quarta-feira, 30 de abril de 2008
Sobre as manifestações públicas da gasolina
La Vieja, evidentemente, não se apega às pequenas ignorâncias de cada dia de Zero Hora a fim de desmontar seus argumentos - o que, por tal expediente, sequer seria válido -, pois sabe que o buraco é mais embaixo, mais precisamente no papel político e ideológico desempenhado pelo Grupo RBS no debate público gaúcho.
É sempre divertido, no entanto, se deparar com os erros técnicos e com o despreparo intelectual dos formadores de opinião de ZH, que ridicularizam qualquer tropeço no vernáculo de qualquer político de origem humilde - aliás, vício de nossa elite, por vezes tão ignorante quanto aqueles que critica - e juram de pés juntos que, do alto dessa qualidade e contra a maré mundial, aumentam sua tiragem diariamente, como se tal aumento dissesse alguma coisa sobre a circulação de um jornal.
Precisamente às 18:16 h de hoje, lia-se o seguinte em sua página:

Depois das inovações semânticas introduzidas na última flor do lácio pelos novos usos do verbo fraudar, agora é vez das tautologias e de dar voz aos derivados do petróleo!
É sempre divertido, no entanto, se deparar com os erros técnicos e com o despreparo intelectual dos formadores de opinião de ZH, que ridicularizam qualquer tropeço no vernáculo de qualquer político de origem humilde - aliás, vício de nossa elite, por vezes tão ignorante quanto aqueles que critica - e juram de pés juntos que, do alto dessa qualidade e contra a maré mundial, aumentam sua tiragem diariamente, como se tal aumento dissesse alguma coisa sobre a circulação de um jornal.
Precisamente às 18:16 h de hoje, lia-se o seguinte em sua página:

Depois das inovações semânticas introduzidas na última flor do lácio pelos novos usos do verbo fraudar, agora é vez das tautologias e de dar voz aos derivados do petróleo!
Sobre fatos e suspeitas, dependendo de quem é o suspeito, ainda
Rosane de Oliveira, como é público e notório, é uma colunista política que adota um comportamento extremamente responsável em relação às informações públicas que lhe caem nas mãos.
Como se sabe, ela só tece maiores considerações acerca de fatos concretos. Denúncias sem provas não são dignas de seus comentários porque não são notícia, mas sim pautas. Seu filtro moral, portanto, seleciona o que é digno ou não de ser publicado, ou comentado, naquilo que ela pensa que é um blog e em sua coluna diária na Zero Hora. A depuradora de melífluos sabores, além de ser a abelha-rainha do jornalismo político farrapo, é a medida de todas coisas que devem ou não ser comentadas pelo jornalismo.
Rosane de Oliveira, portanto, não comenta denúncias sem provas que as corroborem, pois isso não passa por seus filtros morais.
É o que necessariamente se segue de sua desculpa esfarrapada abaixo, dada na última sexta, 25, às 18:50 h, diante das insistências de alguns seus leitores, e de La Vieja, para que se posicionasse acerca das denúncias de Luiz Fernando Tubino à CPI do Detran, segundo as quais o lobista tucano Lair Ferst teria pago parte da mansão comprada por sua companheira de Broadway, logo após as eleições de 2006, com um cheque de R$ 400 mil, supostamente oriundos de sobras da última campanha tucana ao governo do estado:

No entanto, ainda na referida sexta, cedinho da manhã, todos esses preceitos morais pareciam não orientar a conduta da abelha-mestra, que não teve tais pruridos ao recomendar a leitura, em seu blog, de matéria de ZH sobre as denúncias, sem provas, formuladas pelo deputado Índio da Costa (DEM-RJ), de que o ex-ministro das Cidades, Olívio Dutra, teria agido de má-fé ao criar uma espécie de estratagema a fim de ocultar os verdadeiros gastos que se esconderiam por detrás de despesas da ordem de R$970,00, feitas em uma padaria de Brasília por sua assessoria durante 09 meses. Pelo fato das três notas fiscais apresentadas discriminarem apenas gastos globais e não mercadorias, da Costa concluiu que Olívio Dutra poderia ter comprado uísque, cachaça ou vinho às custas do dinheiro público.
O deputado, todavia, não apresentou nenhuma prova disso. Especulou, portanto. Denunciou sem provas. Logo, tratava-se de pauta, e não de notícia. Não havia fatos concretos para comentar.
Porém, ainda assim a depuradora de melífluos sabores recomendou a leitura de tal matéria. "Eu recomendo", decretou a abelha-rainha. Avalizou uma denúncia feita sem provas, portanto. Diferencia fatos de suspeitas de acordo com um critério muito simples, porém talvez não muito ético: os fatos e as suspeitas dependem muito de quem é o suspeito:

Ah, mas os atentos leitores de La Vieja dirão: - "Não sejas boba.... não vês que uma pessoa pode, da manhã de sexta até o final desse mesmo dia, modificar seu caráter a ponto de passar a considerar denúncias sem provas como meras pautas, e não mais como notícias, desse modo se recusando a comentá-las? O mundo muda, as pessoas mudam, tudo está em permanente transformação...La Vieja está sendo severa demais, pois nada impedia que Rosane de Oliveira, de uma hora para outra, mudasse de opinião sobre o que são fatos concretos. É evidente que ela não entrou em contradição".
La Vieja lhes dirá, então, que estão equivocados, pois hoje, mais uma vez, Rosane de Oliveira deixou claro que seu critério de diferenciação entre fatos e suspeitas depende muito de quem é o suspeito.
É o que La Vieja irá mais uma vez demonstrar.
Hoje pela manhã, naquilo que ela pensa que é um blog, a abelha-mestra recomendou a leitura da seguinte matéria:

Vejamos, então, o que ela diz.
O levantamento acima referido, sobre gastos com cartões corporativos por finais de semana, foi feito pelo sub-relator de sistematização da CPI dos Cartões, Carlos Sampaio (PSDB-SP).
Mas o que esse levantamento diz, precisamente?
Diz simplesmente que determinados ministros viajaram a trabalho tanto para seus estados de origem, quanto para outros estados, em determinados finais de semana, custeados pelos cartões corporativos.
Vejam bem, o levantamento não diz mais nada, além disso. Absolutamente mais nada.
Bem, então alguma coisa está errada com a associação que tenta apresentar La Vieja, pois pelo menos desde a tardinha da última sexta, 25, Rosane de Oliveira não comenta senão fatos concretos. Comentar denúncias sem provas, ou mesmo indicar sua leitura, não é coisa que ela faça. Não é coisa que passe por seus filtros morais.
Vejamos, então, o que Carlos Sampaio nos traz como prova - já que deve haver uma, pois do contrário a abelha-rainha sequer recomendaria a leitura de tal matéria -, de sua denúncia de que determinados ministros se aproveitaram de viagens oficiais custeadas pelos cartões corporativos para visitarem correligionários e familiares em seus estados de origem aos finais de semana:
"Despesas com viagens são cobertas pelo erário quando são motivadas pelo trabalho", afirma ZH. "Caso o ministro esteja em agenda oficial, não há restrição à data ou ao destino". Mas, para Carlos Sampaio, continua ZH, "a coincidência precisa ser investigada" (Os grifos são meus).
Pasmem, senhores. A prova que apresenta Carlos Sampaio, noticiada de modo sensacionalista por ZH - "Os gastos feitos com cartões corporativos mostram que ao menos cinco ministros e ex-ministros tiveram viagens financiadas pelos cofres públicos a seus Estados de origem, onde mantêm laços político-partidários e familiares, em especial nos finais de semana" - e avalizada pela mesma jornalista que se recusa a comentar denúncias sem provas, por enquanto não passa de uma mera relação de coincidência. Sua prova é a de que há coincidência demais no fato de ministros gaúchos cumprirem agendas oficiais aos finais de semana justamente no estado que costumam visitar exatamente aos finais de semana.
Entretanto, para enfraquecer ainda mais a torcida de ZH, tal prova ainda trata-se de uma mera hipótese, de algo que precisa ser comprovado. É por isso que afirma Sampaio que "É preciso verificar se não há adaptação da agenda oficial a eventuais interesses distantes dos ministérios", uma vez que é comum "que ministros, em especial os mais ativos na vida política, retornem às suas bases eleitorais ou fiquem com suas famílias nos finais de semana (...)" (Os grifos são meus). Ou seja, se é preciso verificar, nada ainda foi verificado. Ademais, logicamente, do fato de ser comum que determinados ministros viajem aos finais de semana para visitarem suas famílias, não se segue necessariamente que todos façam isso, pois alguns podem sequer tê-las nesses estados, e muito menos que adaptem suas agendas para isso.
A coincidência que ainda precisa ser investigada, portanto - já tratada por ZH como prova de que os referidos ministros usaram indevidamente os cartões corporativos, o que, mesmo não sendo verdade, sempre contribui para o esforço de manchar suas reputações -, é o fato deles terem viajado em missões oficiais, custeados pelos cartões corporativos, justamente a seus estados de origem e justamente aos finais de semana, o que levanta a suspeita de que adaptações em suas agendas oficiais poderiam ter sido feitas exatamente para possibilitarem que viagens a trabalho, que são cobertas pelo erário, ocorressem exatamente nesses finais de semana, o que permitiria que o referido ministro tanto (i) participasse de eventos oficiais quanto (ii) aproveitasse a mesma viagem, custeada pelo dinheiro público, para visitar correligionários e familiares em seu estado de origem. Matariam dois coelhos com uma cajadada só, portanto, e não poriam a mão no bolso para visitar seus familiares ou fazer política, já que tudo seria pago com o dinheiro do contribuinte.
Essa, portanto, é a denúncia de Sampaio, avalizada por ZH e por Rosane de Oliveira. Observem, no entanto, não há nenhuma prova, ainda, a partir do levantamento feito por Sampaio, de que Olívio Dutra ou Miguel Rosseto de fato tenham adaptado suas agendas para tal fim, e nem que toda viagem a trabalho de um ministro ao seu estado de origem é uma adaptação de má-fé em sua agenda. O que há é uma hipótese, levantada por Sampaio, de que pode ter havido tal adaptação, pois para ele há coincidência demais entre o fato de Dutra e Rosseto morarem no RS e cumprirem agendas oficiais aqui exatamente aos finais de semana, quando é comum, segundo a percepção do deputado tucano, que ministros visitem seus familiares e correligionários.
Porém, segundo ZH, há mais "provas":
"Conforme os arquivos da CPI dos Cartões, em seis finais de semana há despesas de Olívio Dutra, presidente estadual do PT, em cidades gaúchas como Caxias do Sul, São Borja e Cachoeirinha, além de Porto Alegre. Em outros cinco finais de semana, gastos foram feitos em Teresina, Maceió, Rio de Janeiro, São Paulo e Manaus" (Os grifos são meus).
La Vieja, que não é boba nem nada, delas tirou algumas conclusões, pois há muitas coincidências estranhas e obscuras:
i) A primeira é a de que a família de Olívio Dutra provavelmente seja uma família excentricamente itinerante, quiçá meio cigana, meio mambembe. Tanto que adoram marcar encontros por várias cidades gaúchas. Nos seis finais de semana em que esteve Olívio Dutra no RS, durante os 130 em que foi ministro, e La Vieja disse 6 em 130, o ex-ministro das Cidades marcou encontros com sua família em 4 cidades diferentes, pois quem os conhece sabe que são dados a tais excentricidades e aventuras. Sobrava um final de semana e era possível encaixar um evento oficial na agenda, lá se ia o Galo Missioneiro aproveitar uma viagem a trabalho para ver sua família custeado pelo dinheiro público; claro, sem colocar a mão no bolso, pois Olívio Dutra sempre foi assim, desde os tempos em que era prefeito e vinha de ônibus da Zona Norte até a Prefeitura de Porto Alegre.
ii) A segunda delas é que determinados ministros não podem viajar a seus estados a trabalho aos finais de semana, mesmo que determinados eventos ocorram somente nesses dias, já que se aproveitam disso para ver familiares, algo que, como se sabe, não pode ser feito caso a referida viagem ocorra em dias úteis. Há, como é de conhecimento de todos, um decreto interplanetário que proíbe visitas a parentes, em dias úteis, por ministros de Estado que cumpram agenda oficial, nesses dias, em seus estados de origem. A conseqüência disso, como qualquer idiota pode perceber - já que ministros não podem cumprir agendas oficiais em seus estados de origem, nem aos finais de semana e nem em dias úteis, pelo risco que há de verem seus parentes -, é que ministros de Estado jamais podem viajar a trabalho para seus estados de origem.
iii) A terceira delas, e a mais óbvia, é que um ministro das Cidades, embora lide com assuntos que digam respeito a cidades, não pode viajar para cidades, muito menos aos finais de semana. Mas, na verdade, eles não sabem de nada, pois Olívio Dutra se deu mal nessas cinco viagens a trabalho aos finais de semana, nos outros 124 que lhe restaram enquanto ministro. Quando o ex-ministro pensava em se espraiar e lagartear solito pelas areias de Copacabana custeado pelo dinheiro público - já que havia encontrado um espacinho em sua agenda para conciliar um merecido descanso e uma viagem a trabalho ao Rio de janeiro e tinha uma predileção especial por fazer isso aos finais de semana, como se nos dias úteis isso também não pudesse ser feito -, eis que chega de mala e cuia, como quem não quer nada, sua família rodante, e acaba com seu sossego. Bem feito!
Resumo da ópera: a prova da denúncia apresentada por Sampaio é a coincidência de determinadas viagens a trabalho dos referidos ministros terem ocorrido a seus estados de origem em finais de semana, quando é comum que ministros "retornem às suas bares eleitorais ou fiquem com suas famílias". Ocorre, todavia, que do fato de deputados e senadores recorrerem a tal expediente com freqüência não se segue necessariamente que (i) ministros de qualquer partido assim procedam e nem que (ii) suas agendas sejam adaptadas para tal fim, e isso porque nada impediria que esses supostos périplos por suas "bases eleitorais", ou suas supostas estadas com suas famílias, não pudessem ocorrer em viagens a trabalho a seus estados de origem em dias úteis. O argumento, portanto, exige três neurônios - um para eventual desempate - para ser desmontado. Trata-se de mais um factóide, nada além disso. A oposição ao governo Lula tem criado um por semana, sob o beneplácito dos defensores da liberdade de expressão em nome da verdade.
Da verdade que lhes convém, no entanto.
Portanto, isso de modo algum surpreende La Vieja, que sabe de fonte segura que alguns colunistas do Grupo RBS pensam que democracia e liberdade de expressão são necessariamente uma grande feira de versões, uma espécie de "Você Decide" global, como se o compromisso de leitores e jornalistas no debate público fosse um mero "querer acreditar em algo que combina com minhas crenças", e como se a verdade de um fato não fosse uma só, a despeito de todas as versões que possa ou não ter:
"Você decide se quer acreditar em quem escreve o que combina com suas convicções".
É mole?
Mas ainda bem que o Grupo RBS está aí para comentar todos esses fatos concretos. O que seria de nós se não fosse a responsabilidade pública de colunistas como Rosane de Oliveira, que jamais comentam denúncias sem provas.
Como se sabe, ela só tece maiores considerações acerca de fatos concretos. Denúncias sem provas não são dignas de seus comentários porque não são notícia, mas sim pautas. Seu filtro moral, portanto, seleciona o que é digno ou não de ser publicado, ou comentado, naquilo que ela pensa que é um blog e em sua coluna diária na Zero Hora. A depuradora de melífluos sabores, além de ser a abelha-rainha do jornalismo político farrapo, é a medida de todas coisas que devem ou não ser comentadas pelo jornalismo.
Rosane de Oliveira, portanto, não comenta denúncias sem provas que as corroborem, pois isso não passa por seus filtros morais.
É o que necessariamente se segue de sua desculpa esfarrapada abaixo, dada na última sexta, 25, às 18:50 h, diante das insistências de alguns seus leitores, e de La Vieja, para que se posicionasse acerca das denúncias de Luiz Fernando Tubino à CPI do Detran, segundo as quais o lobista tucano Lair Ferst teria pago parte da mansão comprada por sua companheira de Broadway, logo após as eleições de 2006, com um cheque de R$ 400 mil, supostamente oriundos de sobras da última campanha tucana ao governo do estado:

