE SANTIAGO,CENPRE A FAVOR DE QUEM MAI PRECISSA".
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em 8 de dezembro último:
"NOVIDADES O NOVO BLOG DOS DEMOCRATAS:
DEMOCRATAS DE SANTIAGO E UM ESENPRO PARA OS OUTROS PARTIDOS.
NO ANO DE 2008, OS DEMOCRATAS TERA O SEU NOVO BLOG ONDE TODOS PODERAO PARTICIPAR,DANDO A SUA OPINIAO VAMOS UNIR FORÇAS
ATENÇAO
OS DEMOCRATAS DE SANTIAGO E 100/ OPOSIÇAO.
SOMOS JOVENS COM RESPONSABILIDADE,COM
O POVO SANTIAGUENSE, QUEREMOS O RESPEITO COM
AS PESSOAS MAIS CARENTES, AS PESSOAS TEM Q CER TRATADAS
COM RESPEITO,RICO OU POBRES NAO INPORTA A COR ALGUS POLITICOS
DE SANTIAGO COM SUA GRANDESA ACHAO Q PODE PISAR NOS MAI UMILDES".
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e mais recentemente, em 24 de janeiro último:
"FUNCIONARIOS DA CALÇADO SANTIGO AMEAÇAO PARAR POR FALTA DE PAGAMENTO
esta e a historia dos enpregados da santiago calçados trabalhando como loco sem reseber
conpre o seu orario mas nao recebe no fim do mes sr.Kaio dis que nao tem dinheiro mas
cotrata mais funcionario.
conversei com uma funcionaria que me disse que se o sr.Kaio nao pagar os funcionarios vao
entrar em GREVE,nada mai justo eles nao resebe".
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Todos devem ter percebido que La Vieja dispensou os grifos, por óbvio.
Nada mal para um partido que sempre ridicularizou a formação escolar do Excelentíssimo Senhor Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Sobre surrealismos
Pois era tão promissor que o parlamento israelense foi obrigado a aprovar, na última segunda, 25, uma surreal lei antinazismo, por mais insensato que isso possa parecer.
Embora em Israel já exista uma lei contra a propaganda e o incitamento ao racismo em seu sentido genérico, que por sinal é completamente ignorada em função da tolerância e da conivência do Estado israelense para com a conduta de grupos de extrema-direita judeus que pregam o racismo contra árabes, a nova legislação pretende barrar e punir a formação de organizações racistas e nazistas. Pela nova lei serão condenadas a um ano de prisão pessoas envolvidas em grupos que, de modo organizado, pregarem, incitarem ou incentivarem o racismo, bem como o nazismo.
E agora é que vem a parte insana, para quem achava que já tinha visto de tudo nesta vida. Segundo a BBC Brasil, tal lei "é conseqüência da prisão, em setembro de 2007, de um grupo de jovens israelenses neonazistas. Os oito adolescentes foram acusados de agredir judeus ultra-ortodoxos, homossexuais e trabalhadores estrangeiros".
La Vieja está curiosa para saber se judeus neonazistas espancam somente judeus ultra-ortodoxos ou se também podem espancar ortodoxos, laicos, conservadores e reformistas. E se o homoafetivo for um judeu humanista, como fica? E se o trabalhador estrangeiro se converter ao judaísmo, também apanha?
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O grande problema é a polícia e o judiciário israelenses levarem tal legislação ao pé da letra. Sobrariam poucos membros de grupos de extrema-direita israelenses que pública e notoriamente apregoam, incitam e incentivam o racismo contra árabes. E, já que estamos falando de ações de grupos organizados, também conviria que o Estado de Israel a levasse a sério em relação a seus vizinhos palestinos.
A menos que o emergente e surreal neonazismo israelense seja mais grave do que esse seu não menos estúpido racismo.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Sobre aplausos
"Dia desses, um mocinho de 16 anos tentou comprar uma caixa de cerveja no supermercado Nacional da minha rua.
No caixa, exigiram documento. Como não tinha como provar a maioridade, não venderam.
É isso que todos os estabelecimentos comerciais deveriam fazer, para desestimular o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes" (Os grifos são meus).
Como se vê, a socialite política parecia honestamente preocupada com o consumo de álcool entre adolescentes, tanto que aplaudiu a correta decisão do funcionário da referida empresa.
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Porém, o que é mesmo que a empresa na qual ela trabalha, o Grupo RBS, faz para desestimular o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes, já que "No Rio Grande do Sul, levantamentos indicam que o uso de álcool está associado a cerca de 70% dos fatos violentos que envolvem jovens, e a 80% dos registros de morte de pessoas com menos de 30 anos"?
La Vieja lembrou: organiza eventos voltados para crianças e adolescentes patrocinados por uma cervejaria, o que, caso alguém ainda não saiba, vem a ser uma fábrica de bebidas alcoólicas.
Sobre quando a classe média alta farrapa se dá conta que há no mundo uma coisa que se chama preconceito
O comportamento dos freqüentadores do Centrinho de Atlântida faz pensar na polêmica que se instalou no Estado por conta do trabalho que cientistas gaúchos pretendem realizar entre jovens delinqüentes da Fase, com o intuito de saber se a violência seria conseqüência de alguma possível alteração biológica do organismo. As boas discussões desencadeadas pela pesquisa, por si só, já contribuem para atestar o seu valor.
Entendo, no entanto, que não seria insensatez fazer estudo semelhante com esses jovens bem-nascidos, bem nutridos, que freqüentam os melhores colégios particulares da Capital, usaram fraldas descartáveis desde que deixaram o ventre materno, ouvem músicas em i-pods de última geração, ostentam roupas de grife da cabeça aos pés, mas se comportam de forma tão lamentavelmente torpe. O que eles fazem no Centrinho de Atlântida, em especial nos fins de semana e em dias de grandes eventos, é algo, no mínimo, muito próximo da delinqüência pura" (Os grifos são meus).
Tailor Diniz, escritor e marido da colunista política mais fashion deste rincão, Rosane de Oliveira, sobre sua estada, e provavelmente de toda sua família, na praia de Atlântida nesse verão, em artigo na Zero Hora de hoje.
Os sebos e a memória do cotidiano
Febeapá estadunidense
1- tem petróleo e é inimigo dos Estados Unidos e, mesmo assim, trata-se de uma minoria (num estudo recente, só 23% de estudantes universitários sabiam onde ficavam Irã, Iraque, Israel e Arábia Saudita)
2- fica no Caribe e tem praias".
Trata-se do Febeapá estadunidense.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Sobre especialistas, ainda
"Após, praticando nova distorção, optou por deixar que visitantes ingressassem nos pavilhões para garantir, por exemplo, a visita íntima no interior das celas. Quando opta pela revista íntima em vez de investimentos em tecnologia e construção de pavilhões para a realização de visitas, a Susepe dispensa o Estado de investir no sistema prisional, repetindo a política da meia-sola aplicada ao longo de décadas e que produziu o resultado que temos hoje na execução da pena. Parece que não há vontade de sair da Idade Média" (Os grifos são de La Vieja).
Para o especialista em segurança pública de Zero Hora, no entanto, problemas relativos ao processo de execução penal parecem não estar no fato do Estado, na figura de seu Poder Executivo, não vir fazendo o que precisa ser feito, mas sim na lei.
Recentemente, não contente em ter reduzido as atuais deficiências do processo execução penal em relação ao regime semi-aberto a uma mera questão legal, como se leis fizessem mágicas da noite para o dia, afirmou que "Enquanto não muda a lei, que pelo menos algum de seus defensores providencie meios para que bandidos de carteirinha não ajam impunemente", como se tal tarefa, no final das contas, coubesse a defensores ou detratores da legislação.
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Airton Michels, promotor de justiça e superintendente da Susepe durante o governo Olívio Dutra (1999-2002), que teve à frente da pasta de segurança pública José Paulo Bisol, recentemente comentou a medida anunciada pela secretaria de Segurança do novo jeito de revistar em "A volta da estupidez".
sábado, 23 de fevereiro de 2008
"Toast the Earth with Exxon-Mobil"
Em junho do ano passado o governo do presidente Hugo Chávez nacionalizou as reservas petrolíferas da Faixa de Orinoco, que aparentemente concentra 80 milhões de barris de petróleo e pode tornar o vizinho sul-americano a maior fonte de petróleo do mundo.
Orinoco era uma das poucas reservas ainda exploradas pela iniciativa privada na Venezuela.