No entanto, ainda na referida sexta, cedinho da manhã, todos esses preceitos morais pareciam não orientar a conduta da abelha-mestra, que não teve tais pruridos ao recomendar a leitura, em seu blog, de matéria de ZH sobre as denúncias, sem provas, formuladas pelo deputado Índio da Costa (DEM-RJ), de que o ex-ministro das Cidades, Olívio Dutra, teria agido de má-fé ao criar uma espécie de estratagema a fim de ocultar os verdadeiros gastos que se esconderiam por detrás de despesas da ordem de R$970,00, feitas em uma padaria de Brasília por sua assessoria durante 09 meses. Pelo fato das três notas fiscais apresentadas discriminarem apenas gastos globais e não mercadorias, da Costa concluiu que Olívio Dutra poderia ter comprado uísque, cachaça ou vinho às custas do dinheiro público.
O deputado, todavia, não apresentou nenhuma prova disso. Especulou, portanto. Denunciou sem provas. Logo, tratava-se de pauta, e não de notícia. Não havia fatos concretos para comentar.
Porém, ainda assim a depuradora de melífluos sabores recomendou a leitura de tal matéria. "Eu recomendo", decretou a abelha-rainha. Avalizou uma denúncia feita sem provas, portanto. Diferencia fatos de suspeitas de acordo com um critério muito simples, porém talvez não muito ético: os fatos e as suspeitas dependem muito de quem é o suspeito:

Ah, mas os atentos leitores de La Vieja dirão: - "Não sejas boba.... não vês que uma pessoa pode, da manhã de sexta até o final desse mesmo dia, modificar seu caráter a ponto de passar a considerar denúncias sem provas como meras pautas, e não mais como notícias, desse modo se recusando a comentá-las? O mundo muda, as pessoas mudam, tudo está em permanente transformação...La Vieja está sendo severa demais, pois nada impedia que Rosane de Oliveira, de uma hora para outra, mudasse de opinião sobre o que são fatos concretos. É evidente que ela não entrou em contradição".
La Vieja lhes dirá, então, que estão equivocados, pois hoje, mais uma vez, Rosane de Oliveira deixou claro que seu critério de diferenciação entre fatos e suspeitas depende muito de quem é o suspeito.
É o que La Vieja irá mais uma vez demonstrar.
Hoje pela manhã, naquilo que ela pensa que é um blog, a abelha-mestra recomendou a leitura da seguinte matéria:

Vejamos, então, o que ela diz.
O levantamento acima referido, sobre gastos com cartões corporativos por finais de semana, foi feito pelo sub-relator de sistematização da CPI dos Cartões, Carlos Sampaio (PSDB-SP).
Mas o que esse levantamento diz, precisamente?
Diz simplesmente que determinados ministros viajaram a trabalho tanto para seus estados de origem, quanto para outros estados, em determinados finais de semana, custeados pelos cartões corporativos.
Vejam bem, o levantamento não diz mais nada, além disso. Absolutamente mais nada.
Bem, então alguma coisa está errada com a associação que tenta apresentar La Vieja, pois pelo menos desde a tardinha da última sexta, 25, Rosane de Oliveira não comenta senão fatos concretos. Comentar denúncias sem provas, ou mesmo indicar sua leitura, não é coisa que ela faça. Não é coisa que passe por seus filtros morais.
Vejamos, então, o que Carlos Sampaio nos traz como prova - já que deve haver uma, pois do contrário a abelha-rainha sequer recomendaria a leitura de tal matéria -, de sua denúncia de que determinados ministros se aproveitaram de viagens oficiais custeadas pelos cartões corporativos para visitarem correligionários e familiares em seus estados de origem aos finais de semana:
"Despesas com viagens são cobertas pelo erário quando são motivadas pelo trabalho", afirma ZH. "Caso o ministro esteja em agenda oficial, não há restrição à data ou ao destino". Mas, para Carlos Sampaio, continua ZH, "a coincidência precisa ser investigada" (Os grifos são meus).
Pasmem, senhores. A prova que apresenta Carlos Sampaio, noticiada de modo sensacionalista por ZH - "Os gastos feitos com cartões corporativos mostram que ao menos cinco ministros e ex-ministros tiveram viagens financiadas pelos cofres públicos a seus Estados de origem, onde mantêm laços político-partidários e familiares, em especial nos finais de semana" - e avalizada pela mesma jornalista que se recusa a comentar denúncias sem provas, por enquanto não passa de uma mera relação de coincidência. Sua prova é a de que há coincidência demais no fato de ministros gaúchos cumprirem agendas oficiais aos finais de semana justamente no estado que costumam visitar exatamente aos finais de semana.
Entretanto, para enfraquecer ainda mais a torcida de ZH, tal prova ainda trata-se de uma mera hipótese, de algo que precisa ser comprovado. É por isso que afirma Sampaio que "É preciso verificar se não há adaptação da agenda oficial a eventuais interesses distantes dos ministérios", uma vez que é comum "que ministros, em especial os mais ativos na vida política, retornem às suas bases eleitorais ou fiquem com suas famílias nos finais de semana (...)" (Os grifos são meus). Ou seja, se é preciso verificar, nada ainda foi verificado. Ademais, logicamente, do fato de ser comum que determinados ministros viajem aos finais de semana para visitarem suas famílias, não se segue necessariamente que todos façam isso, pois alguns podem sequer tê-las nesses estados, e muito menos que adaptem suas agendas para isso.
A coincidência que ainda precisa ser investigada, portanto - já tratada por ZH como prova de que os referidos ministros usaram indevidamente os cartões corporativos, o que, mesmo não sendo verdade, sempre contribui para o esforço de manchar suas reputações -, é o fato deles terem viajado em missões oficiais, custeados pelos cartões corporativos, justamente a seus estados de origem e justamente aos finais de semana, o que levanta a suspeita de que adaptações em suas agendas oficiais poderiam ter sido feitas exatamente para possibilitarem que viagens a trabalho, que são cobertas pelo erário, ocorressem exatamente nesses finais de semana, o que permitiria que o referido ministro tanto (i) participasse de eventos oficiais quanto (ii) aproveitasse a mesma viagem, custeada pelo dinheiro público, para visitar correligionários e familiares em seu estado de origem. Matariam dois coelhos com uma cajadada só, portanto, e não poriam a mão no bolso para visitar seus familiares ou fazer política, já que tudo seria pago com o dinheiro do contribuinte.
Essa, portanto, é a denúncia de Sampaio, avalizada por ZH e por Rosane de Oliveira. Observem, no entanto, não há nenhuma prova, ainda, a partir do levantamento feito por Sampaio, de que Olívio Dutra ou Miguel Rosseto de fato tenham adaptado suas agendas para tal fim, e nem que toda viagem a trabalho de um ministro ao seu estado de origem é uma adaptação de má-fé em sua agenda. O que há é uma hipótese, levantada por Sampaio, de que pode ter havido tal adaptação, pois para ele há coincidência demais entre o fato de Dutra e Rosseto morarem no RS e cumprirem agendas oficiais aqui exatamente aos finais de semana, quando é comum, segundo a percepção do deputado tucano, que ministros visitem seus familiares e correligionários.
Porém, segundo ZH, há mais "provas":
"Conforme os arquivos da CPI dos Cartões, em seis finais de semana há despesas de Olívio Dutra, presidente estadual do PT, em cidades gaúchas como Caxias do Sul, São Borja e Cachoeirinha, além de Porto Alegre. Em outros cinco finais de semana, gastos foram feitos em Teresina, Maceió, Rio de Janeiro, São Paulo e Manaus" (Os grifos são meus).
La Vieja, que não é boba nem nada, delas tirou algumas conclusões, pois há muitas coincidências estranhas e obscuras:
i) A primeira é a de que a família de Olívio Dutra provavelmente seja uma família excentricamente itinerante, quiçá meio cigana, meio mambembe. Tanto que adoram marcar encontros por várias cidades gaúchas. Nos seis finais de semana em que esteve Olívio Dutra no RS, durante os 130 em que foi ministro, e La Vieja disse 6 em 130, o ex-ministro das Cidades marcou encontros com sua família em 4 cidades diferentes, pois quem os conhece sabe que são dados a tais excentricidades e aventuras. Sobrava um final de semana e era possível encaixar um evento oficial na agenda, lá se ia o Galo Missioneiro aproveitar uma viagem a trabalho para ver sua família custeado pelo dinheiro público; claro, sem colocar a mão no bolso, pois Olívio Dutra sempre foi assim, desde os tempos em que era prefeito e vinha de ônibus da Zona Norte até a Prefeitura de Porto Alegre.
ii) A segunda delas é que determinados ministros não podem viajar a seus estados a trabalho aos finais de semana, mesmo que determinados eventos ocorram somente nesses dias, já que se aproveitam disso para ver familiares, algo que, como se sabe, não pode ser feito caso a referida viagem ocorra em dias úteis. Há, como é de conhecimento de todos, um decreto interplanetário que proíbe visitas a parentes, em dias úteis, por ministros de Estado que cumpram agenda oficial, nesses dias, em seus estados de origem. A conseqüência disso, como qualquer idiota pode perceber - já que ministros não podem cumprir agendas oficiais em seus estados de origem, nem aos finais de semana e nem em dias úteis, pelo risco que há de verem seus parentes -, é que ministros de Estado jamais podem viajar a trabalho para seus estados de origem.
iii) A terceira delas, e a mais óbvia, é que um ministro das Cidades, embora lide com assuntos que digam respeito a cidades, não pode viajar para cidades, muito menos aos finais de semana. Mas, na verdade, eles não sabem de nada, pois Olívio Dutra se deu mal nessas cinco viagens a trabalho aos finais de semana, nos outros 124 que lhe restaram enquanto ministro. Quando o ex-ministro pensava em se espraiar e lagartear solito pelas areias de Copacabana custeado pelo dinheiro público - já que havia encontrado um espacinho em sua agenda para conciliar um merecido descanso e uma viagem a trabalho ao Rio de janeiro e tinha uma predileção especial por fazer isso aos finais de semana, como se nos dias úteis isso também não pudesse ser feito -, eis que chega de mala e cuia, como quem não quer nada, sua família rodante, e acaba com seu sossego. Bem feito!
Resumo da ópera: a prova da denúncia apresentada por Sampaio é a coincidência de determinadas viagens a trabalho dos referidos ministros terem ocorrido a seus estados de origem em finais de semana, quando é comum que ministros "retornem às suas bares eleitorais ou fiquem com suas famílias". Ocorre, todavia, que do fato de deputados e senadores recorrerem a tal expediente com freqüência não se segue necessariamente que (i) ministros de qualquer partido assim procedam e nem que (ii) suas agendas sejam adaptadas para tal fim, e isso porque nada impediria que esses supostos périplos por suas "bases eleitorais", ou suas supostas estadas com suas famílias, não pudessem ocorrer em viagens a trabalho a seus estados de origem em dias úteis. O argumento, portanto, exige três neurônios - um para eventual desempate - para ser desmontado. Trata-se de mais um factóide, nada além disso. A oposição ao governo Lula tem criado um por semana, sob o beneplácito dos defensores da liberdade de expressão em nome da verdade.
Da verdade que lhes convém, no entanto.
Portanto, isso de modo algum surpreende La Vieja, que sabe de fonte segura que alguns colunistas do Grupo RBS pensam que democracia e liberdade de expressão são necessariamente uma grande feira de versões, uma espécie de "Você Decide" global, como se o compromisso de leitores e jornalistas no debate público fosse um mero "querer acreditar em algo que combina com minhas crenças", e como se a verdade de um fato não fosse uma só, a despeito de todas as versões que possa ou não ter:
"Você decide se quer acreditar em quem escreve o que combina com suas convicções".
É mole?
Mas ainda bem que o Grupo RBS está aí para comentar todos esses fatos concretos. O que seria de nós se não fosse a responsabilidade pública de colunistas como Rosane de Oliveira, que jamais comentam denúncias sem provas.
terça-feira, 29 de abril de 2008
Sobre "situações especiais", mais uma vez
Ora, ora, vejam os senhores como são as coisas.
Cedito da manhã La Vieja flagrou a seguinte lambeção de botas protagonizada por Zero Hora:

A esse respeito La Vieja escreveu, precisamente às 11:13 h, que ZH estava sendo mais realista do que o rei ao afirmar que a governadora Yeda Crusius havia reclamado da falta de sensibilidade de Brasília, já que o que a governadora realmente disse foi que temia que Brasília não se sensibilizasse com a situação financeira do estado. O que, convenhamos, são duas coisas bem diferentes.
Porém, esqueçam tudo o que foi dito até agora, pois, seguindo o enlace de ZH postado anteriormente por La Vieja, no lugar do antigo "Yeda reclama de falta de sensibilidade de Brasília", salvo na imagem acima, agora se encontra o seguinte texto, atualizado às 12:14 h:

Agora, portanto, a Rainha das Pantalhas não mais reclama de falta de sensibilidade de Brasília, porém "espera sensibilizar Brasília por empréstimo", mas isso não mais em função da "situação financeira do estado", porém da "situação especial" de "urgência" que vive o RS. E é em função de tal urgência que a autorização da Secretaria do Tesouro Nacional à contratação do referido empréstimo precisa ocorrer até "12 de maio, para que tudo esteja aprovado antes da reunião com representantes do Bird, em 12 de junho". Teria sido por isso, então, ainda segundo ZH, que "a governadora esteve ontem em Brasília, onde se reuniu com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, tratando do empréstimo".
Ora, mas o caso é que, cada vez que se emenda, ZH piora o soneto, ou nossa governadora não sabe do que está falando. Se o caso é a urgência na autorização da Secretaria do Tesouro Nacional à contratação do empréstimo pelo RS junto ao Banco Mundial, então não há absolutamente nada que Gilmar Mendes possa fazer, já que lhe cabe simplesmente, na melhor das hipóteses, interceder cordialmente e com jeitinho junto à Advocacia-Geral da União (AGU) a fim de agilizar o despacho do agravo regimental interposto pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) na última sexta junto ao STF, o que, também na melhor das hipóteses, somente impediria a União de negar sua autorização à contratação do referido financiamento, mas jamais a obrigaria a concedê-la ou negá-la em determinado prazo.
La Vieja sugere que ZH no mínimo compreenda determinadas informações antes de publicá-las. Ou, o que seria ainda mais grave, que nossa governadora ao menos conheça as competências do STF.
Cedito da manhã La Vieja flagrou a seguinte lambeção de botas protagonizada por Zero Hora:

A esse respeito La Vieja escreveu, precisamente às 11:13 h, que ZH estava sendo mais realista do que o rei ao afirmar que a governadora Yeda Crusius havia reclamado da falta de sensibilidade de Brasília, já que o que a governadora realmente disse foi que temia que Brasília não se sensibilizasse com a situação financeira do estado. O que, convenhamos, são duas coisas bem diferentes.
Porém, esqueçam tudo o que foi dito até agora, pois, seguindo o enlace de ZH postado anteriormente por La Vieja, no lugar do antigo "Yeda reclama de falta de sensibilidade de Brasília", salvo na imagem acima, agora se encontra o seguinte texto, atualizado às 12:14 h:

Agora, portanto, a Rainha das Pantalhas não mais reclama de falta de sensibilidade de Brasília, porém "espera sensibilizar Brasília por empréstimo", mas isso não mais em função da "situação financeira do estado", porém da "situação especial" de "urgência" que vive o RS. E é em função de tal urgência que a autorização da Secretaria do Tesouro Nacional à contratação do referido empréstimo precisa ocorrer até "12 de maio, para que tudo esteja aprovado antes da reunião com representantes do Bird, em 12 de junho". Teria sido por isso, então, ainda segundo ZH, que "a governadora esteve ontem em Brasília, onde se reuniu com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, tratando do empréstimo".
Ora, mas o caso é que, cada vez que se emenda, ZH piora o soneto, ou nossa governadora não sabe do que está falando. Se o caso é a urgência na autorização da Secretaria do Tesouro Nacional à contratação do empréstimo pelo RS junto ao Banco Mundial, então não há absolutamente nada que Gilmar Mendes possa fazer, já que lhe cabe simplesmente, na melhor das hipóteses, interceder cordialmente e com jeitinho junto à Advocacia-Geral da União (AGU) a fim de agilizar o despacho do agravo regimental interposto pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) na última sexta junto ao STF, o que, também na melhor das hipóteses, somente impediria a União de negar sua autorização à contratação do referido financiamento, mas jamais a obrigaria a concedê-la ou negá-la em determinado prazo.
La Vieja sugere que ZH no mínimo compreenda determinadas informações antes de publicá-las. Ou, o que seria ainda mais grave, que nossa governadora ao menos conheça as competências do STF.
Sobre "situações especiais", ainda
Não é somente a Zero Hora que sofisma neste processo de construção de subjetividades em torno da autorização, ou não, pela Secretaria do Tesouro Nacional, do empréstimo acertado pelo novo jeito de governar com o Banco Mundial (Bird).
Vejamos o que diz sobre esse assunto o próprio sítio desse governo:
"O agravo regimental encaminhado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), sexta-feira (25), solicitando reconsideração da negativa de liminar para superar entraves impostos pela Secretaria do Tesouro Nacional ao financiamento de US$ 1 bilhão do Banco Mundial (Bird) ao RS poderá receber manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU) dentro de 72 horas" (Os grifos são meus).
Na última sexta, portanto, não satisfeita com o esdrúxulo pedido de liminar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a fim de impedir a União de negar sua autorização à contratação do referido financiamento, pedido negado ainda no começo deste mês, o novo jeito de procurar de Yeda Crusius encaminhou agravo regimental a essa mesma corte solicitando a reconsideração de tal negativa.
Foi em função de tal agravo, portanto, que Yeda Crusius esteve ontem em Brasília, em audiência com o presidente do STF, Gilmar Mendes. A governadora tenta, cordialmente e com jeitinho, encontrar um atalho, pelo alto, para sua demanda.
Atentem, porém, para a subjetividade que tenta construir o novo jeito de sofismar: a liminar impetrada no começo deste mês pelos advogados do estado objetivava "superar entraves impostos pela Secretaria do Tesouro Nacional ao financiamento" do Banco Mundial ao RS.
Ora, ocorre que a referida secretaria não impõe, ou impôs, nenhum "entrave" ao empréstimo. Ela analisa a situação financeira do referido ente federado e, em função do cumprimento ou não de determinados pré-requisitos, concede ou não sua autorização à contratação do financiamento, e isso porque é a União seu avalista. Se o estado que contratá-lo não conseguir honrá-lo em função de dificuldades financeiras futuras, sobra para a União. Sobra, por extensão, para o contribuinte do Pará, que a rigor nada tem a ver com os problemas financeiros do RS.
Daí, portanto, todo o cuidado com essa autorização. A União seria extremamente irresponsável se, sabendo antecipadamente que um seu ente não teria condições futuras de honrar um compromisso financeiro internacional, concedesse sua autorização para essa contratação, e seria ainda mais irresponsável se tomasse tal atitude só porque o chefe do Poder Executivo desse estado achasse que seu estado vivesse uma "situação especial".
Simples assim.
Vejamos o que diz sobre esse assunto o próprio sítio desse governo:
"O agravo regimental encaminhado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), sexta-feira (25), solicitando reconsideração da negativa de liminar para superar entraves impostos pela Secretaria do Tesouro Nacional ao financiamento de US$ 1 bilhão do Banco Mundial (Bird) ao RS poderá receber manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU) dentro de 72 horas" (Os grifos são meus).
Na última sexta, portanto, não satisfeita com o esdrúxulo pedido de liminar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a fim de impedir a União de negar sua autorização à contratação do referido financiamento, pedido negado ainda no começo deste mês, o novo jeito de procurar de Yeda Crusius encaminhou agravo regimental a essa mesma corte solicitando a reconsideração de tal negativa.
Foi em função de tal agravo, portanto, que Yeda Crusius esteve ontem em Brasília, em audiência com o presidente do STF, Gilmar Mendes. A governadora tenta, cordialmente e com jeitinho, encontrar um atalho, pelo alto, para sua demanda.
Atentem, porém, para a subjetividade que tenta construir o novo jeito de sofismar: a liminar impetrada no começo deste mês pelos advogados do estado objetivava "superar entraves impostos pela Secretaria do Tesouro Nacional ao financiamento" do Banco Mundial ao RS.
Ora, ocorre que a referida secretaria não impõe, ou impôs, nenhum "entrave" ao empréstimo. Ela analisa a situação financeira do referido ente federado e, em função do cumprimento ou não de determinados pré-requisitos, concede ou não sua autorização à contratação do financiamento, e isso porque é a União seu avalista. Se o estado que contratá-lo não conseguir honrá-lo em função de dificuldades financeiras futuras, sobra para a União. Sobra, por extensão, para o contribuinte do Pará, que a rigor nada tem a ver com os problemas financeiros do RS.
Daí, portanto, todo o cuidado com essa autorização. A União seria extremamente irresponsável se, sabendo antecipadamente que um seu ente não teria condições futuras de honrar um compromisso financeiro internacional, concedesse sua autorização para essa contratação, e seria ainda mais irresponsável se tomasse tal atitude só porque o chefe do Poder Executivo desse estado achasse que seu estado vivesse uma "situação especial".
Simples assim.
Sobre "situações especiais"

Na cruzada em defesa do governo Yeda Crusius (PSDB), Zero Hora consegue ser mais realista do que o rei.
"Yeda reclama de falta de sensibilidade de Brasília", afirma o jornaleco da Azenha.
Na verdade, o que Yeda disse foi que teme que Brasília não se sensibilize com a situação financeira do estado: "Temo apenas que não se sensibilizem", teria dito a Rainha das Pantalhas.
Noves fora o capachismo de ZH, que parece ter assumido definitivamente o papel de mero reprodutor de releases oficiais do novo jeito de governar, a afirmação da governadora se refere à possibilidade da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda não autorizar a concessão do empréstimo de US$ 1 bilhão acertado por seu governo com o Banco Mundial (Bird), o que depende do cumprimento ou não, pelo estado, de determinadas pré-condições, entre elas o respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, e da observância de "aspectos legais e técnico-financeiros da operação bancária internacional".
Pois bem, vejam os senhores como são as coisas para o novo jeito de governar. Caso algum de nós entre no limite do cheque especial e, em função disso, tenha barrado por seu banco um pedido de financiamento para adquirir, por exemplo, uma mansão em Porto Alegre, já sabe que pode apelar ou (i) ao judiciário, para que interfira indevidamente em operações de crédito no mercado e, desse modo, através de uma liminar, impeça a instituição financeira em questão de barrar o referido empréstimo, ou (ii) à sensibilidade dos responsáveis pela avalização do referido financiamento, que deveriam levar em consideração nossa "situação especial" para liberá-lo ou não, muito embora ela tenha pouco ou nenhum significado para a referida instituição quando nosso orçamento estourar definitivamente e o prejuízo ficar todo com ela.
Novo jeito de atropelar

Cristóvão Feil está coberto de razão.
E a direita brasileira é engraçada pacas, mesmo.
"A governadora tucana Yeda Crusius foi ontem ao presidente do Supremo, seu companheiro de ideal partidário, Gilmar Mendes, como forma de atalho para conseguir o empréstimo de um bilhão de dólares".
Cogitar a possibilidade de se modificar a Constituição Federal a fim de possibilitar que o presidente Lula concorra a um terceiro mandato é golpismo - muito embora aqueles que condenem tal cogitação tenham sido os mesmos que, em 1997, a modificaram a preços módicos a fim de possibilitar que Fernando Henrique Cardoso concorresse a um segundo mandato -, mas buscar um corta-caminho junto ao Poder Judiciário a fim de atropelar as atribuições constitucionais do Poder Executivo, não.
Trata-se, como afirma o Diário Gauche, da solução pelo alto. La Vieja acredita que há até resquícios de uma certa cordilidade nesse gesto de Yeda Crusius, que, ainda segundo Cristóvão Feil, "não consegue compreender que vivemos em um Estado republicano, onde prevalece a repartição funcional dos poderes e que existem prerrogativas e responsabilidades que não podem ser desconstituídas com uma simples liminar preventiva concedida pelo Judiciário. Este, se o fizer, estará golpeando a Constituição".
La Vieja repete, aqui, o comentário que ontem fez à sugestão enviesada da depuradora de melífluos sabores: "O STF não tem nenhuma competência para, através de liminares, garantir que o governo federal não possa rejeitar autorizações de concessão ou não de empréstimos, até porque tal atribuição é da esfera exclusiva da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda. Há o risco do referido empréstimo não ser liberado porque é uma prerrogativa técnica de tais instituições, e não do governo Lula, rejeitar a autorização para sua concessão quando determinadas pré-condições não são cumpridas, entre elas a obediência ao 'percentual de gastos com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal'".
Antes da tentativa de resolução de conflitos pela cordialidade e pelo alto, conviria que a governadora lembrasse que, de acordo com os Princípios Fundamentais de nossa Constituição, os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário são independentes e harmônicos entre si. Ou seja, possuem algumas competências exclusivas e indelegáveis e, sobretudo, não interferem indevidamente em tais atribuições exatamente a fim de manter tal harmonia.
Um pouco de hermenêutica jurídica não faria mal ao novo jeito de atropelar a Constituição Federal.
(A charge é de Eugênio Neves)
O que Martini sabe?

Segundo o RS Urgente, a governadora Yeda Crusius (PSDB) entregou a cabeça de Ariosto Culau, secretário de estado flagrado tomando chope com o lobista Lair Ferst - que, segundo o delegado Luiz Fernando Tubino, ajudou a governadora a comprar sua mansão com dinheiro oriundo de sobras de campanha -, mas exigiu em troca a manutenção da blindagem ao secretário de governo, Delson Martini, na CPI do Detran.
O resultado desse acordo, continua Marco Weissheimer, "apareceu na sessão de hoje (ontem) da CPI, quando o pedido para a convocação de Martini foi derrotado por 8 votos a 4".
A pergunta que cabe, portanto, é a seguinte:
O que de tão valioso pode haver no depoimento de Martini, que a cabeça de um secretário de estado é por seu silêncio negociada?
Não se poderia dizer que, com tal manobra, Yeda Crusius pretenda preservar o núcleo de seu governo, já que seria uma contradição exonerar um de seus mais qualificados e ilibados integrantes - e convém observar, em reforço a essa tese, que Yeda Crusius, até domingo, não via a menor necessidade de exonerá-lo - para se atingir tal fim, muito embora o mesmo estivesse em maus lençóis. E o fato dele estar em maus lençóis, por si só, também não justificaria a entrega de sua cabeça à oposição, pois nada impediria a CPI de convocá-lo para depor, a despeito da exoneração.
Mais parece, portanto, que a governadora teme o depoimento de alguém que lhe é tão próximo.
Todos precisamos saber o que Martini sabe.
(A charge é de Eugênio Neves)
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Sobre musicais

Segundo sugere enviesadamente hoje em seu blog a depuradora de melífluos sabores, há o risco do "empréstimo de R$ 1 bilhão concedido pelo Banco Mundial ao RS" não ser liberado porque o Supremo Tribunal Federal (STF) "não concedeu a liminar pleiteada pelo governo do Estado para que o governo Federal não possa rejeitar a autorização alegando que não está sendo cumprido o percentual de gastos com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal".
Errado. O STF não tem nenhuma competência para, através de liminares, garantir que o governo federal não possa rejeitar autorizações de concessão ou não de empréstimos, até porque tal atribuição é da esfera exclusiva da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda. Há o risco do referido empréstimo não ser liberado porque é uma prerrogativa técnica de tais instituições, e não do governo Lula, rejeitar a autorização para sua concessão quando determinadas pré-condições não são cumpridas, entre elas a obediência ao "percentual de gastos com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal".
"Qual o sentido da contratação de empréstimos por entes federados necessitar da aprovação federal", perguntava La Vieja ainda quando o STF barrou o peculiar pedido de liminar do novo jeito de governar?
"Exatamente impedir que, em função do descumprimento da legislação, e mais exatamente ainda em função de dificuldades financeiras, um daqueles entes contrate um empréstimo, com um financiador estrangeiro, que não possa ser honrado, o que implicaria intervenção federal e a responsabilização, pelos mecanismos jurídicos internacionais, do Estado ao qual tal ente pertence. Ou seja, se um estado está quebrado, não é um bom negócio ser seu fiador. Nada além disso. A precaução da Secretaria do tesouro Nacional, portanto, é absolutamente legítima e justa".
Ou seja, se o referido empréstimo não for liberado, não terá sido porque o STF não concedeu liminar impedindo o governo federal de rejeitar sua autorização, mas sim porque as pré-condições a sua liberação, exigidas pela Secretaria do Tesouro Nacional, não foram cumpridas pelo governo do estado.
A abelha-rainha do jornalismo político farrapo, entretanto, prefere continuar lutando contra os fatos do mundo a fim de socorrer sua companheira de Broadway.
Casa de ferreiro, espeto de pau
Lê-se na coluna impressa de hoje da depuradora de melífluos sabores, referindo-se ao retrato do encontro entre os amigos Ariosto Culau e Lair Ferst, publicado pela Zero Hora:

Tal máxima costuma ser levada a sério pelo jornalismo praticado lá para os lados da Azenha, como mostra a foto abaixo:

Ela foi utilizada pela Zero Hora, em julho do ano passado, para ilustrar uma matéria sobre corrupção que tratava da suspeita de um escândalo de compra de votos protagonizado por Cássio Cunha Lima, governador da Paraíba.
O detalhe é que é o presidente Lula que está em primeiro plano. O protagonista do escândalo, o homem acusado de corrupção e que deu motivo à matéria de ZH, no retrato, está em algum lugar à direita do presidente Lula. E não só literalmente, já que Cunha Lima é tucano.
Mas isso, claro, é só um detalhe, pois contra certas fotos não há argumentos, como costuma dizer a abelha-mestra do jornalismo político farrapo.
"Hipocrisia na Mídia - Isto Tem que ter Fim!"