Pelos novos termos do contrato, as empresas privadas envolvidas no projeto tornariam-se seus sócios minoritários. A norueguesa Statoil, a britânica British Petroleum, a francesa Total e a estadunidense Chevron, que à época da revisão contratual operavam na região, aceitaram suas novas condições, e isso porque o presidente venezuelano prometeu compensações financeiras pela perda acionária decorrente da nacionalização.
Recentemente, Caracas anunciou que pagará US$ 834 milhões, em petróleo, ao grupo francês Total, já como parte das referidas compensações.
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A estadunidense Exxon Mobil e a ConocoPhillips, no entanto, recusaram-se a acatar as novas condições contratuais.
A Exxon entrou com ações na Justiça em Nova York, Londres e na Holanda, contestando os termos da nacionalização. A empresa estadunidense, que tinha participação de 41,7% na Faixa do Orinoco, recentemente anunciou ter obtido um parecer favorável a sua demanda ordenando o congelamento de US$ 12 bilhões em ativos da PDVSA na Grã-Bretanha, na Holanda e nas Antilhas. A PDVSA é a estatal venezuelana que agora é sócia majoritária de todo e qualquer consórcio de exploração petrolífera em Orinoco.
Rafael Ramirez, ministro de Energia e Petróleo e presidente da PDVSA, no entanto, afirmou que "estão bloqueados apenas US$ 300 milhões em dinheiro em decorrência de um processo movido pela Exxon contra a extinta PDVSA Cerro Negro, por decisão de um tribunal americano".
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Em resposta às ações da Exxon contra o soberano decreto de nacionalização da Faixa do Orinoco e alegando agressão jurídica e econômica, a PDVSA recentemente anunciou a suspensão de suas relações comerciais com a transnacional estadunidense.
A Casa Branca, ato contínuo, através de seu Departamento de Estado, declarou seu apoio à tentativa da multinacional de obter uma compensação financeira por conta de sua saída do consórcio venezuelano na Faixa de Orinoco. "Apoiamos totalmente os esforços da Exxon-Mobil de obter uma compensação justa por seus ativos, segundo o estabelecido nas leis internacionais", teria dito à BBC Brasil o porta-voz do Departamento de Estado estadunidense, Sean McCormack.
Para Rafael Ramirez, entretanto, a demanda da multinacional tem mais contornos políticos do que bons argumentos jurídicos. A Exxon-Mobil, conforme Ramirez, "'desrespeita uma decisão soberana' do Estado venezuelano de controlar seus recursos naturais e legislar sobre eles", ainda segundo a BBC Brasil.
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Nessa última quinta, 21, ministros das relações exteriores da América do Sul e dos países Árabes reunidos em Buenos Aires anunciaram "solidariedade" à causa venezuelana na disputa jurídica com a petroleira Exxon-Mobil. O chanceler brasileiro Celso Amorim teria afirmado que "Houve uma manifestação de solidariedade com a Venezuela de todos os países da América do Sul e países árabes".
"De acordo com as Nações Unidas e os princípios de direito internacional", segundo a BBC Brasil, "os Estados têm o 'direito soberano' de explorar seus recursos, de acordo com suas próprias leis e suas políticas de desenvolvimento".
"Nesse sentido", ainda conforme o documento conjunto produzido pelos ministros, "condenamos qualquer ação intimidatória contra a Venezuela ou qualquer outro país que possa afetar seu desenvolvimento econômico e social e sua cooperação com os países do Sul".
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- Confira aqui a primeira parte das declarações do ministro venezuelano, que "habló en cadena nacional y para el mundo desmintiendo la noticia difundida por la empresa petrolera transnacional Exxon Mobil, mediante la cual se miente sobre la congelación de bienes de la empresa estatal petróleos de Venezuela", sobre o caráter político da demanda da Exxon-Mobil contra a PDVSA, e aqui sua segunda parte.
- Acima, o divertido "Toast the earth with Exxon-Mobil" (em tradução livre, "torre a terra com Exxon-Mobil"), produzido pela ExxposeExxon, associação internacional sediada em Washington e preocupada em alertar o mundo sobre os esforços da Exxon-Mobil em bloquear ações contra o aquecimento global e manter a "América" devotada ao petróleo.
- Abaixo, o vídeo transmitido pela televisão estatal venezuelana revelando os interesses políticos tentaculares e os crimes ambientais por detrás das ações da multinacional Exxon-Mobil, proprietária da marca Esso e o maior financiador privado da última campanha de George Bush, o pacifista, à presidência dos EUA.
E isso porque a abnegada e socialmente responsável Exxon-Mobil, como se sabe, também é uma das multinacionais estadunidenses mais preocupadas com a democratização do Iraque.
E de suas reservas petrolíferas, naturalmente.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Sobre desaparecimentos misteriosos
"A redução de aproximadamente 400 mil estudantes na rede estadual", ainda conforme ZH, "revelada pelo Censo Escolar 2007, e o resultado dos procedimentos de matrícula e rematrícula nas escolas gaúchas auxiliaram a Secretaria a redimensionar a necessidade das escolas" (Os grifos são meus).
Estranhamente, no entanto, editorial de ZH de 19 de janeiro último afirmava que os números revelados pelo referido Censo Escolar haviam detectado 40 mil alunos a menos* - as matrículas na rede pública gaúcha teriam caído de "1,36 milhão em 2006 para 1,32 milhão em 2007". A referida nota oficial do novo jeito de educar concluía afirmando que, "Então, é lógico que a estrutura para dar atendimento a esse universo de estudantes também seja reduzida. Trata-se de uma questão objetiva", e isso porque, também afirmava a referida nota, "É sempre muito fácil fazer demagogia em cima da educação".
Mais uma perguntita, então, para o Grupo RBS e para a Secretaria de Educação do novo jeito de recensear em relação ao Censo Escolar 2007: do dia 19 de janeiro até hoje, 22 de fevereiro, simplesmente desapareceram mais 360 mil estudantes da rede pública gaúcha?
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* Ao contrário do que La Vieja afirmou acima, o referido editorial de ZH não afirmava que as 40 mil matrículas a menos na rede pública gaúcha verificadas em 2007 em relação a 2006 haviam sido detectadas pelo Censo Escolar 2007, mas sim que foram detectadas pela própria Secretaria da Educação gaúcha por ocasião dos procedimentos de matrícula em 2007, quando então foram comparados os dados dos últimos dois anos.
O Censo Escolar 2007 ao qual ZH se refere, que teria detectado os 400 mil alunos a menos na rede pública gaúcha, seria relativo a 2007 e teria sido divulgado recentemente pelo Ministério da Educação. Portanto, os números do referido censo, divulgados em 2008 e relativos ao ano passado, e a diferença de 40 mil matrículas verificada ainda em 2007 na comparação com 2006 é que teriam motivado a decisão da Secretaria da Educação do novo jeito de cessar de fechar 105 escolas gaúchas neste ano letivo, tal e qual afirmava o Plantão Zero Hora.
La Vieja pede desculpas públicas por ter induzido seus leitores ao erro e a interpretarem incorretamente um editorial de Zero Hora.
A perguntita acima, então, precisa ser reformulada e endereçada ao Ministério da Educação: se o MEC está comparando as matrículas realizadas em 2007 com as matrículas realizadas para este ano letivo, então do ano passado para cá desapareceram 400 mil alunos da rede pública gaúcha? Isso quer dizer que se o número de matrículas em 2007 na rede pública gaúcha foi de 1,32 milhão, conforme anotado acima, então para este ano se matricularam 920 mil alunos?
La Vieja está curiosa, pois haja escolas particulares para tal contingente.
Obama e Cuba
Segundo o diário argentino La nacion, no último debate televisivo entre os pré-candidatos democratas à Casa Branca o senador Barack Obama teria dito que aceitaria se reunir sem pré-condições com o novo presidente cubano.Ainda conforme o La Nacion, Obama teria indicado que, caso vença as eleições presidenciais, "tendrá en cuenta que Estados Unidos 'tiene una oportunidad de cambiar potencialmente sus relaciones con Cuba' después de más de medio siglo de aislamiento y ruptura diplomática".
"Debemos reunirnos no sólo con nuestros amigos sino con nuestros enemigos", teria dito Obama anteriormente acerca da possibilidade de se reunir com as lideranças de Cuba, Irã e Coréia do Norte, a fim de "hablar de una nueva era de relaciones".
(No retrato, os pré-candidatos democratas Barack Obama e Hillary Clinton)
Legitimação
Convenhamos, cá entre nós, que haveria pouco espaço para pedantismo maior depois de se recorrer ao velho e bom chavão "está na hora de todos os setores da sociedade se unirem num mutirão" em torno do que quer que seja.