Tal máxima costuma ser levada a sério pelo jornalismo praticado lá para os lados da Azenha, como mostra a foto abaixo:

Ela foi utilizada pela Zero Hora, em julho do ano passado, para ilustrar uma matéria sobre corrupção que tratava da suspeita de um escândalo de compra de votos protagonizado por Cássio Cunha Lima, governador da Paraíba.
O detalhe é que é o presidente Lula que está em primeiro plano. O protagonista do escândalo, o homem acusado de corrupção e que deu motivo à matéria de ZH, no retrato, está em algum lugar à direita do presidente Lula. E não só literalmente, já que Cunha Lima é tucano.
Mas isso, claro, é só um detalhe, pois contra certas fotos não há argumentos, como costuma dizer a abelha-mestra do jornalismo político farrapo.
"Hipocrisia na Mídia - Isto Tem que ter Fim!"
Manchete equivocada

Desde a revelação, feita pela Zero Hora ainda na quinta passada, 24, de que o ex-secretário de Planejamento e Gestão do novo jeito de moralizar, Ariosto Culau, havia se encontrado em um centro de compras da capital com Lair Ferst, indiciado pela Polícia Federal por suspeita de participação no esquema que fraudou o Detran gaúcho em mais de R$40 milhões - isso logo após anunciar, ao lado da governadora Yeda Crusius, o rompimento do contrato dessa autarquia com a Fundae, fundação que substituiu a Fatec supostamente como "forma de tirar as empresas ligadas à família de Ferst do suposto esquema" -, todos os ataques políticos articulados e dignos de menção contra a permanência de Culau no referido cargo, bem como todos os pedidos de satisfação pública pelo referido encontro feitos ao novo jeito de governar, foram protagonizados pela oposição ao governo Yeda na Assembléia Legislativa e pela mídia alternativa gaúcha. Todos, sem exceção.
Politicamente, ZH se pautou pela tradicional depuração de melífluos sabores e pelas perfumarias, rotina somente quebrada pelas velhas e boas barrigas, e tudo isso tanto a fim de ignorar a gravidade da situação quanto a fim de evitar maiores repercussões em torno das bombásticas denúncias de Luiz Fernando Tubino, que em depoimento à CPI do Detran, logo após o encontro de Culau e Ferst, afirmou que o lobista pagou parte da mansão recentemente adquirida pela governadora Yeda Crusius com um cheque de R$ 400 mil, supostamente oriundos de sobras da campanha eleitoral tucana para o governo do estado, em 2006.
No entanto, foi a "pressão de aliados" que levou o "secretário a pedir demissão".
É indiscutível, nesse processo, o papel da foto dos amigos Culau e Ferst publicada por ZH, mas La Vieja gostaria de entender por qual motivo Zero Hora se debate contra o fato de que a pressão feita pelos aliados do novo jeito de governar sobre Yeda Crusius só existiu em função da pressão sobre eles feita tanto pela oposição quanto pela opinião pública.
O raciocínio é tão simples que até um encarregado pelas manchetes de ZH pode entender: se não houvesse a pressão da opinião pública e da oposição via CPI do Detran - que inclusive já sofreu, logo ao nascer, uma tentativa de desqualificação e esvaziamento protagonizada pela abelha-mestra do jornalismo político farrapo, que chamou alguns de seus membros de "despreparados" -, nenhum dos aliados de Yeda Crusius teria pedido a demissão de Ariosto Culau ou feito qualquer espécie de pressão sobre seu governo.
A César o que é de César, portanto. Os aliados do novo jeito de governar só pediram a cabeça do amigo de Lair Ferst porque estão cansados de dores de cabeça na CPI do Detran, enquanto a oposição e a opinião pública querem toda a verdade que ainda se esconde por detrás do referido encontro, ainda cercado de mistérios e sem uma versão definitiva.
Lutando contra a barriga
Direto do blog da depuradora de melífluos sabores:

"Depois de conversar com interlocutores do Palácio Piratini, o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), negou neste domingo que tenha dito que o caso envolvendo o ex-secretário Ariosto Culau prejudicava a imagem do PSDB, ainda mais em ano de campanha eleitoral. A informação havia sido publicada no domingo pela Página 10, de Zero Hora, com base em informações de um dirigente nacional tucano que teria participado do diálogo com Aníbal" (Os grifos são meus).
Agora, depois de fingirmos acreditar na parte do "com base em informações de um dirigente nacional tucano que teria participado do diálogo com Aníbal", vejamos com nossos próprios olhos a barriga de ontem, na verdade cometida ainda no sábado, dia em que ZH publica sua edição de domingo:

Será que essa é a tão falada barriga de chopp?

"Depois de conversar com interlocutores do Palácio Piratini, o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), negou neste domingo que tenha dito que o caso envolvendo o ex-secretário Ariosto Culau prejudicava a imagem do PSDB, ainda mais em ano de campanha eleitoral. A informação havia sido publicada no domingo pela Página 10, de Zero Hora, com base em informações de um dirigente nacional tucano que teria participado do diálogo com Aníbal" (Os grifos são meus).
Agora, depois de fingirmos acreditar na parte do "com base em informações de um dirigente nacional tucano que teria participado do diálogo com Aníbal", vejamos com nossos próprios olhos a barriga de ontem, na verdade cometida ainda no sábado, dia em que ZH publica sua edição de domingo:

Será que essa é a tão falada barriga de chopp?
Lição de casa

Os próprios pais são os responsáveis pela maioria das agressões contra crianças e adolescentes denunciadas aos Conselhos Tutelares.
Segundo informa a Agência Brasil, "A constatação pode ser vista na página da internet que mantém atualizadas as denúncias dos Conselhos Tutelares de todo o país, enviadas ao Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia)".
Vinculado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos, o SIPIA é um sistema nacional de registro e tratamento de informações sobre a promoção e a defesa dos direitos fundamentais preconizados no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei n° 8.069/90).
(A charge é do Kayser)
domingo, 27 de abril de 2008
Ressaca

Ariosto Culau, secretário de Planejamento e Gestão do novo jeito de governar, flagrado na última quinta, 24, em um centro de compras da capital com o lobista Lair Ferst, por sua vez indiciado pela Polícia Federal por suspeita de participação no esquema que desviou mais de R$ 40 milhões dos cofres público gaúchos através do Detran, pediu hoje à noite sua exoneração, aceita há pouco pela governadora Yeda Crusius (PSDB).
Ariosto Culau, que apresentou mais de uma versão para um encontro ainda cercado de mistério, porém, ainda deve satisfações públicas. O governo é de Yeda Crusius, de seu PSDB e de seus aliados, mas o estado é de todos.
- Por qual motivo um secretário de estado, homem de confiança da governadora Yeda Crusius, logo após anunciar, ao lado dessa mesma governadora, medidas de melhoria e de moralização da gestão do Detran, se encontrou justamente com Lair Ferst, um dos acusados pela PF de integrar a quadrilha que atuava na referida autarquia?
- Por qual motivo esse encontro ocorreu no dia do depoimento de Luiz Fernando Tubino à CPI do Detran, que poucas horas depois iria afirmar que esse mesmo Lair Ferst pagou parte da mansão recentemente adquirida pela governadora Yeda Crusius com um cheque de R$ 400 mil, supostamente oriundos de sobras da campanha eleitoral tucana para o governo do estado, em 2006?
Ariosto Culau precisa esclarecer as questões acima, ainda obscuras. Como transitou entre versões desde o flagrante do encontro - primeiro, afirmou ter encontrado com Ferst por acaso; depois, disse ter combinado o encontro por telefone, porém sem esclarecer quem ligou para quem e se seu amigo já estava ou não do centro de compras -, não tem credibilidade alguma para sair do governo sem uma explicação pública convincente. Suas desculpas podem ter satisfeito à governanta, mas seu verdadeiro patrão ainda espera esclarecimentos.
Logo, cabe agora à governadora Yeda Crusius, que aceitou seu pedido de exoneração - e que, portanto, aparentemente concordou com os argumentos nele apresentados -, fornecer tal explicação. Responsabilidades precisam ser assumidas.
O novo jeito de governar não pode acreditar que a solução para todos seus problemas é simplesmente tirar o Culau da reta.
(A charge é de Eugênio Neves)
"Ai, que frescura!"

La Vieja é muito fina. Quase uma socialite, para ser mais exato. Embora lhe falte ainda uma casa em Gramado, já que ao menos já estão garantidos seu apartamento no Moinhos de Vento e, ainda que falte glamour a nosso litoral, sua residência de verão em Atlântida - a santíssima trindade da nata social farrapa -, La Vieja sabe que tem estilo para ser celebridade. Sabe que nasceu para a coisa.
Porém, não pensem que ela é somente mais um desses rostinhos bonitos, que circulam chiquérrimos e com desenvoltura pelo jet-set guasca.
Antes de prejulgamentos, saibam que La Vieja debutou, catalogou e foi glamour girl.
Sua militância social, no entanto, não se esgota em convescotes sociais junto a integrantes da Liga Feminina de Combate ao Câncer.
La Vieja, por exemplo, participou ativamente do movimento Cansei e tem como modelo de ativismo social aquele praticado pela socialite carioca Narcisa Tamborindeguy. Admira, sobretudo, suas opiniões firmes e politizadas sobre a publicidade brasileira:
"Eu odeio propaganda das Casas Bahia, com aquela gritaria, e também não suporto aqueles horários que alguns canais têm para vender jóias que muitas vezes são uns cacarecos. Acho aquilo tudo muito brega, um horror. Também não gosto de propaganda de cerveja que passa aquela mensagem do tipo, 'beba cerveja e coma uma mulher'. A mais absurda que vi na vida foi aquela do 'Meu nome é Enéas', daquele careca horroroso. E ele foi eleito com milhões de votos, parece que é dos carecas que elas gostam mais mesmo (risos). Mas a propaganda no Brasil é ótima, para ficar melhor, só falta me chamarem para estrelar um filme".
La Vieja, aliás, não vê a hora desse épico ser produzido, ainda mais sabedora que ele teria o seguinte roteiro:
"Eu queria entrar num helicóptero e lá no alto abrir a porta, gritar 'Ai, que loucura!' e mergulhar no mar".
Narcisa, na verdade, foi modesta nessa entrevista, pois já é famosa no mundo do cinema. Sua participação em "Ovos em Copacabana", por exemplo, é inesquecível.
Voltando ao mundo das celebridades guascas, La Vieja gostaria de deixar claro que não perde uma coluna dominical da Célia Ribeiro, muito embora seu maior sonho seja sair na coluna RS Vip. Seria o ó do borogodó se, nesse dia, pudesse ser fotografada ao lado da socialite política Rosane de Oliveira vestindo a camiseta da campanha "Violência no Trânsito - Isto Tem que Ter Fim". Que nem o Tarso Genro.
Lendo Célia Ribeiro, aliás, La Vieja tem aprendido muito sobre as preocupações existenciais dos leitores de Zero Hora. Nunca ela havia parado para pensar, por exemplo, sobre o tormentoso debate abaixo, publicado hoje na referida coluna, em tons de desabafo, por um dono-de-casa cansadinho:

Mas que absurrrrrdo, gente! Onde estão as boas maneiras? Onde já se viu colocar as compras na esteira ao mesmo tempo que outra pessoa? Como conviver com esses bárbaros? Precisamos urgentemente do movimento cívico Cansei das pessoas que colocam suas compras na mesma esteira!
Porém, isso não é tudo. O mais surpreendente do mundo da alta sociedade - que há a baixa, a média e a alta sociedade, que por sua vez é sempre aquela da qual não fazemos parte - é como todos dominam os mais variados assuntos, da menarca da caçula dos Seixas Vieira de Castro à psicologia forense, como podemos ver ainda na coluna de hoje de Célia Ribeiro:

Ai, que loucura!
Paciência
sábado, 26 de abril de 2008
Sobre escolhas e silêncios, ainda

E não é só sobre a denúncia de que o lobista Lair Ferst teria pago boa parte da mansão da governadora Yeda Crusius (PSDB) com sobras de recursos da campanha eleitoral tucana de 2006, feita pelo delegado Luiz Fernando Tubino à CPI do Detran, que pairam os desairosos silêncios do Grupo RBS.
Ainda nesse mesmo depoimento, Tubino teria afirmado que o deputado federal progressista José Otávio Germano teria usado a referida autarquia para fins eleitorais naquela mesma campanha.
Segundo informa o PTSul, "Tubino escancarou relações político-partidárias e favorecimentos no interior da autarquia e confirmou que desvendou o esquema de desvio de recursos públicos nas viagens que fez ao interior durante a campanha eleitoral de 2006, quando concorreu a deputado estadual pelo PPS".
Em tais viagens, "ao visitar pessoas ligadas aos Centros de Formação de Condutores, depósitos de veículos e delegacias para pedir apoio", Tubino teria constatado o que chamou de comprometimento com a campanha do então secretário de Segurança Pública, José Otávio Germano. Para o delegado, tal comprometimento indicaria que "A pasta estava sendo usada para fins eleitorais. Eram favorecimentos de toda a ordem". "Nunca vi uma campanha tão grandiosa quanto a dele", teria dito ainda o ex-chefe da Polícia Civil.
Ainda segundo Luiz Fernando Tubino, o próprio José Otávio Germano, ou Ronaldo Napoleão, seu chefe de gabinete, "rastreavam as faturas encaminhadas pela Fatec ao Detran e cobravam dos servidores pressa no pagamento". "Eles monitoravam a trajetória das notas da entrada até a saída do dinheiro", teria afirmado.
O ex-secretário da Segurança, Ênio Bacci (PDT), teria sofrido pressões para nomear pessoas ligadas ao seu antecessor, José Otávio Germano (PP). A transferência do Detran para a secretaria da Administração, uma das medidas anunciadas com estardalhaço pela equipe da governadora Yeda Crusius com um dos exemplos do novo jeito de governar, teria tido como único objetivo evitar a ingerência de Bacci na autarquia a fim de manter o grupo de José Otávio Germano no comando, conforme Tubino.
Para o delegado, não há dúvidas de que a governadora prevaricou "quando foi informada pelo pedetista das irregularidades em curso no órgão e não adotou nenhuma medida para coibi-las".
Mas, claro, como La Vieja não poderia esperar outra coisa de Rosane de Oliveira e da Zero Hora, além de responsabilidade pública e compromisso com a busca pela verdade, sabe que ambos estão aguardando pelos fatos concretos para tecerem maiores considerações sobre as denúncias de Tubino.
Assim como aguardam até hoje pelas provas das denúncias feitas em 2001 pela CPI da Segurança Pública, aberta durante o governo petista de Olívio Dutra (1999-2002) "para investigar a falta de políticas de segurança pública no Rio Grande do Sul", muito embora, à época, o hoje relevante argumento da inexistência de fatos concretos não tenha sido empecilho para a adesão incondicional do Grupo RBS à causa da então oposição, e todas as acusações tenham sido arquivadas pelo Ministério Público estadual por falta de provas.
Ou seja, o Grupo RBS não fazer qualquer comentário sobre as denúncias do delegado Luiz Fernando Tubino é uma simples questão de escolha a partir de afinidades político-ideológicas, as mesmas aquelas que motivaram sua escolha pela ampla divulgação das denúncias sem provas feitas pela CPI da Segurança Pública em 2001. Em determinadas circunstâncias, o melhor a se fazer é simplesmente silenciar.
Nos dedos

La Vieja publica, abaixo, para quem não tem estômago, ou paciência para passar os olhos pelo blog da abelha-mestra do jornalismo político farrapo, um pequeno balanço do que pensam alguns de seus leitores sobre sua desculpa esfarrapada de ontem, comentada abaixo por La Vieja, para não comentar as denúncias do delegado Luiz Fernando Tubino à CPI do Detran.
Segundo o delegado, o lobista Lair Ferst - indiciado pela Polícia Federal na Operação Rodin por desvio de dinheiro do Detran e flagrado em um centro de compras na quinta à noite com o secretário de Planejamento do novo jeito de moralizar esse mesmo Detran, Ariosto Culau - teria pago, com recursos oriundos de sobras de campanha tucanas, parte da mansão adquirida pela governadora Yeda Crusius por R$ 750 mil logo após o final das eleições de 2006.
Entre críticas e elogios à postura da colunista, vamos aos depoimentos selecionados por La Vieja:
Sílvia, de Porto Alegre:
"Que diferença de tratamento Rosane, quando ligadas ao PSDB/DEM/YEADA, não existem provas portanto evitas comentar. Pergunto, onde estavam as provas das inúmeras denuncias contra o LULA/PT? Naturalmente não as tinha mas mesmo assim elas fazem parte dos comentários em teu blog. É isso que a maioria dos bloqueiros cobra - isenção, imparcialidade, sem partidarismo político, embora a direção da RBS negue até o fim a defesa aberta que faz do governo Yeda, Serra e outros do PSDB/DEM/FHC. ou não?"
Teca, de Porto Alegre:
"Correto, o Tubino nao é fonte confiável, nunca foi. Mas agora lhe pergunto, pq o Tubino era fonte confiável na época da CPI da Segurança, tendo suas declaraçoes tbm sem provas, sendo propagadas pelo seu jornal, e hoje no atual governo suas declaraçoes perdem credibilidade de repente? No minimo, inusitada essa mudança de parametros. E me perdoe eu posso citar 20 casos de nao fatos publicados por voce, Rosane. Só nao nos tome por tolos. Nao subestime a inteligencia de seus leitores".
Luiz Augusto, de Porto Alegre:
"Gostaria que a jornalista apresentasse as provas que tem em relação a ser Dilma a podutora de um suposto Dossie contra FHC. Este assunto foi tema de cometários por diversas vezes neste blog. Como só se comenta o que se tem provas, então, faça um favor a todos nós e apresenta as provas concretas contra Dilma. Ficaremos agradecidos".
Carlos, de Santa Rosa:
"Rosane, com todo o respeito, que desculpa! Deverias comentar os itens referidos pelo Delegado, autoridade policial constituída, e fazer as devidas ressalvas. Na realidade, há grave omissão jornalística tua. Será pelo fato de ir a musical, no exterior, com a Governadora? E tua independência? Não ficou comprometida? Explica, por favor. Os leitores aguardam. Especialmente os que valorizam teu trabalho. Não são poucos".
Augusto, de Porto Alegre:
"Puxa. Que defesa do indefensável. Jornalista comenta fatos. A acusação da compra da casa pela governadora é um fato. Não por conta da jornalista, mas é um fato. E jornalistas comentam fatos. Por isto penso que deverias comentá-lo, para bem informar teus leitores. Não precisa fazer juízo de valor, este o leitor tem inteligência suficiente para fazer. Quem tem de se explicar é a goververnadora" (Todos os grifos acima são meus).
E viva o início do fim da ditadura de mão única, no debate público guasca, do colunismo político chapa-branca da mídia impressa oligárquica!
Sobre fatos e suspeitas, dependendo de quem é o suspeito
Depois de muita insistência de alguns de seus leitores, a abelha-rainha do jornalismo político farrapo, no apagar das luzes dessa sexta-feira, resolveu se manifestar sobre o depoimento do delegado Luiz Fernando Tubino à CPI do Detran.
Segundo Tubino, o lobista Lair Ferst teria pago, com sobras de campanha tucanas, parte da mansão adquirida pela governadora Yeda Crusius (PSDB) logo após as eleições de 2006. Esse mesmo Ferst, um dos acusados pela Polícia Federal de chefiar a quadrilha que atuava no Detran, foi flagrado por uma equipe da Zero Hora, na quinta à noite, com o secretário de Planejamento do novo jeito de governar, Ariosto Culau, em um centro de compras da capital, justamente quando esse celebrava a implementação de medidas de moralização da referida autarquia.
Vejamos, porém, o que diz a abelha-mestra sobre as denúncias de Tubino e sobre a insistência de seus leitores:

Não há o que comentar, segundo a depuradora de melífluos sabores, porque não existem fatos concretos. Tubino, ainda segundo Rosane de Oliveira, afirmou não ter provas das denúncias que fez.
Entretanto, o deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ) também não tem provas de que (i) as três notas fiscais - de R$ 240, R$ 280 e R$ 450 - discriminando gastos globais, durante 9 meses, com suprimentos para cafés-da-manhã servidos em coletivas de imprensa, teriam sido "um estratagema" da assessoria do então ministro das Cidades, Olívio Dutra (PT), "para ocultar o que foi realmente comprado", e nem de que (ii) qualquer produto tenha sido adquirido de forma irregular pela referida assessoria. Aliás, da Costa até agora não explicou o que quis dizer com a expressão "o que foi realmente comprado". O fato que há, já que a abelha-mestra afirma fazer comentários somente a partir de fatos concretos, são as especulações de da Costa: "Ninguém sabe se ele comprou vinho, cachaça e uísque", afirma o autor da denúncia. Da Costa, entretanto, não tem nenhuma prova de que a assessoria de Olívio Dutra tenha adquirido, em tais compras, outras coisas que não itens alimentares servidos durante as coletivas de imprensa.
Mas, estranhamente, embora se recuse a comentar denúncias feitas sem provas, só se manifestando a partir da existência de fatos concretos, Rosane de Oliveira recomendou a leitura da matéria de Zero Hora onde da Costa apresentou suas denúncias, sem provas:

Ora, gastos que causam polêmica não são exatamente fatos concretos, até onde La Vieja saiba. Ademais, como La Vieja anotou acima, da Costa não tem provas das denúncias que fez, a saber, de que a apresentação de notas fiscais com valores globais teria sido um estratagema para ocultar o que "realmente" teria sido comprado. Aliás, sequer da Costa sabe dizer o que supostamente se ocultaria por detrás desse "realmente".
Portanto, embora Rosane de Oliveira tenha se recusado a comentar, em seu blog, as denúncias de Tubino, sob o argumento de que o delegado não apresentou provas capazes de sustentá-las, não titubeou em recomendar a leitura da matéria de ZH sobre a polêmica dos R$ 970,00 gastos em 9 meses pela assessoria de Olívio Dutra enquanto ministro, muito embora da Costa também não tenha apresentado provas de que o ex-governador tenha agido de má-fé.
Como se vê, os fatos e as suspeitas, pelo menos para Rosane de Oliveira, dependem muito de quem são os suspeitos.
Segundo Tubino, o lobista Lair Ferst teria pago, com sobras de campanha tucanas, parte da mansão adquirida pela governadora Yeda Crusius (PSDB) logo após as eleições de 2006. Esse mesmo Ferst, um dos acusados pela Polícia Federal de chefiar a quadrilha que atuava no Detran, foi flagrado por uma equipe da Zero Hora, na quinta à noite, com o secretário de Planejamento do novo jeito de governar, Ariosto Culau, em um centro de compras da capital, justamente quando esse celebrava a implementação de medidas de moralização da referida autarquia.
Vejamos, porém, o que diz a abelha-mestra sobre as denúncias de Tubino e sobre a insistência de seus leitores:

Não há o que comentar, segundo a depuradora de melífluos sabores, porque não existem fatos concretos. Tubino, ainda segundo Rosane de Oliveira, afirmou não ter provas das denúncias que fez.
Entretanto, o deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ) também não tem provas de que (i) as três notas fiscais - de R$ 240, R$ 280 e R$ 450 - discriminando gastos globais, durante 9 meses, com suprimentos para cafés-da-manhã servidos em coletivas de imprensa, teriam sido "um estratagema" da assessoria do então ministro das Cidades, Olívio Dutra (PT), "para ocultar o que foi realmente comprado", e nem de que (ii) qualquer produto tenha sido adquirido de forma irregular pela referida assessoria. Aliás, da Costa até agora não explicou o que quis dizer com a expressão "o que foi realmente comprado". O fato que há, já que a abelha-mestra afirma fazer comentários somente a partir de fatos concretos, são as especulações de da Costa: "Ninguém sabe se ele comprou vinho, cachaça e uísque", afirma o autor da denúncia. Da Costa, entretanto, não tem nenhuma prova de que a assessoria de Olívio Dutra tenha adquirido, em tais compras, outras coisas que não itens alimentares servidos durante as coletivas de imprensa.
Mas, estranhamente, embora se recuse a comentar denúncias feitas sem provas, só se manifestando a partir da existência de fatos concretos, Rosane de Oliveira recomendou a leitura da matéria de Zero Hora onde da Costa apresentou suas denúncias, sem provas:

Ora, gastos que causam polêmica não são exatamente fatos concretos, até onde La Vieja saiba. Ademais, como La Vieja anotou acima, da Costa não tem provas das denúncias que fez, a saber, de que a apresentação de notas fiscais com valores globais teria sido um estratagema para ocultar o que "realmente" teria sido comprado. Aliás, sequer da Costa sabe dizer o que supostamente se ocultaria por detrás desse "realmente".
Portanto, embora Rosane de Oliveira tenha se recusado a comentar, em seu blog, as denúncias de Tubino, sob o argumento de que o delegado não apresentou provas capazes de sustentá-las, não titubeou em recomendar a leitura da matéria de ZH sobre a polêmica dos R$ 970,00 gastos em 9 meses pela assessoria de Olívio Dutra enquanto ministro, muito embora da Costa também não tenha apresentado provas de que o ex-governador tenha agido de má-fé.
Como se vê, os fatos e as suspeitas, pelo menos para Rosane de Oliveira, dependem muito de quem são os suspeitos.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Sobre amizades

La Vieja, sinceramente, já não sabe mais se assessores mui próximos de nossa governadora são pessoas sãs, com laivos de destrambelhamento, ou pessoas destrambelhadas, com nesgas de sanidade.
Yeda Crusius (PSDB), há instantes, afastou a possibilidade de demitir seu secretário do Planejamento, Ariosto Culau, flagrado ontem, por uma equipe de Zero Hora, tomando um chopinho e comendo um peixinho em um centro de compras da capital com o lobista Lair Ferst, recentemente indiciado pela Polícia Federal na Operação Rodin, que investigou o desvio de mais de R$ 40 milhões dos cofres públicos gaúchos, e acusado nessa madrugada, pelo delegado Luiz Fernando Tubino, de ter pago, com sobras de campanha, parte (R$ 400 mil) da mansão adquirida pela governadora logo após as eleições de 2006.
Está correta a governadora. Não há mal nenhum em amigos correligionários e companheiros de campanha eleitoral se encontrarem para trocar impressões, principalmente depois de um exaustivo dia de trabalho que culminou com o anúncio de medidas para sanear o Detran. Como se sabe, Yeda e Culau anunciaram juntos tais medidas em função do fato desse seu secretário ter sido o responsável pela força-tarefa montada para "estudar melhorias na gestão" da referida autarquia. Que mal poderia haver, portanto, em o responsável por tal estudo se encontrar, logo após o anúncio de tais medidas, "com um dos acusados de chefiar a quadrilha que atuava no órgão"?
Só uma pessoa leviana e estulta cogitaria a hipótese do referido secretário ter se encontrado com o lobista a fim de transmitir, e receber, informações privilegiadas acerca do escândalo na referida autarquia, principalmente levando-se em consideração o fato de que, algumas horas depois, deporia na CPI do Detran o delegado Luiz Fernando Tubino, que já havia dado indícios de que faria revelações bombásticas sobre o suposto rumo dados às supostas sobras de campanha tucanas em 2006, revelações essas que, como o andamento da noite comprovou, envolviam o nome do próprio Lair Ferst e de Yeda Crusius.
Yeda Cruisus, para quem não sabe, é a governadora de nosso estado, aquela com quem se encontrara antes Ariosto Culau, logo depois flagrado com Lair Ferst, que vem a ser o sujeito acusado de ter pago parte da mansão de nossa referida governadora supostamente com sobras da campanha tucana de 2006. R$ 400 mil, aproximadamente, teria sido a parte paga por Ferst, conforme o depoimento do delegado Luiz Fernando Tubino. A mansão, ainda segundo o delegado, havia sido oferecida no mercado por R$ 1,5 milhão.
E por falar em arrecadação de recursos para campanhas eleitorais, foi para a campanha tucana que as papeleiras Aracruz Celulose, Stora Enso e Votorantim Celulose e Papel contribuíram com aproximadamente R$ 500 mil, só a título de curiosidade.
Tudo isso, portanto, não surpreende La Vieja. O que a deixa atônita, na verdade, são as justificativas de seus assessores.
Ariosto Culau, ao ser flagrado com Lair Ferst tomando um chopinho e comendo um peixinho, teria dito, em um primeiro momento, que o encontro fora casual.
Há pouco, no entanto, mudou de opinião sobre o fato: teria marcado o encontro com o lobista por telefone, já no centro de compras.
Bem, ainda assim uma pergunta precisa ser feita: por que, depois de anunciar medidas supostamente moralizadoras do Detran e sair para celebrá-las, segundo a própria governadora, um secretário do novo jeito de moralizar, que jura de pés juntos nada ter a ver com o escândalo, mantém conversações telefônicas justamente para um dos acusados de chefiar a quadrilha que atuava no órgão?
E, além desse ingênuo e descuidado telefonema, também não é muita coincidência o fato do lobista estar exatamente no mesmo centro de compras em que estava Culau, quando supostamente ocorreu a referida ligação? Sim, pois Culau reviu sua antiga versão de que havia se encontrado por acaso com Ferst, mas se esqueceu de emendar a outra parte da soneto: afinal, quando conversou por telefone com o lobista e ex-coordenador da campanha tucana, esse já estava no centro de compras ou estava em outro local, posteriormente se dirigindo ao encontro do amigo?
Se Lair Ferst já estava no centro de compras, só nos cabe a alternativa que aponta para uma mera coincidência. Do contrário, nada nos resta senão o fato de que um secretário do novo jeito de moralizar marcou um encontro, supostamente por telefone, com um dos acusados de chefiar a quadrilha que saqueou os cofres do Detran logo depois de anunciar medidas moralizadoras dessa mesma autarquia.
É isso o que La Vieja chama de amigo.
(No retrato, retirado do RS Urgente, os amigos Ariosto Culau e Lair Ferst)
Sobre desproporções

Rosane de Oliveira, a abelha-mestra do jornalismo político farrapo, dias atrás mostrava-se preocupadíssima em esclarecer o suposto mistério em torno da compra da casa da governadora Yeda Crusius (PSDB), logo após o final da campanha eleitoral de 2006.
Ofereceu-lhe espaço para esclarecimentos em seu blog e em sua coluna de jornal. Provavelmente, nunca um governador gaúcho teve tanto espaço na mídia para explicar determinadas suas ações.
Toda essa dedicação a tal assunto, portanto, indica que o mesmo deve ocupar lugar de destaque nas preocupações diárias da abelha-rainha. La Vieja só ofereceria espaço à governadora, a fim de esclarecer tal assunto, se em função dele não dormisse. Ou dormisse muito mal.
Estranhamente, no entanto, não há hoje sequer uma linha em sua coluna na Zero Hora, e até agora nem em seu blog, sobre as declarações dadas hoje, à CPI do Detran, pelo delegado Luiz Fernando Tubino, que afirmou existirem "informações da Operação Rodin dando conta que o lobista tucano Lair Ferst (um dos principais acusados de pertencer à quadrilha) pagou R$ 400 mil da casa comprada pela governadora Yeda Crusius (PSDB) no final de 2006, logo após o segundo turno da campanha eleitoral".
Por que esclarecer esse assunto aparentemente não mais preocupa Rosane de Oliveira? O depoimento de Tubino não é relevante para o esforço de esclarecê-lo?
Em compensação, hoje em seu blog a depuradora de melífluos sabores alimenta o factóide criado pelo deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ) em torno do uso dos cartões corporativos pelo então ministro das Cidades, Olívio Dutra (PT). Segundo da Costa, Olívio teria agido com má-fé ao supostamente propositadamente ocultar seus gastos em uma padaria de Brasília, e isso em função das notas fiscais apresentadas não discriminarem as compras, mas somente valores globais: "Pelo raciocínio do parlamentar", afirma ZH e endossa Rosane de Oliveira, "o ministério valeu-se de um estratagema para ocultar o que foi realmente comprado: nas notas fiscais em poder da CPI aparece apenas o valor global, discriminado como 'gastos com alimentação'. As notas fazem referência a cupons fiscais, desconhecidos pela CPI e pelos órgãos de controle. Esses cupons trariam a descrição dos itens adquiridos".
O valor global em questão? R$ 970,00.
Não que utilizar indevidamente pequenas quantias seja algo tolerável e moralmente desculpável, o que nem de longe o é, mas sim que o valor se refere a 9 meses de compras na referida padaria, pagos em 03 parcelas. Donde, as 3 notas fiscais com valores globais referidas por da Costa, uma de R$ 240, outra de R$ 280 e uma de R$ 450, entre outubro de 2004 e junho de 2005. R$ 107,00 por mês, para sermos mais específicos.
"(...) estratagema para ocultar o que foi realmente comprado" com R$ 970,00 em 9 meses? Mas onde é que nós estamos? Olívio Dutra não podia servir o melhor presunto da padaria por ser um bagual de São Luiz Gonzaga, mas Yeda Crusius pode viajar aos EUA, fingindo estar a trabalho pelos interesses do estado, sem que isso preocupe o Grupo RBS, que inclusive desloca comitivas a fim de acompanhar seus passeios in loco?
Segundo nota do PT gaúcho, assessores de gabinete do ministério das Cidades teriam adquirido, nessas compras, pães e outros alimentos para promover coletivas de imprensa com café da manhã, em Brasília.
Ninguém lanchava ou tomava chopinho com lobista, portanto.
A nota de R$ 450,00 teria chamado muito a atenção de da Costa, que não sabe o que assessores de Olívio Dutra poderiam ter comprado com tanto dinheiro. "Vinho, cachaça ou uísque?", debate-se da Costa, ajudado por Klécio Santos, jornalista de ZH em Brasília, Rosane de Oliveira e a própria ZH.
O Grupo RBS dá um dedo por qualquer informação que macule a imagem de Olívio Dutra, provavelmente o mais honesto político da história republicana brasileira.
Enquanto isso, nenhuma palavra, nem em ZH, nem na coluna e nem no blog de Rosane de Oliveira sobre o depoimento de Tubino, que afirmou ter informações de que Lair Ferst teria pago R$ 400 mil, e não R$ 970,00, pela casa nova da Rainha.
A Rainha das Pantalhas está nua?
Em compensação, chama a atenção hoje no blog da abelha-rainha a excessiva e desproporcional atenção, em comparação com a ausência de qualquer referência ao depoimento de Tubino, dada ao encontro, flagrado ontem à noite por ZH, entre Ariosto Culau, secretário de Planejamento do novo jeito de governar, e o lobista Lair Ferst - aquele mesmo acusado por Tubino de ter dado R$ 400 mil para a compra da casa da governadora - em um centro de compras da capital.
Por qual motivo tal encontro chama tanto a atenção de Rosane de Oliveira a ponto de, até agora, já serem 5 postagens em seu blog sobre tal assunto? Tal encontro é material jornalístico mais explosivo do que as denúncias de Tubino?
De modo algum. É, na verdade, mera cortina de fumaça. Ao concentrar seu poder de fogo no encontro entre o pau-mandado da governadora e o lobista do PSDB, um fato menor comparado às declarações de Tubino, a abelha-mestra dá seqüência à estratégia de blindagem de Yeda Crusius, que é o que interessa ao Grupo RBS. Sacrifica-se o pau mandado e se preserva a Rainha das Pantalhas.
Mas não era isso que toda a imprensa brasileira, inclusive a Zero Hora, acusava o governo Lula de fazer durante os escândalos do mensalão e da suposta compra de um dossiê incriminando tucanos, por petistas, nas eleições presidenciais de 2006? ZH está usando, para preservar a governadora, a mesma estratégia que condenou quando o governo Lula estava na berlinda?
As declarações de Tubino são, de longe, o fato político mais importante do Rio Grande do Sul desde nossa recente redemocratização. Nunca um nosso governador, desde Jair Soares (PP, então PDS) até Germano Rigotto, o meigo (PMDB), havia sido envolvido em tão grave denúncia.
E nunca nossa imprensa teve tanta obrigação de esclarecer determinada denúncia como agora.
Porém, o que são R$ 400 mil, supostamente oriundos de sobras de campanha e supostamente utilizados por um lobista na compra da casa de um governador, em comparação com R$ 970,00, gastos em uma padaria por assessores de um ministro?
"Só no chopinho..."