Buenas, o que vem ao caso é que
Pois bem. Eis que hoje, como quem não quer nada, a mesma empresa que realiza eventos voltados a crianças e adolescentes patrocinados por cervejarias publica um artigo, de autoria da psicóloga Jacqueline Poersch Moreira, exatamente alertando sobre a cada vez mais prematura entrada de crianças e adolescentes no mundo das drogas lícitas. Segundo a professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS),
"Levantamento realizado em 2004 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, ligado ao Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo, constatou que a idade na qual experimentam drogas lícitas ou não é de 10 anos. Perguntados sobre o consumo de álcool, de 68,8% a 71,4% dos jovens de capitais como Fortaleza, São Paulo, Goiânia, Porto Alegre e Curitiba revelaram que já o haviam experimentado. No Rio Grande do Sul, levantamentos indicam que o uso de álcool está associado a cerca de 70% dos fatos violentos que envolvem jovens, e a 80% dos registros de morte de pessoas com menos de 30 anos" (Os grifos são da moralista Vieja).
Estaríamos somente diante de mais um episódio da série a hipocrisia como ela é, brilhantemente estrelada pelo Grupo RBS, se o artigo de Jacqueline Moreira não houvesse sido publicado um dia depois do referido editorial, que teve como objetivo maior transmitir a idéia de que o referido grupo, do alto de suas responsabilidades sociais e democráticas, está atento aos descasos das autoridades públicas e da própria sociedade em relação aos implacáveis inimigos da vida.
Isso é tão só a mais pura tentativa de legitimação, caríssimos. Na construção da hegemonia no imaginário coletivo farrapo vale tanto o que é omitido quanto o que é dito por terceiros, como La Vieja havia dito dia desses. É assim que a mídia, no modo de produção capitalista, opera a construção do simbólico. Não foi gratuitamente que tal artigo foi publicado posteriormente ao editorial engajado do Grupo RBS; trata-se, na verdade, da tentativa de se conferir caráter científico e credibilidade à posição publicamente assumida pelo jornal um dia antes. Ou seja, o discurso científico e o argumento de autoridade corroboram e conferem legitimidade ao discurso midiático, o qual, por sua vez, supostamente fala pela sociedade, já que é através do Grupo RBS que "o Rio Grande se vê". Como seu público médio não se preocupa em fazer nenhuma espécie de relação entre as atitudes comerciais da empresa e seu discurso supostamente autorizado pela sociedade pois dela representante, os pretensos engajamentos e denúncias da empresa passam batidos em suas contradições e hipocrisias, solidificando no imaginário coletivo a falsa idéia de que o Grupo RBS de fato e de direito se preocupa com determinados problemas sociais que a todos afligem. Ele é nosso legítimo representante, portanto, e que bom que alguém fale por nós aquilo que tanto queremos dizer e que não podemos.
E é por isso, no final das contas, que afirma o referido grupo que é por seu intermédio que o Rio Grande se vê. Porém o que de fato ocorre é que a mídia se apropria de um discurso por vezes até legítimo somente a fim de solidificar determinada imagem perante seu próprio emissor. Construída e mantida tal imagem, tem-se na mão uma espécie de carta branca conferida pela própria sociedade. De posse dessa carta, cuja concessão é renovada todas as vezes que supostamente se fala em nome da sociedade, como nos casos supracitados, parece não haver contradição alguma em simultaneamente se criar condições favoráveis para o consumo de drogas lícitas entre crianças e adolescentes e se preocupar com o aumento do consumo dessas mesmas substâncias, e também das ilícitas, entre eles.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Sobre especialistas
"Lógico que os juízes da Vara de Execuções Criminais (VEC) não têm como controlar a vida de cada uma das centenas de presos do semi-aberto (...)
Lógico também que não existem agentes penitenciários e policiais em número suficiente para seguir na rua cada um dos apenados do semi-aberto. Nas vezes em que as autoridades conseguem montar uma força-tarefa para fazer isso, invariavelmente são flagrados casos de falso emprego, apenados são surpreendidos em pleno ato criminoso ou, mais freqüentemente, barreiras topam com carros lotados de presidiários do semi-aberto, aprontando alguma.
O que não é lógico é que a situação continue do jeito que está. Uma das alternativas é sugerida por um dos juízes da VEC, Afif Simões Neto, a de que o semi-aberto simplesmente termine (...)
Mas a lei continua como está e um dos efeitos colaterais possíveis é o verificado no caso que ilustra esta página, o da morte do PM Libertino Lima. Enquanto não muda a lei, que pelo menos algum de seus defensores providencie meios para que bandidos de carteirinha não ajam impunemente, beneficiados pelas boas intenções dos legisladores" (O grifo é meu).
Bem, em primeiro lugar, "juízes da Vara de Execuções Criminais (VEC) não têm como controlar a vida de cada uma das centenas de presos do semi-aberto" e "não existem agentes penitenciários e policiais em número suficiente para seguir na rua cada um dos apenados" em tal regime porque ele se baseia "na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado", que deverá, "fora do estabelecimento e sem vigilância", trabalhar, freqüentar cursos ou exercer outra atividade previamente autorizada (Código Penal, Art. 36, caput e §1º). Em segundo lugar, "defensores" do regime semi-aberto não têm nenhuma obrigação de providenciar qualquer espécie de meio para que "bandidos de carteirinha" não ajam impunes porque essa simplesmente não é uma função que lhes caiba. Como deve muito bem saber o especialista de ZH, cabe ao poder Executivo manter e fazer cumprir toda forma de execução penal.
Na verdade o especialista não manda seu recado ao destinatário de fato e de direito por mera conveniência política, uma vez que sua coluna não é senão um amontoado de lugares-comuns colhidos a partir de expectativas predefinidas de seu leitor médio sobre segurança pública, o eufemismo que La Vieja nesse momento crê mais calhar para designar a velha e boa ignorância pequeno-burguesa. Esse tipo de descrição superficial dos fatores envolvidos na complexa discussão sobre segurança pública a partir de um estado de comoção contribui para que o problema da violência seja visto de modo reducionista, terreno fértil para voluntarismos de toda ordem e preconceitos, seja em relação à legislação quanto aos encarregados de seu cumprimento.
As drogas lícitas e o descaso
Essa é mais uma das tantas situações que denunciam a omissão governamental com as vítimas do flagelo cotidiano provocado por entorpecentes pesados, em especial o crack, considerado hoje a mais devastadora das drogas (...)
O mais alarmante é que, enquanto a estrutura se degrada, as drogas atingem agora não só adolescentes e adultos, mas também crianças, pela disseminação do tráfico, pela facilidade de acesso a todo tipo de químicos ilícitos vendidos nas ruas e pela incapacidade das autoridades e da sociedade de combater ou pelo menos amenizar os efeitos desse drama (...)"
Trechos do editorial do jornaleco da Azenha de hoje, intitulado "As drogas e o descaso".
Perguntita básica:
Que moral tem uma empresa que realiza um evento voltado a crianças e adolescentes patrocinado por uma cervejaria, portanto por uma fabricante de drogas lícitas, para falar em omissão governamental ou em incapacidade das autoridades e da sociedade em combater ou amenizar os efeitos das drogas ilícitas? Acaso não sabe ZH que o álcool é, muitas vezes, a porta de entrada para drogas ilícitas entre adolescentes principalmente em virtude da oferta legalizada?
E não pára por aí. A pérola de hipocrisia editorial é fechada com chave de ouro:
"A visão da RBS
A primeira responsabilidade é dos governantes, mas está na hora de todos os setores da sociedade se unirem num mutirão para combater esse inimigo implacável da vida".
Que tal, então, o Grupo RBS começar pela revisão de seus critérios de escolha de patrocinadores para eventos que reúnam adolescentes, uma vez que do fato de uma droga ser considerada lícita não se segue que ela também não seja um "inimigo implacável da vida"?
Sobre relações
La Vieja tentará demonstrar que o sucateamento dos serviços públicos básicos, às custas do qual o governo Yeda Crusius (PSDB) obteve, na prática, seu recém incensado superávit primário, aliado à opção estratégica de fundo político-ideológico de sua secretaria de Segurança pela repressão aos crimes contra o patrimônio, têm relação direta com o aumento vertiginoso do índice de crimes contra a vida.
Superávit primário às custas do sucateamento dos serviços públicos essenciais: opção política
O superávit primário de R$ 954,3 milhões dos cofres públicos gaúchos - saldo obtido antes do pagamento de juros e de dívidas, e eles não são poucos, descontando de tudo aquilo que o estado arrecada aquilo tudo que gasta -, recentemente anunciado pelo novo jeito de governar, foi obtido principalmente às custas de investimentos pífios, redução das despesas de manutenção e custeio, sacrifício salarial do funcionalismo público e descumprimento de repasses mínimos previstos na Constituição para áreas essenciais, como educação e saúde.