"(...) O delegado de polícia Luiz Fernando Tubino afirmou, na CPI do Detran, que tem informações da Operação Rodin dando conta que o lobista tucano Lair Ferst (um dos principais acusados de pertencer à quadrilha) pagou R$ 400 mil da casa comprada pela governadora Yeda Crusius (PSDB) no final de 2006, logo após o segundo turno da campanha eleitoral. Segundo Tubino, a casa foi comprada do consultor Eduardo Laranja, dono da Self Engenharia, empresa que seria uma das maiores devedoras do Banrisul (...)".
Mais detalhes sobre o depoimento de Luiz Fernando Tubino, que também afirmou que "há duas torres gêmeas que precisam ser derrubadas na política gaúcha", o Detran e o Banrisul, podem ser conferidos no RS Urgente.
Parece que agora a governadora Yeda Crusius (PSDB) terá de processar mais pessoas além do deputado estadual Fabiano Pereira (PT), presidente da CPI do Detran. Inclusive a própria Polícia Federal.
E maiores detalhes sobre "o encontro inusitado do secretário de Planejamento do governo Yeda, Ariosto Culau, com Lair Ferst, ontem à noite, no Shopping Total", logo após Yeda e Culau terem anunciado medidas para sanear o Detran, na Zero Hora e ainda no RS Urgente:
"'O governo está adotando todas as medidas para garantir a continuidades dos serviços', declarou o secretário que, horas depois, iria beber um choppinho com um dos acusados de chefiar a quadrilha que atuava no órgão".
É o novo jeito de governar só no chopinho...
Imaginem os senhores quando começar a festa...
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Sobre o novo jeito de enxergar

Ultimamente, através de sua porta-voz informal, a governadora Yeda Crusius (PSDB) tem batido em algumas mesmas teclas.
Primeiro, manifestou à abelha-mestra do jornalismo político farrapo sua preocupação com a possibilidade da oposição tentar levar a crise instaurada por conta das investigações da CPI do Detran para dentro do Palácio Piratini. Para tanto, segundo a abelha-rainha, nada seria mais conveniente do que a oposição tentar envolver, em toda essa crise, o nome de pessoas próximas à governadora. Ambas se referiam à possibilidade da CPI convocar Delson Martini, secretário-geral de Governo do novo jeito de governar, citado em gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal durante suas investigações.
Sobre todo esse esforço de relações públicas da depuradora de melífluos sabores La Vieja escreveu:
"Não é a oposição ao governo Yeda Crusius que tenta 'envolver pessoas próximas dela na crise', mas sim as investigações da Polícia Federal e o depoimento de Vaz Netto à CPI do Detran que deixam isso claro. A oposição não inventou o fato do nome de Martini ter aparecido 'em gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal intercedendo em favor de Lair Ferst, preso durante a Operação Rodin', e tampouco o fato de seu nome ter sido citado durante o depoimento do ex-presidente do Detran à referida CPI, quando então Vaz Netto teria dito que 'foi procurado pelo atual secretário-geral de governo, para dar esclarecimentos sobre as razões do rompimento do contrato do Detran com a Fatec'".
Portanto, parece claro que Yeda Crusius rejeita tanto a convocação de determinados cidadãos por determinadas CPIs quanto tentativas de associação entre a crise do Detran e o Palácio Piratini.
Mais recentemente, através de sua representação partidária na Assembléia Legislativa, essa mesma Yeda Crusius pediu ao presidente da Casa, Alceu Moreira (PMDB), que se despolitizasse a referida Comissão Parlamentar de Inquérito.
Entretanto, como "Despolitizar a CPI do Detran", pergunta Cristóvão Feil, se justo "integrantes do governo Yeda Crusius são suspeitos de roubarem 44 milhões da autarquia?"
Portanto, chegamos a mais uma conclusão, a governadora também parece rejeitar a prática de se associar desdobramentos de investigações parlamentares, a partir de determinadas evidências ou indícios, a determinados partidos políticos e suas líderanças.
Porém, como o mundo dá voltas, vejamos abaixo o que pensava a então deputada federal Yeda Crusius (PSDB), há menos de três anos, tanto sobre a possibilidade de convocação de qualquer cidadão, por qualquer CPI, quanto sobre as acusações, feitas à época por integrantes da base aliada ao governo Lula, de que a CPI do Mensalão, formada em sua maioria pela então oposição, liderada pelo PSDB de Yeda Crusius e pelo antigo PFL, hoje Democratas (Dem), estava tentando chegar ao Palácio do Planalto - ou seja, tentava associar a crise do mensalão ao presidente Lula -, e que, em função disso, precisaria ser despolitizada:
Em 01/09/2005, na sessão nº 236.3.52.0, apresentava a então deputada Yeda Crusius a seguinte proposta de Emenda Constitucional, a fim de modificar os artigos 50, 55 e 58 da Constituição Federal, de modo a possibilitar que qualquer cidadão, e La Vieja disse qualquer cidadão, pudesse ser convocado por qualquer CPI no Congresso Nacional:
"Para evitar o que estamos vendo, a descrença nos processos de investigação, incluímos dispositivo no art. 50 da Constituição Federal, a fim de que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, em quaisquer de suas Comissões regulares, possam convocar qualquer cidadão para prestar informações sobre assunto previamente determinado, importando em crime de responsabilidade a ausência sem justificação adequada. Atualmente elas não podem fazer isso. Assim, passamos por um processo de investigação extremamente moroso, até que se chegue à punição" (Os grifos são meus).
E antes ainda, em julho de 2005, na sessão nº 178.3.52.O, vejamos o que pensava a hoje governadora sobre (i) as críticas da base aliada ao governo Lula à tentativa da oposição, à qual pertencia Yeda Crusius, de associar a crise em torno da CPI do Mensalão ao Palácio do Planalto, sobre (ii) o suposto desinteresse do governo em enfrentá-la, sobre (iii) supostas tentativas de acobertamento das investigações, por parte do governo Lula, sobre (iv) supostas tentativas de intimidação do trabalho de deputados na referida CPI e sobre (v) os pedidos, da base aliada e até mesmo do presidente Lula, de que a mesma fosse despolitizada:
"(...) Sem medo da repetição da história, alerto para a tentativa de acobertamento e uso das instituições para intimidar, como no texto escrito pelo pastor que, ao ver o nascimento do nazismo, disse: 'Eu vi pisarem no jardim do meu vizinho e matarem a flor. Em seguida, vi levarem o meu vizinho'. Essa passagem é linda e todos já a conhecem, porque o texto é constantemente reproduzido a cada tentativa de 'mordaça'. 'E por fim, quando vieram me buscar, não tinha nenhuma voz para se levantar e me defender'.
Esta tribuna é aberta e tem de permanecer assim. Para tanto a Casa deve ser respeitada. Deve recuperar seu respeito. O alerta que faço é sobre a oportunidade de, com essa crise, podermos consertar as estruturas que corrompem o Poder. Estamos vivendo uma crise moral que está sendo repassada para os partidos políticos e para determinadas instituições (...)
(...) Quando vejo que todos esses estágios de evolução da democracia se processaram, confio em que não há de surgir ocasião de o oportunista se manifestar. Pelo contrário, aqui temos de negar e barrar essa possibilidade. Não precisamos. A população já sabe disso, já está educada o suficiente para isso, para perceber o que esse volume inacreditável de dinheiro em malas, em saques bancários, significa. Significa que pelo copo de água que bebo, pelo papel que compro, pelos serviços dos Correios, pela tarifa telefônica, poderia pagar menos. Estamos vivendo muito caro. A diferença entre o que pagamos e o que poderíamos pagar é o volume inacreditável de bilhões roubados da renda formal ou informal dos brasileiros (...)
(...) Por menos, já não se disse que pessoa que coordena com o seu partido esquema que se está transformando em aberto e teima em recusar sua responsabilidade não está sujeita a impeachment? E nós, com nossa ação política, do PSDB, dizemos: olha, se todos, Câmara dos Deputados, Senado Federal, imprensa, Governo Federal, Ministério Público, respondermos dizendo sim, com seriedade e responsabilidade, às investigações; se todos pudermos juntos, acima dos partidos, enfrentar o que precisa ser mudado para consertar o estrago, pode-se sim chegar à conclusão de ser caso de impeachment (...)" (Os grifos são meus).
Jamais foi provado, pela CPI do Mensalão, que o presidente Lula tenha coordenado, junto com o PT, o esquema que ficou conhecido como "mensalão", ao contrário do que sugere acima o discurso da então deputada Yeda Crusius. Talvez tenha sido por isso que o presidente tenha teimado em recusar sua responsabilidade. Isso, à época, não parecia interessar muito à então deputada Yeda Crusius, que junto ao seu partido, mesmo diante das negativas do presidente, sugeria que o escândalo requeria a necessidade de impeachment e parecia defender com unhas e dentes o então sagrado direito parlamentar de se manifestar e de fazer associações entre o resultado de investigações em andamento e supostas responsabilidades de lideranças executivas.
Aliás, é esse mesmo sagrado direito que ela hoje nega ao deputado estadual Fabiano Pereira (PT), presidente da CPI do Detran. Por associações muito menos graves, já que o referido deputado não lhe acusou de chefiar, com seu partido, nenhum esquema de corrupção, ela está agora pensando em processá-lo.
A conclusão inevitável é que Yeda Crusius, enquanto deputada federal, não via problemas tanto em se convocar qualquer cidadão para depor em CPIs quanto em se associar a crise do mensalão ao Palácio do Planalto, embora o próprio presidente negasse peremptoriamente qualquer envolvimento. Porém, agora como governadora, Yeda Crusius vê problemas tanto na possibilidade da CPI do Detran convocar determinados cidadãos, no caso seu secretário-geral de Governo, quanto em se associar a crise do Detran ao Palácio Piratini, já que nega peremptoriamente qualquer seu envolvimento. Também parece não ver mais problemas em chefes de executivo e lideranças partidárias tentarem intimidar a atuação parlamentar, mas, em contrapartida, parece ver muitos problemas em associações entre o andamento de investigações parlamentares, a partir de determinadas evidências ou indícios, e determinados partidos políticos e suas líderanças, sugerindo, portanto, a despolitização de CPIs. A mesma acusação que ela não entendia, ou ao menos parecia não entender, enquanto deputada.
Por que ela acha que agora, como governadora, sua negação de envolvimento em tal escândalo deve ser aceita sem ressalvas, já que enquanto deputada tomava as negativas de Lula como simples teimosia em recusar suas responsabilidades? Esse não é um outro nome para arrogância, ou autoritarismo?
Que ela pense assim não me surpreende, mas que o jornalismo da Zero Hora seja o porta-voz de tais falácias é mais uma grande perda para a democracia protagonizada pelo Grupo RBS.
Que pena que nós, gaúchos, já estejamos com isso acostumados.
(A charge é de Eugênio Neves)
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Resultado da "promoção imperdível"

Depois de muita discussão, recursos, apelações e alguns pontapés, La Vieja, eu e as vozes anunciamos, com grande satisfação, o grande vencedor da promoção "defina o almofadismo com MBA e proteja o meio-ambiente".
Para quem não está lembrado, La Vieja resolveu premiar o autor da melhor definição para a a expressão "Almofadinha com MBA" com a última edição do Varanda Cultural e com uma sacola de compras reutilizável do Mercado Público de Porto Alegre, um lugar, como qualquer porto-alegrense sabe, jamais freqüentado por almofadinhas com MBA. Afinal de contas, onde já se viu um lugar com povo, cheiro de peixe, não climatizado e que vende cachaça, tudo ao mesmo tempo?
Dizem as más línguas que uma versão fashion do Mercado Público será inaugurada no Moinhos de Vento, com direito a figurantes fazendo as vezes de povo, mas isso só se Onyx Lorenzoni (Dem) for eleito prefeito e Gustavo Ioschpe assumir a pasta municipal de Cultura.
Pois bem. Eis, abaixo, a definição vencedora, bem como seu respectivo autor. Logo abaixo dela, as duas menções honrosas, que receberão, livre de qualquer custo, em seus próprios lares, a eterna gratidão de La Vieja:
"Um almofadinha com MBA é como um Buda - Sidharta Gautama. Apenas com uma diferença. Assim como Sidharta, o A.M.B.A. viveu a maior parte da vida no interior do palácio, mundo próprio cercado de ouro e pedras preciosas, ninfas e patrícias e protegido de todo o mal. Assim como Sidharta, o almofadinha com MBA um dia saiu do castelo, e a seu modo, claro, pegou um avião e da primeira classe observou tudo lá de cima. Cercado de guarda-costas, percorreu célere uma quadra da rua Voluntários da Pátria, cuja 'limpeza' dos camelôs irregulares já havia sido feita com antecedência pela polícia. Foi suficiente para conhecer o povo - a uma distância segura - e a miséria, a doença, a velhice e a morte.
Só que, ao contrário de Sidharta, que diante da realidade do povo considerou ofensiva toda a ostentação do palácio e dedicou-se a encontrar as causas de tudo aquilo, o almofadinha com MBA, estarrecido, concluiu que toda a humanidade pobre e doente é assim por pura incompetência, voltou para o castelo, mandou reforçar a segurança e tomou a decisão da vida dele (igualzinho como o Buda fez): não descansaria enquanto não descobrisse Deus. E manifestou grande generosidade para com os ignorantes, de modo que dedicou a existência a criar um evento anual onde ele, discípulos e apóstolos falassem entre si e exaltassem as maravilhas e feitos do supremo criador, o dispensador da felicidade e do poder, o único capaz de convencer toda aquela gente da incompetência inata: o Deus Mercado.
Lo Viejo Gato"
Menções honrosas:
- "Faço uso da sabedoria popular para dar definição aos tais emibiei: 'Buzina de avião'
e.t.: alguém sabe qual a serventia de uma buzina de avião?
Luiz Henrique"
- "Gustavo Ioschpe, e não tem prá mais ninguém.
Anônimo"
La Vieja aguarda, então, pelo contato, via correio eletrônico (msilvaduarte@gmail.com), do autor da definição vencedora, que deverá optar pela cor da sacola (entre as duas acima, no retrato) que irá receber em casa.
Gracias a todos os demais participantes.
domingo, 20 de abril de 2008
Eu fraudo, Tu fraudas, Zero Hora ... fralda.
Dia desses, em "O analfabetismo de Zero Hora", Cristóvão Feil questionava a autoridade do Partido da Imprensa Golpista (PIG) para criticar o presidente Lula por seus tropeços no vernáculo.
E "os 'doutos e cultos' órgãos do PIG, como ZH", perguntava o Diário Gauche, "que cometem erros primários imperdoáveis", como é que ficariam nessa?
Ficam como La Vieja irá mostrar abaixo. Divirtam-se.
Em matéria veiculada em sua edição de hoje, além de alimentar o sensacionalismo barato em torno do caso da menina paulista supostamente espancada e assassinada pelo pai e pela madrasta, recentemente indiciados por homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, meio cruel e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima -, Zero Hora muito provavelmente lançou um novo verbo. É que ZH leva a sério a tese de que a língua está em permanente movimento; em função disso, não lhe bastam os neologismos. É preciso se aprimorar a última flor do lácio criando verbos, ou ao menos novos usos para os já existentes.
Na montagem abaixo, realizada pela editoria de arte de ZH, os doutos do jornaleco da Azenha conseguiram encontrar uma frauda suja de sangue no apartamento do pai da menina, antes utilizada ainda dentro do carro, segundo análise pericial:

La Vieja acredita que os letrados e eruditos editores de ZH tenham querido se referir, acima, conforme ensina o Aurélio, abaixo, ao "Retângulo de pano macio, ou de material equivalente, que se usa dobrado, de modo que se adapte às entrepernas e nádegas do bebê, a fim de absorver os excrementos", também conhecido, pelo menos segundo pais e mães, como fralda:

Mas isso é só uma suspeita, claro. É que, pelo menos de acordo com as lições de língua portuguesa recebidas por La Vieja, o termo frauda designaria adequadamente, como também mostra o Aurélio abaixo, a conjugação correta do velho e bom verbo fraudar na terceira pessoa do singular do presente do indicativo - Ele frauda -, e na segunda pessoa do singular no imperativo afirmativo - frauda tu:

Por conseguinte, já que agora uma fralda é uma frauda, e não mais uma fralda, a grafia correta do verbo fraudar passa a ser fraldar, e esta seria a conseqüência lógica da mais recente reforma da língua portuguesa instituída pelos doutos de ZH:
"Fralde de mais de R$ 40 milhões no Detran foi comandada por próceres progressistas e tucanos. Alguns deles, segundo revela reportagem exclusiva de Zero Hora, já apelaram para as fraudas".
Mas isso tudo, claro, são só suspeitas. Quem é La Vieja para ombrear intelectualmente com doutos que acodem o vernáculo quando o presidente da República o maltrata?
A única coisa que La Vieja sabe é que, em matéria de língua portuguesa, pelo menos as ironias de ZH relativas às eventuais escorregadelas do presidente Lula no idioma pátrio são uma estrondosa fraude. Talvez tal jornal, no final das contas, em relação à língua portuguesa, sequer ainda tenha saído das fraldas. Não teria condições, portanto, de dar lições em quem quer que seja. Antes de aprender a trocar suas próprias fraldas, será tão só uma fraude.
Perdão, uma fralde.
E "os 'doutos e cultos' órgãos do PIG, como ZH", perguntava o Diário Gauche, "que cometem erros primários imperdoáveis", como é que ficariam nessa?
Ficam como La Vieja irá mostrar abaixo. Divirtam-se.
Em matéria veiculada em sua edição de hoje, além de alimentar o sensacionalismo barato em torno do caso da menina paulista supostamente espancada e assassinada pelo pai e pela madrasta, recentemente indiciados por homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, meio cruel e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima -, Zero Hora muito provavelmente lançou um novo verbo. É que ZH leva a sério a tese de que a língua está em permanente movimento; em função disso, não lhe bastam os neologismos. É preciso se aprimorar a última flor do lácio criando verbos, ou ao menos novos usos para os já existentes.
Na montagem abaixo, realizada pela editoria de arte de ZH, os doutos do jornaleco da Azenha conseguiram encontrar uma frauda suja de sangue no apartamento do pai da menina, antes utilizada ainda dentro do carro, segundo análise pericial:

La Vieja acredita que os letrados e eruditos editores de ZH tenham querido se referir, acima, conforme ensina o Aurélio, abaixo, ao "Retângulo de pano macio, ou de material equivalente, que se usa dobrado, de modo que se adapte às entrepernas e nádegas do bebê, a fim de absorver os excrementos", também conhecido, pelo menos segundo pais e mães, como fralda:

Mas isso é só uma suspeita, claro. É que, pelo menos de acordo com as lições de língua portuguesa recebidas por La Vieja, o termo frauda designaria adequadamente, como também mostra o Aurélio abaixo, a conjugação correta do velho e bom verbo fraudar na terceira pessoa do singular do presente do indicativo - Ele frauda -, e na segunda pessoa do singular no imperativo afirmativo - frauda tu:

Por conseguinte, já que agora uma fralda é uma frauda, e não mais uma fralda, a grafia correta do verbo fraudar passa a ser fraldar, e esta seria a conseqüência lógica da mais recente reforma da língua portuguesa instituída pelos doutos de ZH:
"Fralde de mais de R$ 40 milhões no Detran foi comandada por próceres progressistas e tucanos. Alguns deles, segundo revela reportagem exclusiva de Zero Hora, já apelaram para as fraudas".
Mas isso tudo, claro, são só suspeitas. Quem é La Vieja para ombrear intelectualmente com doutos que acodem o vernáculo quando o presidente da República o maltrata?
A única coisa que La Vieja sabe é que, em matéria de língua portuguesa, pelo menos as ironias de ZH relativas às eventuais escorregadelas do presidente Lula no idioma pátrio são uma estrondosa fraude. Talvez tal jornal, no final das contas, em relação à língua portuguesa, sequer ainda tenha saído das fraldas. Não teria condições, portanto, de dar lições em quem quer que seja. Antes de aprender a trocar suas próprias fraldas, será tão só uma fraude.
Perdão, uma fralde.
"Castigos Domésticos"

Apologistas do fim da história, em convenções de almofadinhas com MBA - que em geral só fazem de conta que entendem o que é dito -, costumam afirmar que não há mais sentido, se é que algum dia houve, em se falar em luta de classes. Tal categoria, assim como grande parte do vocabulário marxista, teria virado pó, junto aos últimos escombros do Muro de Berlim; nada mais do que entulhos históricos a atravancar o caminho do progresso e da democracia liberal burguesa - a triunfante e incontestável verdade histórica. Retomar tal vocabulário e empregá-lo seria puro anacronismo não fosse, antes de tudo, um equívoco epistemológico gratuito, uma vez que o último capítulo da história teria demonstrado exaustivamente que nem tudo aquilo que é sólido desmancha no ar.
A análise abaixo, no entanto, modestamente tenta mostrar que não só categorias marxistas, como também a própria história, continuam tão vivas e em movimento quanto sempre estiveram, a despeito dos esforços de coveiros de plantão. Muito embora as forças produtivas e as relações de produção tenham se sofisticado em um grau talvez sequer imaginado pelo autor do Manifesto do Partido Comunista, que neste 2008 completou seus 160 anos, continuar a analisar o modo de produção capitalista, principalmente em países de economias emergentes e de acentuada desigualdade social, à luz de categorias como a dominação de classe, operacionalizada pela ideologia em seu sentido lato, e a exploração, pela mais-valia contemporânea, é mais do que condição para sua adequada compreensão sociológica - é condição para a compreensão daquilo que tais classes e seus representantes efetivamente disputam, mesmo que muitos deles não saibam disso.
Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Grupo Gerdau - multinacional que, no ano passado, lucrou R$ 4,3 bilhões, mas que ainda assim precisa de financiamento de bancos públicos de fomento ao desenvolvimento social -, teria indiretamente afirmado, diante de uma platéia formada por cerca de 320 empresários, além de políticos, que o povo baiano é incompetente e preguiçoso e que a educação pública deve ser direcionada para atender os interesses empresariais.
Em discurso proferido ontem, na sétima edição do Fórum Empresarial, evento que ocorre até amanhã na Ilha de Comandatuba (BA) e tem como tema a "Educação Pública de Qualidade para um Brasil Melhor", o empresário teria arrancado gargalhadas de sua seleta platéia contando a seguinte estória:
"Um certo dia, um analista nosso me ligou para dizer que estávamos conseguindo produzir, na Bahia, aço com padrão mundial de qualidade. Pensei: se na Bahia a gente conseguiu produzir aço de padrão mundial, o Brasil tem solução" (Os grifos são meus).
Esta teria sido, segundo apazigua a Zero Hora, "a forma encontrada pelo empresário para explicar o problema que sofre com a falta de capacitação profissional de seus funcionários".
Sobre esse tema, teria ido além:
"Com o nível de educação oferecido hoje para a população, não há como competir globalmente no mercado (...) Só empresas de grande porte, como a nossa, capaz de investir na formação e na qualificação dos colaboradores, conseguem competir".
Para Gerdau, ainda, "A educação é uma área em que é preciso avançar no campo do gerenciamento (...) Sem sistema de gestão, o conhecimento se perde. É preciso unir forças para sairmos da situação atual. Enquanto a educação não for a preocupação número um da população, não avançaremos em nenhuma área".
Bem, para começo de conversa, ao contrário do que ocorreu com a infeliz declaração do presidente Lula, que em visita à África afirmou, na Namíbia, que sua capital nem parecia ficar naquele continente, "de tão limpa que é", até agora La Vieja não viu nenhuma matéria na grande mídia brasileira condenando as declarações de Gerdau sobre o antes aparentemente peremptório e fatal destino baiano: se hoje já conseguimos produzir até na Bahia, o que sugere que antes isso não era possível muito provavelmente graças à uma natural preguiça e incompetência dos baianos, então o Brasil tem salvação.
Por detrás das palavras de Jorge Gerdau - para quem baianos parecem ser naturalmente vocacionados para o fracasso, já que o referido empresário também parece supor que o estado não teria competência suficiente para, sem sua empresa, produzir algo de acordo com o "padrão mundial" -, se esconde mais do que nosso velado preconceito social de cada dia. Ao indiretamente duvidar da capacidade do povo baiano, tido por grande parte das elites gaúcha, carioca e paulista como preguiçoso e incompetente, Gerdau deixa transparecer todo o preconceito de classe da elite empresarial brasileira, que costuma dividir os trabalhadores, para além de suas qualificações técnicas, entre capacitados e incapacitados: capacitados em geral fazem por si mesmos, os self-made men, enquanto os incapacitados não se qualificam o suficiente ou por preguiça, ou por mau feitio. Tal reducionista divisão, na verdade, decorre já de uma visão de mundo empresarial segundo a qual não só os trabalhadores em geral, como também toda a sociedade, pode ser dividida entre bem-sucedidos e fracassados, ou entre winners e losers, no jargão almofadinha. Só uma reengenharia, acompanhada da adoção de um sistema de 5Ss e de um moderno sistema de gestão que estabeleça metas e cobre resultados, faria com que fracassados pudessem almejar um lugar à direita do deus pai todo-poderoso, o mercado.
Se a esquerda vive de espectros do marxismo, setores da direita vivem da utopia tecnicista positiva e da falácia liberal clássica da sobrevivência do mais apto, de cujo DNA foram obtidos recentes experimentos, como o Consenso de Washington. Não surpreende, portanto, que a reemergência da eugenia no RS tenha a mão, ou melhor, o bolso, da Siderúrgica Gerdau, uma vez que, já ensinava o bruxo do Cosme-Velho, as batatas cabem aos vencedores, e a mais ninguém.
Dessa visão de mundo reducionista, que não consegue apreender a complexidade social para além do jargão empresarial, se seguem as demandas e necessidades de classe do segmento tão bem representado por Jorge Gerdau Johannpeter.
Porém, antes dessas demandas e necessidades, na gênese dessa visão de mundo, está uma compreensão do Estado, e da política como um todo, como (i) mero catalisador da atividade empresarial, via disponibilização de financiamentos públicos, e nesse caso esse Estado é útil, como (ii) garantia última e infalível de proteção ao patrimônio privado, o que ocorreria por intermédio da legislação, do direito e de seus aparelhos repressores, e fundamentalmente como (iii) mantenedor, propagador e incentivador da doutrina da subserviência aos interesses do capital. Não seria exagero se afirmar que a função social do Estado seria, sob tal tacanho ideal político empresarial, preparar intelectual e especializadamente a mão-de-obra necessária à plena consecução dos interesses do capital. Por conseguinte, a função social do trabalho seria automaticamente reproduzir, ad infinitum, o mecanismo de sustentação do modo de produção capitalista. Mais do que isso, o trabalho e sua função social se esgotariam nessas engrenagens mesmas. O próprio sentido da existência do trabalho seria a perpetuação da produção de mercadorias destinadas ao abastecimento do mercado, cujos limites, ou a falta deles, seriam estabelecidos irracionalmente, a partir de necessidades e demandas artificialmente criadas pelo próprio sistema a fim de evitar seu colapso. Que função social cumpriria o trabalho em tal sistema? Nenhuma, a não ser a da sua perpetuação. Que sentido há em se trabalhar para a satisfação de necessidades artificiais criadas por esse sistema? Nenhum, a não ser o da lógica da produção irracional de mercadorias, em função das quais valores de uso são criados. O trabalho, assim violentamente arrancada sua real função social, já dizia alguém bem mais qualificado do que La Vieja e do que qualquer seu detrator, aliena o homem. Donde, por fim, o conceito marxista de dominação de classe pela ideologia. Todos os esforços da classe dominante no modo de produção capitalista se concentram na manutenção da alienação através dos inebriantes apelos cotidianos da ideologia, cimento entre as relações de produção. É ela que, sutil e inebriante, junto à lógica da irracionalidade produtora de valores de uso artificiais, garante a coesão do sistema. Por que um trabalhador não questiona a mais-valia, o fato de ser remunerado com aproximadamente 1/100 do valor de troca do montante final das mercadorias que produz? Porque as escolas lhe disseram, seus pais lhe disseram, a lei lhe diz e a mídia lhe diz, desde seu nascimento, que é assim que as coisas são. O trabalhador, afinal de contas, antes de tudo, precisa conhecer seu lugar, e a ideologia se encarrega disso.
Esse Estado, presente no menor número possível de atividades e o mais distante possível do mercado, este espaço público que esgota todo o propósito existencial da humandidade, representa o ideal político liberal contemporâneo, que consegue ser mais tacanho do que seu antepassado moderno. Tudo o mais se seguiria desse harmônico e natural arranjo: da justa distribuição de renda ao fim da fome, do fim da miséria ao fim de toda forma de preconceito.
Donde, portanto, La Vieja dizia, as demandas e necessidades de classe do segmento social representado por Gerdau Johannpeter: a educação que ao seu interesse de classe interessa é aquela capaz de formar indivíduos capazes de, com esse aprendizado, contribuir para suas empresas competirem globalmente no mercado. É a falta de capacitação profissional de seus funcionários, conseqüência do nível de educação oferecido hoje para a população pelo Estado, que atravanca a competitividade mundial da Siderúrgica Gerdau. "Só empresas de grande porte, como a nossa", finaliza Gerdau, "capaz de investir na formação e na qualificação dos colaboradores", é que conseguem competir.
Mas, ora, La Vieja acabou de tentar demonstrar que não pode ser esse o objetivo final da política de educação de um Estado. Uma visão de classe, com suas demandas e necessidades, não pode determinar os rumos de projetos educacionais de nenhuma nação. A educação é um processo muito mais complexo e amplo do que os estreitos limites nos quais Jorge Gerdau a compreende, os quais, muito provavelmente, assim como seu horizonte intelectual, não ultrapassam os muros de suas empresas. Ela é, ou ao menos deveria ser, já que ao menos algumas lições podem ser tiradas do verborragia preconceituosa de Gerdau - e seria isso, antes de tudo, que deveria orientar qualquer sua reformulação - humanista, plural, libertária, artística, emancipatória, universal, esclarecedora, científica, religiosa, cultural e lúdica, mas jamais unicamente tecnicizante e atrelada às necessidades de mão-de-obra de uma classe. Ninguém tem como propósito de vida ser operário de chão-de-fábrica da Gerdau, e nenhum Estado seria mais odioso se se limitasse a oferecer isso à sua população.
Isso não exclui, evidentemente, a valorização da educação técnica, diga-se de passagem qualificadíssima nos últimos anos graças aos esforços do governo federal. Ignorar que há um mercado e que há necessidade de mão-de-obra tecnicamente qualificada seria de uma miopia e de um sectarismo social e político tão sem sentido quanto afirmar que a capacitação profissional de funcionários da indústria precisa ser corrigida a partir da revisão do nível de educação atualmente oferecido à população. É para isso que existem escolas técnicas de ensino médio e cursos de formação profissional específicos, bem como entes de cooperação paraestatais como os serviços sociais autônomos do Sesi, do Senai e Sesc, por exemplo. Se Jorge Gerdau está preocupado com os rumos dessa educação deveria nela investir, antes de financiar pesquisas que estimulam o preconceito de classe.
O senhor Jorge Gerdau Johannpeter, por fim, está redondamente enganado ao supor que a principal preocupação da população brasileira não seja a educação de seus filhos. Ela é, e sempre foi. É para isso que pais e mães acordam às cinco da manhã, pegam dois ônibus e vão trabalhar em suas empresas. Só que - a despeito da baixa qualidade geral da educação pública oferecida pelo Estado, mal do qual gradativamente estamos nos livrando - fica muito difícil se investir na educação dos filhos quando se recebe um salário-mínimo por mês e seu patrão lucra R$ 4,3 bilhões por ano.
(No retrato, "Chatimens Domestiques", de Johann Moritz Rugendas, gravura digitalizada pertencente ao catálogo da Fundação Biblioteca Nacional. Negros eram castigados, entre outros fatores, por sua alegada "preguiça", na verdade recusa consciente e marca da resistência negra contra o trabalho que lhes era imposto. Porém, ainda antes da vinda dos negros escravos e também por tal resistência às imposições dos invasores, eram os índios nativos os rotulados como "preguiçosos". Atualmente, pelo menos para alguns empresários, cabe aos baianos tal epíteto)
sábado, 19 de abril de 2008
Sobre a generosidade estadunidense, ainda
La Vieja não consegue esquecer as recentes palavras de Joseph Ratzinger, o homem que durante décadas acobertou as sevícias e perversões sexuais de padres católicos, proferidas por ocasião da recepção a ele oferecida na Casa Branca:
"A América tem-se mostrado tradicionalmente generosa na resposta às necessidades humanas imediatas, apoiando o desenvolvimento e oferecendo socorro às vítimas de catástrofes naturais. Tenho a certeza de que este cuidado com a grande família humana continuará a encontrar expressão no apoio aos pacientes esforços da diplomacia internacional para resolver os conflitos e promover o progresso".
Inda mais quando se sabe que, nessa última semana, 28 iraquianos foram executados em virtude de condenações à pena de morte.
O detalhe é que todos os executados foram presos, julgados e condenados nessas últimas três semanas. Como se sabe, eventuais erros judiciais, em caso de condenação à pena de morte, não podem ser reparados.
É o que afirma a Anistia Internacional, que "pediu uma moratória no uso da pena de morte no Iraque". Em comunicado oficial, a organização afirmou, a respeito de tais execuções, que "o fato de serem presos, sentenciados e executados em um período tão curto levanta preocupações sérias sobre o processo de julgamento". Para a Anistia, que pede ao governo iraquiano que libere informações sobre os referidos julgamentos, inclusive se os executados tiveram acesso ou não à defesa, os condenados não tiveram direito a julgamentos justos.
Como se sabe, os Estados Unidos invadiram o Iraque à procura de armas de destruição em massa que jamais existiram e, desde então, vêm ensinando um pouco da democracia do american way of life aos iraquianos. A instituição da pena de morte foi uma das maneiras que a Casa Branca encontrou para apoiar o desenvolvimento desse país, sob o argumento de que ela ajudaria a reduzir a violência generalizada. A maioria dos estados federados dos EUA adota a pena capital em seus sistemas penais, o que faz dos Estados Unidos um harmônico país com cinco vezes mais presidiários do que o Brasil.
O governo iraquiano de transição, responsável pelas condenações acima referidas, foi montado sob os auspícios da Casa Branca e, desde então, sofre sua influência direta.
Agora está mais claro, pelo menos para La Vieja, o que Joseph Ratzinger quis dizer com generosidade estadunidense na resposta às necessidades humanas imediatas. Todo esse cuidado estadunidense com a grande família humana, que o digam os iraquianos executados e suas famílias, como se vê, encontra expressão nos pacientes esforços da comunidade internacional pela paz, pela resolução dos conflitos e pela promoção do progresso através do diálogo.
(A charge, de Eduardo Simch, revela toda a generosidade estadunidense para com os prisioneiros ilegais de Abu Ghraib e de Guantánamo, submetidos a interrogatórios sob tortura, técnica recentemente legitimada pelo presidente dos Estados Unidos, como se sabe um homem preocupado com os pacientes esforços da comunidade internacional pela paz através do diálogo)
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Sobre responsabilidades