Logo, o governo Yeda Crusius sabia que a obtenção do referido superávit estava condicionada, dentre outros fatores, ao sucateamento de serviços públicos básicos, entre os quais se encontra a segurança pública. Sua obtenção às custas de tal sucateamento, portanto, foi uma opção política livremente deliberada entre os próceres tucanos. Jamais se tratou de uma necessidade.
A ausência de investimentos na área de segurança - não foram poucas em 2007 as queixas tanto da Brigada Militar quanto da Polícia Civil em relação ao sucateamento de equipamentos, por exemplo -, bem como a submissão absoluta da secretaria de Segurança à determinação governamental de redução das despesas de manutenção e custeio da máquina pública - que trouxe como conseqüência tanto para a BM quanto para a Polícia Civil um déficit operacional nunca antes visto -, demonstram de uma maneira muito clara o quanto o novo jeito de governar está disposto a sacrificar em nome de seu ajuste fiscal, que tem, dentre outros nobres objetivos, preferencialmente contratando novos empréstimos, honrar religiosamente o pagamento de juros e de dívidas contraídas e renegociadas em prejuízo ao estado ainda quando quem o governava de um novo jeito era Antônio Britto, the salesman (1995-1998).
Nunca é demais lembrar que o hoje fiscalista PSDB de Yeda Crusius é o mesmo PSDB desenvolvimentista da nada saudosa era Antônio Britto que assinou embaixo (i) de todas suas generosas políticas de incentivos, isenções e anistias fiscais, (ii) da renegociação da dívida pública do RS, responsável pelo comprometimento de 18,5% de sua receita com o pagamento de dívidas, e (iii) da obtenção de empréstimo junto ao Proes - Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária, criado em 1996 por Fernando Henrique Cardoso - a fim de supostamente sanear o sistema financeiro do RS, pelo qual o atual novo jeito de governar ainda vem pagando dívidas paradoxalmente através da contratação de novas dívidas, como é o caso do recém contratado financiamento junto ao Bird. Portanto, o buraco do qual os tucanos tentam hoje tirar as finanças do RS foi cavado com a ajuda praticamente de todas as figuras públicas hoje à testa do reino encantado das pantalhas e com suas próprias garras e bicos.
A opção político-ideológica da secretaria de Segurança do novo jeito de governar pelo combate aos crimes contra o patrimônio
Todo governo, bem se sabe, é um governo de classe, e classes têm preferências ideológicas delineadas já em seus projetos de governo que gradativamente adquirem nitidez durante o exercício do poder. Uma dessas preferências é a priorização, em políticas de segurança pública, da preservação e da proteção à propriedade privada. Provas de tal priorização são tanto a recente incursão da BM às marginalizadas margens do Arroio Dilúvio logo após a denúncia do Grupo RBS de que limpadores de pára-brisas praticam extorsão majorada contra motoristas que trafegam pela avenida Ipiranga, que, diga-se de passagem, não resultou em absolutamente nada, quanto a escandalosa operação reunindo Brigada Militar, Polícia Civil e Polícia Federal a fim de cumprir mandado de busca e apreensão no assentamento Nova Sarandi, onde se realizava o 24º Encontro Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), de um rádio de carro, um anel, uma máquina fotográfica e 200 pilas, que supostamente teriam sumido quando, dias antes, havia sido ocupada a Fazenda Coqueiros, operação de inteligência que resultou na apreensão de nada mais nada menos do que uma foice e alguns pedaços de madeira, pelo menos para os jornalistas de ZH algo absolutamente inusitado em propriedades rurais, aquelas mesmas onde também são encontrados exóticos animais como porcos e galinhas.
Uma conseqüência prática dessa predileção ideológica da atual secretaria de Segurança pela preservação e proteção à propriedade privada, o que muito provavelmente sequer pudesse ser diferente, é a escolha política pela estratégia de repressão aos crimes contra o patrimônio, como deixam muito claro as últimas estatísticas oficiais da referida secretaria recentemente publicadas em ZH. Percebe-se que houve uma diminuição drástica dos crimes contra o patrimônio - "pelo sexto mês consecutivo, os números de furtos e roubos de veículos caíram no Estado", fato que se deve, segundo o comandante-geral da Brigada Militar, Nilson Bueno, às "barreiras policiais e da ação em desmanches" -, que macabramente contrasta com a assustadora elevação das taxas de crimes contra a vida - em janeiro foram registrados 134 homicídios no estado, 9,84% a mais do que no mesmo período em 2007, enquanto Porto Alegre registrou crescimento de 57,5% no número de homicídios em 2007, pelo menos segundo os dados divulgados pela secretaria de Segurança Pública, já que as estatísticas reveladas pela Delegacia de Homicídios da capital gaúcha indicam um aumento ainda maior: 525 homicídios em 2007 contra 337 em 2006, número que equivale a um aumento de 64%.
Em sua defesa a referida secretaria apresentou duas emendas que ficaram piores do que o soneto. A primeira delas foi a de que entre os autores dos 134 homicídios ocorridos no estado em janeiro último, segundo ZH, "mais da metade já foi suspeito de outras agressões, como lesões corporais e estupro", enquanto que entre as vítimas "surpreende também o índice daquelas suspeitas de crimes violentos: 30% teriam cometido algum tipo de lesão corporal e 8% já seriam suspeitas de homicídio". Ocorre que tanto vítimas quanto algozes terem qualquer espécie de envolvimento recente ou passado com alguma forma de criminalidade de modo algum justifica tais estatísticas, uma vez que o Estado não pode partir do princípio que a vida de quem quer que seja valha mais ou menos do que qualquer outra. A vida de um cidadão que cometeu uma lesão corporal ou de um suspeito de homicídio, e La Vieja disse suspeito e não condenado por sentença judicial transitada em julgado, deve valer tanto aos olhos do Estado quanto a de qualquer oficial da Brigada Militar ou policial civil, até porque os aparelhos repressores do Estado não podem julgar, de antemão, se tanto autores de lesões corporais quanto suspeitos de homicídio são ou não dignos de proteção. Um planejamento de segurança pública que prejulgar condutas a partir de estigmatizações sociais ou que se apropriar de dados estatísticos delas reveladores a fim de orientar suas estratégias de ação tende a distanciar cada vez mais o Estado dos já desassistidos.
A segunda delas, por sua vez, segundo o secretário de Segurança José Francisco Mallmann, teria a ver com "a desarticulação de quadrilhas ligadas ao tráfico de drogas no ano passado" em Porto Alegre, que teria deflagrado "uma guerra na periferia pelo controle dos pontos de tráfico". Em função disso, continua Malmann, "Quem não foi preso, quer assumir o controle nas vilas. Temos de continuar a fechar o cerco até que esses criminosos sejam retirados das ruas. Isso vai contribuir para a redução do número de assassinatos, assim como já ocorre nos outros indicadores criminais". O titular da Delegacia de Homicídios de Porto Alegre, Juliano Ferreira, no entanto, teria dito à Folha de São Paulo, segundo o RS Urgente, que de fato "há uma guerra entre os traficantes em Porto Alegre, mas que essa não é a única causa do aumento do número de homicídios", uma vez que, ainda segundo Ferreira, "Existe um abandono dos serviços públicos na periferia".
Ou seja, as duas emendas apresentadas pela secretaria de Segurança a fim de justificar o aumento do número de homicídios no estado e na capital gaúcha de modo algum são minimamente aceitáveis, a primeira delas por indisfarçável obscenidade moral e a segunda pelo simples motivo de que nem mesmo seus subordinados com ela concordam. A segurança pública do RS, a se julgar pelo modo como vem sendo conduzida, ruma a passos largos para a ausência de Estado nos bolsões de pobreza periféricos, dando de ombros tanto para homicídios envolvendo cidadãos que não são de bem quanto para homicídios envolvendo disputas pelo tráfico, como se em nenhum dos dois casos inocentes pudessem estar envolvidos como vítimas, mesmo que tenham antecedentes criminais. A história nos mostra que o resultado de tal leitura social pode ser visto em algumas favelas tanto na periferia da capital paulista quanto da capital fluminense.
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O sucateamento de serviços públicos básicos, fato que pode ser comprovado em relação à segurança pública através das declarações acima do titular da Delegacia de Homicídios de Porto Alegre, aliado à estratégia de priorização à repressão aos crimes contra o patrimônio, portanto, parecem ter relação direta com o aumento de homicídios no estado e de maneira drástica em Porto Alegre.
A opção pela obtenção do superávit primário às custas do sacrifício da prestação de serviços públicos básicos de qualidade e a opção ideológica pela proteção à propriedade privada em detrimento da vida, portanto, parecem estar batendo às portas do novo jeito de governar. Eles que atendam.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
"A volta da estupidez"
Elas, mulheres, filhas, avós e mães vão visitar seus familiares presos.
Até o ano 2000, a essa angustiante peregrinação somava-se a imposição da chamada revista íntima. As mulheres (não chegam a 10% os visitantes masculinos) eram totalmente despidas e deviam agachar-se três ou quatro vezes, exercícios considerados reveladores de acondicionados objetos ou drogas nas regiões genital ou anal (...)
Dirigia, então, o sistema penitenciário e fui orientado pelo governador Olívio Dutra e o secretário José Paulo Bisol a buscar uma forma de, sem colocar em risco a segurança dos presídios, acabar com aquela prática medieval. Colhendo informações e, especialmente, trocando idéias e experiências com os trabalhadores penitenciários, chegou-se à conclusão da possibilidade segura de abolição daquela espécie de revista (...)
Vigorando nestes últimos sete anos, como se viu, nenhum transtorno adveio para a segurança das cadeias. Ou, como se queira, continua entrando nem mais, nem menos, do que antes da portaria regulatória entrava. Inobstante, sua revogação é anunciada pelas atuais autoridades que comandam a pasta, que alardeiam como profícua providência de segurança pública a restauração da humilhante revista. A medida é estúpida, porque o tempo mostrou sua inutilidade: o nosso Estado foi o único da federação a eliminá-la e, desde então, é praticamente o único sem rebeliões (...)".
Airton Michels, Promotor de Justiça e ex-superintendente da Susepe, em artigo na Zero Hora de hoje.
Fidel Castro Ruz
"(...) A mis entrañables compatriotas, que me hicieron el inmenso honor de elegirme en días recientes como miembro del Parlamento, en cuyo seno se deben adoptar acuerdos importantes para el destino de nuestra Revolución, les comunico que no aspiraré ni aceptaré- repito- no aspiraré ni aceptaré, el cargo de Presidente del Consejo de Estado y Comandante en Jefe (...).(...) El camino siempre será difícil y requerirá el esfuerzo inteligente de todos. Desconfío de las sendas aparentemente fáciles de la apologética, o la autoflagelación como antítesis. Prepararse siempre para la peor de las variantes. Ser tan prudentes en el éxito como firmes en la adversidad es un principio que no puede olvidarse. El adversario a derrotar es sumamente fuerte, pero lo hemos mantenido a raya durante medio siglo.
No me despido de ustedes. Deseo solo combatir como un soldado de las ideas. Seguiré escribiendo bajo el título "Reflexiones del compañero Fidel" . Será un arma más del arsenal con la cual se podrá contar. Tal vez mi voz se escuche. Seré cuidadoso.
Gracias".
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Sobre amenidades
Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones, teria dito ao "The Sunday Times" de hoje, segundo informa o Yahoo Notícias, que quando ele e seus companheiros tiveram experiências com drogas, "pouco se sabia de seus efeitos", acrescentando que à época "não havia centros de reabilitação".Jagger pretendia, com sua declaração, alertar os atuais ídolos da música que as drogas não dão satisfação.
Keith Richards, guitarrista dos Stones e ex-viciado em heroína, teria dito, aparentemente em tom ameaçador, que "se a cantora Amy Winehouse não deixar as drogas, acabará igual a ele".
Caramba. Mas isso não se deseja nem para o pior inimigo.
Acima, os Rolling Stones e Dave Matthews interpretam "Let it bleed".
(No retrato, Keith Richards muito bem acompanhado de suas 64 primaveras)
Sobre erros morais
Temos dito que o Grupo RBS criminaliza movimentos sociais e excluídos, como nos recentes casos (i) da atribuição indireta da autoria de um suposto incêndio criminoso em uma lavoura de milho localizada na Fazenda Coqueiros, em Coqueiros do Sul, norte do RS, a integrantes de um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) localizado a poucos metros da referida lavoura, (ii) da associação entre a apreensão, pela Brigada Militar, de supostas bombas caseiras dentro de uma colheitadeira naquela mesma fazenda e esse mesmo movimento, sendo que nada daquilo que foi relatado ao jornal pelas testemunhas do fato o autorizava a relacioná-lo à questão agrária, pois não havia prova alguma que vinculasse tal tentativa de crime a atitudes ou interesses dos protagonistas de tal questão, e (iii) da referência ao comportamento dos limpadores de pára-brisas, pedintes e vendedores ambulantes encontrados ao longo das avenidas Ipiranga e Bento Gonçalves, em Porto Alegre, com base no depoimento de três motoristas entrevistados, como ação de extorsão, muito embora nenhum deles até agora tenha sido preso em flagrante delito pelas incursões das forças especiais de nossa macanuda versão tropical de Jack Bauer, que não gosta muito de maltrapilhos de todo gênero em seu caminho tanto quanto homens de bem se constrangem em virtude dos peculiares problemas de veraneio que cada vez mais enfrentam em nosso nada glamouroso litoral, como já dizia uma das referências intelectuais da elite porto-alegrense que assina Zero Hora e lê seu caderno de Cultura posando para retratos no RS Vip, da qual La Vieja, evidentemente, não lembra o nome. Também temos insistido que o referido grupo invisibiliza reivindicações e movimentos sociais marginalizados quando ou bem os caricaturiza, como no recente caso da 12ª Marcha dos Sem, realizada em novembro último
Tudo isso para dizer, no final das contas, que invisibilização e criminalização de movimentos e demandas sociais marginalizadas não passam de estratégias da mídia no modo de produção capitalista a fim de escamotear seu latente conflito de classes, e que tais estratégias não são senão uma das vestes sob as quais se nos aparece a ideologia em tal modo de produção, maneira pela qual se exerce a dominação de classe.
Pois bem. O objetivo dessa nota é provar que os chatos de galocha não somos nós, mas sim o Grupo RBS, que sempre diz as mesmas coisas porque só pensa as mesmas coisas. Nós simplesmente dizemos que o que eles dizem é sempre a mesma coisa, só que dita de modos diferentes. A análise que se segue é só mais uma prova disso.
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Seu objeto é a série de reportagens "Contrabando envenena o campo", publicada pela Zero Hora de 10 a 12 de fevereiro últimos e realizada a fim de abordar o problema do contrabando de agrotóxicos no RS, comparada à leitura que essa mesma ZH faz de comportamentos supostamente criminosos protagonizados por marginalizados e excluídos sociais. La Vieja tem em mente, especificamente, a criminalização indevida da conduta dos miseráveis encontrados ao longo de algumas das principais avenidas de Porto Alegre, acima referida brevemente.
Em um lado da balança, ou da corda, como preferirem a metáfora, portanto, fazendeiros e Farsul, e de outro, vendedores ambulantes, pedintes e limpadores de pára-brisas. Vamos ver se ZH usa ou não dois pesos e duas medidas, ou de que lado a referida soga vai arrebentar. Ganha uma gravata da grife Instituto Liberal e uma assinatura da coluna de Diego Casagrande quem desde já acertar. Rola também uma gravata da referida grife autografada pelo próprio asséptico jornalista.
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A série de reportagens parecia promissora em sua abertura: "O contrabando de agrotóxicos se dissemina nas lavouras gaúchas, com ajuda de produtores. De hoje a terça-feira, Zero Hora mostra a oferta do crime em Rivera, na fronteira com o Uruguai. Você saberá por que há homens no campo buscando a ilegalidade e as conseqüências que sofrem quando flagrados pela polícia. Conhecerá ainda como agem as quadrilhas e o envolvimento do produtor com criminosos perigosos" (Os grifos são meus).
No entanto, a criminalização do comportamento dos produtores acaba dando lugar, gradativamente, como se tentará mostrar, a uma espécie de sua vitimização, leitura que parece os eximir de maiores responsabilidades morais, bem ao contrário da abordagem dada por ZH ao comportamento de miseráveis e excluídos, à conduta dos quais o referido pasquim atribui responsabilização absoluta.
Muito embora o contrabando de agrotóxicos tenha crescido assustadoramente no RS nos últimos dois anos ("A corrida pelo veneno", ZH, 10/02/08) e a língua portuguesa determine o ritmo desse rentável negócio no Uruguai a ponto de brasileiros constituírem 80% dos clientes de algumas agropecuárias locais especializadas na venda de agrotóxicos ("Agropecuárias uruguaias dão a receita do contrabando", ZH, 10/02/08), bem como a negociação envolvendo compra, transporte e entrega do produto em honradas fazendas farrapas ocorra de livre e espontânea vontade em Rivera com conhecimento de causa de ambas as partes sobre todas suas implicações ("Vai como se fosse mel", ZH, 10/02/08), fazendeiros gaúchos autuados em flagrante tentando entrar no Brasil com mercadoria contrabandeada são cidadãos de bem e não são bandidos ("Não sou bandido e fui parar numa cela", ZH, 11/02/08), e produtores rurais embobachados que ou negociam diretamente no Uruguai com quadrilhas especializadas a compra e a entrega de agrotóxicos contrabandeados em suas fazendas, ou abrem suas porteiras para esse tipo de crime organizado, são quase inocentes vítimas de um descurado e ambíguo estar "nas mãos de quadrilhas rurais" (ZH, 12/02/08).
Ou seja, muito embora o fazendeiro ouvido por ZH de antemão soubesse da entrada irregular de agrotóxicos no Brasil, já que o referido produto lhe era oferecido com freqüência, o que deixa claro seu domínio do conceito de contrabando, e tenha sido avisado dos riscos envolvidos no transporte em seu veículo particular de agrotóxicos adquiridos na república vizinha, algo que em nada o desmotivou a tentar entrar no estado com 12 kg de determinado inseticida adquiridos em Rivera a R$ 960,00, que lhe custariam no Brasil R$ 5400,00, é um cidadão de bem e não é bandido nem nada. Embora tenha passado constrangido por todos os rituais de um bandido na sede da Polícia Federal de Livramento por ter sido autuado em flagrante delito por contrabando, ainda assim é um cidadão de bem, mesmo previamente sabendo que cometia um crime.
E, de modo semelhante, muito embora todos os fazendeiros embobachados que negociam livremente em Rivera a compra e a entrega de agrotóxicos em suas fazendas nessa banda oriental do rio Uruguai, bem como todos aqueles que negociam diretamente aqui mesmo no RS com quadrilhas especializadas no contrabando do referido produto, saibam exatamente o que estão fazendo, uma vez que não faz sentido não se saber que uma quadrilha especializada em contrabando, por definição, contrabandeia, tais pobres-diabos "estão nas mãos de quadrilhas especializadas". Ou seja, tais produtores rurais gaúchos não teriam outra opção, os pobres. A situação é tal que entre a legalidade e o crime, embora nada absolutamente impeça a via legal para quem obtém gordo financiamento público para sua atividade, se é como que forçado à compra via contrabando, uma vez que estão todos "nas mãos de quadrilhas especializadas". Tais agricultores, portanto, não erram moralmente nem pelo poder absoluto dos contrários anterior às escolhas livremente deliberadas e nem por ignorância, mas sim por imposição dos quadrilheiros, o que parece independer de suas vontades. ZH como que os desresponsabiliza moralmente introduzindo onde não há como haver o erro por prejuízo do poder de escolha entre contrários, quando como se é coagido a um determinado comportamento moralmente condenável por forças irresistíveis.
Coitados. La Vieja confessou-me que chegou a ficar com pena de quem é como que obrigado, ainda que não se saiba bem por quais forças, a negociar com quadrilheiros e criminosos a compra de agrotóxicos contrabandeados, seja aqui nas plagas cujas façanhas servem de modelo a toda terra ou logo ali no vizinho Uruguai.
O que ZH reluta em dizer, no entanto, ou se diz o faz de forma enviesada e quase a soluços balbuciados, é que todos que estão nas mãos das ditas quadrilhas rurais o estão por assim terem escolhido.
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Bem outro tratamento, no entanto, reserva ZH ao comportamento das selvagens hordas extremamente assustadoras e intimidadoras de pedintes, lavadores de pára-brisas e vendedores ambulantes que, em bando, se aproximam de motoristas de bem em conhecidas sinaleiras das avenidas Ipiranga e Bento Gonçalves, aqui em Porto Alegre. Zero Hora, peremptoriamente, designa tal comportamento como extorsão pura e simples, mui provavelmente majorada em função do fato dos referidos selvagens agirem em bando e empunhando rodos, quando não balaios.
Percebam os senhores que, como se enfatizou acima, embora fazendeiros saibam ler, escrever, guiar seus carros até Rivera, o que implica o conhecimento ao menos da legislação de trânsito, comprar vinhos, negociar com vendedores de agropecuárias uruguaias tanto a compra quanto a entrada no Brasil de produtos contrabandeados e por isso pagar à vista mais de cinco mil reais, negociar com quadrilhas rurais especializadas no contrabando de agrotóxicos e distinguir uma ação lícita de uma ilícita, são quase como que desresponsabilizados moralmente de suas ações criminosas através do argumento do erro pelo prejuízo do direito à deliberação via poder absoluto dos contrários, enquanto que a esfomeados miseráveis que vagam desgarrados pelas ruas de Porto Alegre analfabetos e violentados sexualmente e psicologicamente sem nenhuma dignidade não é atribuída a faculdade de errar assim ou sequer por ignorância, mas somente a responsabilização absoluta por suas atitudes em função da suposta posse ampla, geral e irrestrita do poder de deliberação esclarecida via posse igualmente esclarecida do poder absoluto de escolha entre contrários. Os esclarecidos limpadores de pára-brisas deliberam, então, absolutamente livres da ignorância e de qualquer sorte de determinação ou condicionamento mentalmente interno ou exterior, e é exatamente em função desse esclarecimento anterior ao juízo que não podem ser desresponsabilizados e são criminosos. A eles não é alcançado o direito de estarem nas mãos da miséria todas as vezes que pedem dinheiro em sinaleiras e muitos menos o de serem considerados cidadãos de bem e de não serem considerados bandidos a despeito de tal comportamento, ao menos para a Zero Hora caracterizador do crime de extorsão.
Então, para que nossos filhos entendam e não esqueçamos mais essa lição do Grupo RBS, pedintes, limpadores de pára-brisas e vendedores ambulantes encontrados ao longo de algumas das principais avenidas de Porto Alegre, ao pedirem dinheiro em sinaleiras ou tentarem vender seus produtos, são bandidos praticantes contumazes do crime de extorsão por livre, deliberada e esclarecida escolha, enquanto que honestos fazendeiros farrapos que compram agrotóxicos contrabandeados aqui ou no Uruguai não são senão cidadãos de bem praticamente coercionados a tais atitudes por estarem nas mãos de quadrilhas rurais, fato que lhes confere a referida cidadania pelo prejuízo que acarreta às condições dignas de livre deliberação, como sói acontecer todas as vezes que pobres-diabos como tais fazendeiros têm extirpado brutalmente esse humano direito, como se não pudessem ter escolhido não estarem nas mãos de tais quadrilhas.
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Ao menos para o presidente da Federação da Agricultura do RS (Farsul), Carlos Sperotto, a explicação para as necessárias e irresistíveis atitudes dos fazendeiros gaúchos está na disparidade do custo do insumo. Segundo Sperotto, como o preço dos agrotóxicos é mais barato nos países vizinhos, há um estímulo ao contrabando. "Ninguém contrabandeia por esporte. Aqui é muito caro", teria dito o presidente da Farsul à ZH.
Ou seja, fazendeiros gaúchos estão contrabandeando porque aqui os agrotóxicos estão muito caros. Trata-se da mais pura necessidade, como se vê.
Como também se vê, homens de bem aceitam a figura do crime cometido por necessidade, que em tese sequer é crime, tal como o furto famélico, por exemplo, quando lhes convêm. Quando sujeitos não associados à Farsul os cometem lidamos com bandidos, entretanto.
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La Vieja não ignorou, em nenhum momento, que ZH não afirmou, em nenhum momento, que fazendeiros não tenham cometido crime de contrabando ao serem flagrados em delito pelas autoridades competentes e que, por conseguinte, não sejam absolutamente responsáveis por suas ações criminosas, e nem que ZH não possa ter tentado atribuir um sentido interpretativo diferente ao atribuído por La Vieja à expressão "Nas mão de quadrilhas rurais".
Defender qualquer uma das teses acima teria sido tão ingênuo quanto afirmar que um jornal unicamente transmite idéias e valores caros à classe que representa, desse modo construindo sua hegemonia no imaginário coletivo, através das afirmações pelas quais é diretamente responsável, como se não houvesse todo um sistema de referências indiretas, omissões e signos subliminares por detrás da construção do simbólico.
"Noite de São João"
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Sobre cartolas, coelhos e sumiços mágicos
Guga refere-se à matéria intitulada "O sumiço da terra improdutiva", cujo subtítulo é "O latifúndio improdutivo virou miragem no Rio Grande do Sul", veiculada na versão dominical do pasquim mais famoso do Grupo RBS.
A referida matéria contém no mínimo duas falácias toscas.
- A primeira delas é a tentativa de induzir o leitor a crer que o governo federal vem optando "por uma forma branda de desapropriação, na qual negocia com interessados em vender as terras" porque o latifúndio improdutivo virou miragem no Rio Grande do Sul. Antes de mais nada convém lembrar que se trata, como mesmo bem lembrou o autor da referida matéria, de uma opção do governo federal, portanto não de uma sua necessidade. Como também bem lembrou o referido jornalista, em função do fato dos agricultores gaúchos em geral produzirem acima daqueles índices exigidos pela atual legislação para que a terra seja considerada produtiva, "raríssimas áreas são passíveis de desapropriação por não cumprimento da função social, como determina a Constituição" (O grifo é meu).
Portanto, mesmo se se tratasse de uma e somente uma área passível de desapropriação por não cumprimento de sua função social, ainda assim existiria no mínimo uma área improdutiva de acordo com os referidos critérios. Porém, elas não são sequer uma, mas sim raríssimas, assim mesmo, no plural. Podem ser no mínimo duas ou quiçá dezenas, dependendo do universo em que se considere o termo "raríssimas". Assim, o latifúndio improdutivo não virou miragem no Rio Grande do Sul. Talvez somente nos delírios da Farsul e de seu departamento de relações públicas.
Logo, "Desde 2003 não ocorrem desapropriações de fazendas gaúchas com base no critério de descumprimento da função social" não porque não mais existam latifúndios improdutivos, mas sim porque "o governo federal tem optado por uma forma branda de desapropriação, na qual negocia com interessados em vender as terras", e, de modo semelhante, o governo federal tem feito tal opção não porque não existam mais latifúndios improdutivos, mas sim porque quer. Esse é, então, o único porquê por trás de tal opção.
- A segunda delas é a tentativa claramente mal-intencionada de induzir o leitor de ZH a acreditar que "O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) quer endurecer as exigências de produtividade" porque "a agricultura e a pecuária vão bem".
Não que a maioria de seus leitores não acredite nisso por sua livre e espontânea vontade e independentemente dos esforços de ZH, evidentemente.
Na verdade não é porque agricultura e pecuária vão bem que o referido ministério quer endurecer as referidas exigências, mas sim simplesmente porque os índices que medem a produtividade rural atualmente adotados estão defasados. Tentativas de atualização dos referidos índices são freqüentemente minadas no Congresso Nacional ou por pressão da bancada ruralista, como se sabe uma bancada forte, que faz valer seus direitos, ou por chantagem política dessa mesma bancada, como se sabe integrante da base de apoio do governo Luiz Inácio Lula da Silva, que em função de sua conivência com os interesses privados de alguns integrantes de sua base de apoio há quase um ano não se manifesta sobre a correção dos referidos índices proposta pelo referido ministério.
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La Vieja me confessou que nunca suas férias foram tão divertidas quanto essas, que ela tem dedicado a vez por outra desinverter a novilíngua do PRBS.
Ao vencedor, as batatas
Em "Quincas Borba", por exemplo, Machado de Assis, fiel a algumas características do realismo seu contemporâneo, denuncia como a luta pela sobrevivência na sociedade pode ser tão voraz quanto na natureza através da transposição do evolucionismo darwinista às relações sociais humanas. Não há neutralidade nas relações humanas, parece ecoar o humanitismo. Fracos e ingênuos como Rubião são manipulados e despojados de sua dignidade pelos mais fortes, pelos Cristianos Palha e Sofias de ontem e de hoje.
Machado de Assis, no entanto, jamais seria compreendido se se tomasse sua obra como mero mecânico produto de seu tempo. Seu universalismo e sua transcendência residem no fato de que é para denunciar o processo de selvagem luta pela sobrevivência na sociedade que se serve o romance machadiano de uma espécie de evolucionismo social. O humanitismo do filósofo Quincas Borba, professado pela boca de Rubião, herdeiro universal de seu pensamento, então, se transforma em crítica ácida à panacéia científica e se trata de uma das mais pertinentes metáforas da triste figura de toda cientificidade transposta às relações humanas que se pretenda moralmente neutra. Desse modo, o evolucionismo aplicado às relações humanas do bruxo do Cosme Velho não afirma que as relações sociais humanas são o que são em virtude de como a ciência descreve o mundo e é em si mesma, mas si em virtude de como o homem que faz ciência o descreve e é em si mesmo, a saber, parte de algum modo interessada.
Fazer ciência, portanto, parece ensinar o humanitismo, envolve escolhas.
De amostras e de conceitos, em certos casos.
"A hipótese de que o cérebro de um psicopata ou sociopata seja estruturalmente diferente daquele das pessoas 'normais' é perfeitamente lógica. Não só porque desde o acidente com Phineas Gage, em 1848 (!), sabe-se que danos ao córtex pré-frontal estão associados a comportamentos anti-sociais, como também porque muitas pesquisas utilizando técnicas de neuroimagem semelhantes ao estudo gaúcho vêm sugerindo fortes indícios de estrutura cerebral anormal em psicopatas".
Os trechos acima correspondem, respectivamente, aos artigos "Contra o obscurantismo", de Gustavo Ioschpe, publicado no jornaleco da Azenha de domingo último, 10, e "Ciência, obscurantismo e ética", de Carmen Maria Craidy, publicado ontem nesse mesmo pasquim.
Gustavo Ioschpe, para quem ainda não sabe, é o mais recente almofadinha com MBA a cair nas graças do intelectual fracassado Marcelo Rech. Vejam os senhores com os seus próprios olhos, até porque não há outro modo de ver, os boatos que espalha o diretor de redação de Zero Hora a respeito do referido rapaz, tudo a fim de antecipar a história sobre o mito ao próprio mito, ou, como diz o vulgo, antecipar a imagem do homem ao próprio homem. Gustavo Ioschpe, para Marcelo Rech, trata-se de um dos principais polemistas do país, que chegou às páginas de ZH a fim de "trazer luz ao manto de escuridão que encobre a discussão sobre os rumos do ensino no Brasil".
Bem, mas não era sobre isso que La Vieja queria falar, até porque tem ela coisas bem mais interessantes para pensar do que quem cai ou não nas graças do intelectual fracassado da Azenha.
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Como La Vieja dizia, ambos os artigos referem-se à discussão pública, cujo pontapé inicial, pelo menos aqui entre o povo cujas façanhas servem de modelo a toda a terra, até onde La Vieja saiba, foi dado por Marden Müller, por ocasião da publicação de "Eugenia reemergente", instituída por conta do polêmico projeto de pesquisa sob a responsabilidade do neurocientista Jaderson da Costa (PUC-RS) e do geneticista Renato Zamora Flores (UFRGS), que tem como um de seus mentores o secretário de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, aluno de mestrado de Costa, e que pretende descobrir, a partir da análise comparativa entre dois grupos, um formado por adolescentes internos da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase), os quais terão seus cérebros mapeados por ressonância magnética, e outro por adolescentes que não cometeram crimes, "se o que determina o comportamento de um menor infrator é sua história de vida e se há algo físico no cérebro levando-o à agressividade".
Embora o referido estudo também pretenda levar em consideração aspectos genéticos, neurológicos, psicológicos e sociais de cada uma das cobaias, seu foco parece ser o fundo biológico da questão, uma vez que, segundo Osmar Terra, "Estamos nos baseando em trabalhos que já existem mostrando que há um período crítico no início da vida e que se uma criança é maltratada entre o 8º e o 18º mês ela adquire comportamento alterado na idade adulta". Um dos trabalhos ao qual se refere Terra, ainda segundo a Folha de São Paulo via O Ôlho-Dínamo, seria um "artigo do grupo do neurocientista português António Damasio publicado em 1999", que supostamente teria mostrado "que meninos que sofreram lesões no córtex pré-frontal -região do cérebro próxima à testa- tinham sérios problemas de sociabilidade após crescer". Segundo Jaderson da Costa, como "A aquisição de convenções sociais complexas e de regras morais se estabelece precocemente", lesões cerebrais em determinada fase da infância "podem resultar mais tarde numa síndrome parecida com a psicopatia".
No entanto, ainda segundo a Folha, os cientistas fortes, aguerridos e bravos parecem querer saber se, independentemente das referidas lesões, meninos cronicamente violentos têm "atividade reduzida em alguma região do córtex pré-frontal, área cerebral ligada a tarefas mentais que envolvem juízo moral". Se tal atividade reduzida for localizada nos pueris córtices pré-frontais a serem mapeados, então é possível que seus comportamentos cronicamente violentos sejam uma sua conseqüência, já que os portadores de tal reduzida atividade em tese não executariam bem tarefas mentais que envolvessem juízos morais.
Portanto, na medida em que o estudo de Damasio supostamente mostrou que problemas de sociabilidade podem ser uma conseqüência de pueris lesões cerebrais, é na procura por atividades reduzidas em alguma região do córtex pré-frontal independentemente das referidas lesões que parece residir a originalidade do projeto dos cientistas gaúchos. Encontrada tal atividade reduzida, a violência crônica poderia ser tomada como uma sua conseqüência. Tentaria-se provar que tal atividade reduzida, então, seria a causa de tal estado mental.
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Entretanto, se o estudo não se importa com as referidas lesões, mas sim com a hipótese de atividades cerebrais reduzidas delas independentes gerarem determinado estado mental, há um problema com sua amostra.
Muito embora amostras precisem guardar pertinência absoluta com hipóteses de estudo em alguns casos - tal como na hipótese de que batatas-inglesas brancas de 12 a 18 centímetros de perímetro sejam violentas com outras batatas-inglesas, inclusive as rosas, muito apropriadamente devam ser estudadas somente batatas-inglesas brancas de 12 a 18 centímetros de perímetro e não qualquer de suas rosáceas vítimas ou mesmo qualquer branca maior ou menor do que aquelas suas companheiras de lavoura -, dependendo do universo que se pesquise tais amostras podem ser escolhidas, e La Vieja não disse necessariamente impostas pela hipótese de estudo, mas sim escolhidas, de modo absolutamente aleatório, sem nenhum prejuízo à pesquisa, o que implica que, ainda de acordo com a hipótese anterior, no universo das batatas-inglesas brancas de 12 a 18 centímetros de perímetro cronicamente violentas considerado possa ser estudada qualquer batata-inglesa branca de 12 a 18 centímetros de perímetro que tenha manifestado o referido comportamento, e isso a fim de se descobrir se ele pode decorrer ou não de atividades tuberculares reduzidas. Brancas, evidentemente.
Esse parece ser o caso do estudo dos cientistas farrapos. E se é assim, nada, absolutamente nada justifica que a amostra livre e deliberadamente escolhida pelos cientistas, no universo dos adolescentes cronicamente violentos considerado, não pudesse ser formada por adolescentes cronicamente violentos que não cumprem medidas sócio-educativas. Qualquer adolescente com comportamento cronicamente violento, portanto, poderia fazer parte da referida amostra, tais como, por exemplo, como bem lembrou a Palestina em sua brilhante série de comentários à referida pesquisa, adolescentes reiteradamente envolvidos em infrações de trânsito de algum modo danosas à vida e mesmo reiteradamente envolvidos em pelejas urbanas, como soem digladiar-se os vulgo pit boys, ou algo que o valha, em geral covardemente. Desse modo, pelo menos um dos critérios utilizados pelos cientistas a fim de, reitero, livre e deliberadamente escolherem sua amostra, portanto, deve ter sido o de não se possuir, ou não se dirigir, automóveis, ou não se freqüentar academias, o que, se não diz muita coisa acerca do que tais adolescentes são em si mesmos, pelo menos nos diz muito sobre suas origens sociais.
Portanto, se a hipótese é a de que pode ser o comportamento cronicamente violento de alguns adolescentes uma conseqüência de atividades reduzidas no córtex pré-frontal, setor do cérebro ligado a tarefas mentais que envolvem juízos morais, prová-la implica que qualquer cérebro farrapo adolescente supostamente portador de tais atividades reduzidas é passível de democráticas ressonâncias magnéticas em busca desse elo perdido, com o qual sonham alguns deterministas, e não somente aqueles cérebros que cumprem medidas sócio-educativas na Fase. Como os possíveis portadores dessa boa-nova aos homens de boa vontade supostamente são todos aqueles adolescentes cujo comportamento pode ser dito como cronicamente violento, já que esse parece ser uma conseqüência daquele, qualquer adolescente que assim se comporte pode fazer parte da amostra. Do contrário, ou seja, selecionando-se arbitrária e preconceituosamente a amostra, que é o que está acontecendo, parece que se toma de antemão como verdadeira a tese que precisa ser provada, a saber, que o comportamento cronicamente violento de determinados adolescentes é uma conseqüência de atividades reduzidas em certos setores de seus cérebros, uma vez que cronicamente violentos parecem ser somente os comportamentos de adolescentes que cumprem medidas sócio-educativas, coincidentemente unicamente aqueles que terão seus cérebros mapeados, o que, em boa lógica, equivale à velha e boa petição de princípio.
Algumas das teses acima esboçadas parecem encontrar algum eco nos comentários de Marden Müller e da Palestina, com os quais La Vieja concorda plenamente.
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E em bom caminho está Marcelo Rech se se entende por polemista aquele sujeito que faz profissão de saber mais do que sabe e que não tem responsabilidade alguma para com as implicações daquilo que escreve. Como se vê, a escola mainardi-carvalheana está dando belos frutos
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
"Trate com cuidado"
A WSPA (World Society for the Protection of Animals), no Brasil Sociedade Mundial de Proteção Animal, junto a outras organizações de proteção aos direitos dos animais, acaba de lançar a campanha "Handle With Care".
O objetivo da campanha, que em sua versão brasileira chama-se "Trate com Cuidado", é chamar a atenção para as precárias condições em que animais são transportados para o abate em diversas regiões do mundo. Algumas dessas viagens, realizadas sob condições sofríveis e em veículos superlotados, chegam a levar várias semanas, expondo bovinos, ovelhas e porcos à morte, doenças, fome e estresse durante o trajeto.
Segundo a WSPA, "Imagens de câmeras escondidas, registradas ao longo de dois anos por organizações internacionais de bem-estar animal, revelam hoje a brutalidade do transporte de animais por longas distâncias, apenas para serem abatidos ao final da jornada. Porém, como mostra a investigação, muitos animais morrem durante a viagem ou adoecem pelas péssimas condições do transporte".
Ainda conforme a WSPA, "O transporte de carne resfriada e congelada acontece há mais de 125 anos. Ainda assim, milhões de bovinos, suínos, cavalos e ovelhas sofrem e morrem durante o transporte por longas distâncias a cada ano, num comércio que espalha doenças pelo mundo e causa sofrimento desnecessário".
A jornada do gado bovino brasileiro até o Líbano, por exemplo, dura três semanas, partindo do porto amazônico de Belém (PA) até Beirute.
Quando chegam ao Líbano, os animais são muitas vezes abatidos de forma desumana e violadora das normas religiosas. Após semanas de desnecessário sofrimento animal, o consumidor é erradamente levado a crer que a carne é 'Halal'. O abate humanitário, realizado num local próximo ao de onde os animais foram criados, não só terminaria a crueldade do transporte por longas distâncias, como criaria empregos no Brasil".
Pratini de Moraes, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne do Brasil (Abiec), por sua vez, afirmou à BBC Brasil que as condições do transporte do gado bovino brasileiro até o Líbano não são cruéis.
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Todo leitor pode tirar suas conclusões sobre tal tipo de transporte assistindo ao vídeo acima, da campanha mundial. Também pode visitar o sítio da campanha em sua versão brasileira "para conhecer as evidências registradas e adicionar seu nome a uma carta que será enviada para o governo brasileiro pedindo o fim desse tipo de transporte". Para ver o vídeo sobre o transporte de gado do Brasil para o Líbano, basta clicar sobre o ícone do gado bovino, no referido sítio, abaixo do subtítulo "Selecione uma rota".
A referida campanha também ressalta outras três rotas entre as piores reveladas pelas filmagens, além da brasileira: a de transporte de ovelhas da Austrália para o Oriente Médio, que dura 32 dias e tem como saldo anual dezenas de milhares de mortes por fome em virtude da dificuldade que têm as ovelhas de "conseguirem identificar nos navios a ração concentrada em bolinhas que recebem como alimento", a de cavalos da Espanha para a Itália e a de suínos do Canadá para o Havaí. Quem quiser assistir a todos os vídeos pode visitar o sítio da campanha no youtube, na Handle With Care TV.