Segundo a BBC Brasil, ao mesmo tempo em que criticou os bispos estadunidenses "pela maneira como trataram os escândalos de abuso sexual de menores envolvendo padres, afirmando que sua resposta à crise foi algumas vezes insatisfatória", Joseph Ratzinger "colocou parte da culpa pela crise dos casos de pedofilia (...) na 'ruptura de valores'" da sociedade estadunidense.
"O que significa falar de proteção à infância quando a pornografia e a violência podem ser vistas em tantos lares através dos meios de comunicação amplamente acessíveis hoje em dia?", teria dito Ratzinger nessa última quarta, 16, em Washington, durante missa celebrada com a presença de centenas de bispos estadunidenses. Joseph Ratzinger, também conhecido como o papa Bento XVI e, antes disso, como o "cardeal panzer" - referência a um tipo de tanque de guerra fabricado pela Alemanha -, graças a sua adesão, quando seminarista, à juventude hitlerista, está em visita oficial aos Estados Unidos de George Bush, o pacifista. Essa é a primeira visita de um papa à Casa Branca nos últimos 30 anos.
Bem, a declaração acima não atribui parte da culpa pelos casos de pedofilia nos EUA à ruptura de valores, seja lá o que isso signifique, da sociedade estadunidense. A afirmação simplesmente diz que é difícil se falar em proteção à infância, aparentemente em geral, enquanto se tem fácil acesso à pornografia e à violência.
Porém, vamos supor que o jornalista responsável pela referida matéria saiba o que está dizendo.
Assim, se Joseph Ratzinger realmente afirmou que parcela da culpa pelos casos de abusos sexuais de crianças por padres católicos nos EUA deve ser atribuída à ruptura de valores dessa sociedade, foi tão infeliz quanto em sua reticente comparação entre as dores de sua igreja e as das vítimas de abusos.
Pelo menos para La Vieja, não há comparação entre os danos causados a crianças abusadas e aqueles sofridos pela igreja católica. Ratzinger deveria ter sido incisivo sobre este ponto. Perdeu uma grande chance de, ao menos uma vez na história, fazer de conta que a Igreja Católica Apostólica Romana se preocupa mais com seus fiéis do que com sua corporação.
Nenhuma parcela da culpa pelo abuso sexual de crianças por padres católicos nos EUA pode ser atribuída à qualquer ruptura de valores da sociedade estadunidense. Nenhuma ruptura de valores autorizaria e justificaria que homens de deus cometessem abusos contra crianças, até porque um dos preceitos doutrinários da igreja católica, e esse não é um argumento de La Vieja, mas da própria igreja, é a preservação de determinados valores e seu resguardo aos desgastes dos costumes. Antes de cair em tentação, deveria a igreja ser exemplo de conduta. Esse é o preço de seu moralismo.
Portanto, há uma grande falácia nesse argumento. Ele soa à La Vieja como o argumento machista que, no começo do século passado, no Brasil, orientava julgamentos de casos de estupro, segundo o qual a provocação da mulher deveria ser levada em consideração, tese que, por mais incrível que pareça, ainda hoje tem reflexos entre os ditos operadores do direito. Assim, por exemplo, o fato de mulheres usarem roupas insinuantes seria, antes de uma irresistível tentação a justificar qualquer comportamento masculino, uma espécie de convite tácito ao assédio, a permitir toda forma de liberdades.
Não é possível que uma pessoa com noções de lógica, como Joseph Ratzinger, justifique um raciocínio desse tipo. Deve haver algum problema com a reportagem da BBC.
(A charge, sobre o encontro histórico de Ratzinger e Bush, é de Eduardo Simch)
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Sobre lamentos

La Vieja quer muito a ajuda dos homens de pouca fé e dos eventuais homens de boa vontade que por aqui passam.
É que ela ainda não conseguiu entender o que de fato mais preocupa Joseph Ratzinger no escândalo dos abusos sexuais de menores por padres da Igreja Católica Apostólica Romana ocorridos nos EUA.
Em missa celebrada hoje, em Washington, para mais de 42 mil pessoas, Ratzinger afirmou reconhecer "a dor que a Igreja nos Estados Unidos viveu por conta da experiência resultante do abuso sexual de menores", não obstante também tenha dito que "Nenhuma palavra minha pode descrever a dor e o mal causado por tais abusos".
A reportagem da BBC está aqui. Quem quiser lê-la e ajudar La Vieja a entender se Ratzinger lamenta mais as dores de sua igreja do que as das vítimas dos abusos, ela antecipadamente agradece.
(No retrato, reprodução da capa de "Fé, Verdade, Tolerância", de Joseph Ratzinger. Nesse livro, Ratzinger defende a existência de uma religião verdadeira, a sua, evidentemente, bem como sua pretensão à universalidade. Também defende as religiões como um elemento constituinte das diversas culturas humanas na história e a tese de que "a verdade e o amor são idênticos", que, compreendida em toda sua profundidade, algo que só os cristãos conseguem, seria a "suprema garantia da tolerância que todas as sociedades livres devem praticar")
Sobre papagaios e tucanos

Um fenômeno interessantíssimo está ocorrendo entre elementos da fauna exótica gaúcha, pelo menos desde a segunda metade de 2006: papagaios compartilhando ninhos tucanos.
Segundo biólogos, a situação não é tão incomum quanto parece, já que ambos costumam trabalhar em conjunto a fim de acumular alimentos suficientes para enfrentar o rigoroso inverno gaúcho.
Os tucanos, ensandecidos, agora reagem e tentam expulsá-los a pantalhaços, dizendo não ter responsabilidade nenhuma pela sujeira generalizada no ninho.
Mais detalhes sobre o estranho fenômeno no RS Urgente.
(A charge é de Eugênio Neves)
Sobre porta-vozes
Da coluna diária de hoje da depuradora de melífluos sabores, sobre a possibilidade da CPI do Detran convocar o secretário-geral de Governo do novo jeito de governar, Delson Martini, e reinquirir Flávio Vaz Netto, ex-presidente da referida autarquia, envolvido nas denúncias de desvio de mais de R$ 40 milhões dos cofres públicos gaúchos, e isso tudo, pelo menos segundo a avaliação da depuradora, em função do teor do chasque eletrônico enviado pela esposa de Vaz Netto a Martini, no qual o ex-presidente do Detran pleiteia um encontro com o referido secretário para tratar de "assuntos de interesse comum e de governo":
"A oposição quer levar a crise para o Piratini, de acordo com a interpretação da própria Yeda. Nada mais conveniente, pois, do que tentar envolver pessoas próximas dela na crise. Pela proximidade de Martini com a governadora, Vaz Netto está dando corda para a oposição ao insistir numa audiência que, no mínimo, suscita uma série de perguntas incômodas" (Os grifos são meus).
Bem, se o raciocínio acima não exemplificar o mais desavergonhado colunismo político chapa-branca, nada mais exemplifica.
Não é a oposição ao governo Yeda Crusius que tenta "envolver pessoas próximas dela na crise", mas sim as investigações da Polícia Federal e o depoimento de Vaz Netto à CPI do Detran que deixam isso claro. A oposição não inventou o fato do nome de Martini ter aparecido "em gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal intercedendo em favor de Lair Ferst, preso durante a Operação Rodin", e tampouco o fato de seu nome ter sido citado durante o depoimento do ex-presidente do Detran à referida CPI, quando então Vaz Netto teria dito que "foi procurado pelo atual secretário-geral de governo, para dar esclarecimentos sobre as razões do rompimento do contrato do Detran com a Fatec".
Que intenção poderia haver por detrás da acusação de Rosane de Oliveira, de que é a oposição que está tentando envolver, aparentemente sem nenhum motivo para tanto, pessoas próximas à governadora na crise, senão a intenção de blindá-la? logo ela, a Rainha das Pantalhas, que nada precisa temer, já que comprou sua casa graças à venda de seus imóveis?
É impressionante a eficiência da porta-voz do novo jeito de governar. A abelha-rainha do jornalismo político farrapo é tão prestativa que se adianta a tudo e a todos tentando oficializar um significado para mensagens eletrônicas alheias a fim de que o escândalo de corrupção que envolve altos coturnos do governo Yeda Crusius e de seu PSDB passe ao largo do Piratini.
Como se não bastassem as investigações da PF e o primeiro depoimento de Vaz Netto, esse último solicita, através de mensagem eletrônica, audiência com o secretário-geral de Governo do novo jeito de governar, Delso Martini, a fim de conversar sobre "assuntos de interesse comum e de governo", e, pasmem, a abelha-mestra tem o desplante de afirmar que é a oposição que tenta envolver na crise pessoas próximas à governadora!
Cala-te, Vaz Netto! não vês que assim dás corda para a oposição?
E outra: por que, ao insistir em uma audiência privada com Delso Martini, Vaz Netto está dando corda para a oposição, e não simplesmente tentando entender por que foi abandonado pelo governo, já que o novo jeito de governar não tem nada a temer? E se o novo jeito de governar está com o nome limpo na praça, por que sua base legislativa não assume a defesa do aliado Vaz Netto?
Talvez seja isso que Vaz Netto não esteja conseguindo entender. Talvez, então, ele tenha algo mais a dizer.
"A oposição quer levar a crise para o Piratini, de acordo com a interpretação da própria Yeda. Nada mais conveniente, pois, do que tentar envolver pessoas próximas dela na crise. Pela proximidade de Martini com a governadora, Vaz Netto está dando corda para a oposição ao insistir numa audiência que, no mínimo, suscita uma série de perguntas incômodas" (Os grifos são meus).
Bem, se o raciocínio acima não exemplificar o mais desavergonhado colunismo político chapa-branca, nada mais exemplifica.
Não é a oposição ao governo Yeda Crusius que tenta "envolver pessoas próximas dela na crise", mas sim as investigações da Polícia Federal e o depoimento de Vaz Netto à CPI do Detran que deixam isso claro. A oposição não inventou o fato do nome de Martini ter aparecido "em gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal intercedendo em favor de Lair Ferst, preso durante a Operação Rodin", e tampouco o fato de seu nome ter sido citado durante o depoimento do ex-presidente do Detran à referida CPI, quando então Vaz Netto teria dito que "foi procurado pelo atual secretário-geral de governo, para dar esclarecimentos sobre as razões do rompimento do contrato do Detran com a Fatec".
Que intenção poderia haver por detrás da acusação de Rosane de Oliveira, de que é a oposição que está tentando envolver, aparentemente sem nenhum motivo para tanto, pessoas próximas à governadora na crise, senão a intenção de blindá-la? logo ela, a Rainha das Pantalhas, que nada precisa temer, já que comprou sua casa graças à venda de seus imóveis?
É impressionante a eficiência da porta-voz do novo jeito de governar. A abelha-rainha do jornalismo político farrapo é tão prestativa que se adianta a tudo e a todos tentando oficializar um significado para mensagens eletrônicas alheias a fim de que o escândalo de corrupção que envolve altos coturnos do governo Yeda Crusius e de seu PSDB passe ao largo do Piratini.
Como se não bastassem as investigações da PF e o primeiro depoimento de Vaz Netto, esse último solicita, através de mensagem eletrônica, audiência com o secretário-geral de Governo do novo jeito de governar, Delso Martini, a fim de conversar sobre "assuntos de interesse comum e de governo", e, pasmem, a abelha-mestra tem o desplante de afirmar que é a oposição que tenta envolver na crise pessoas próximas à governadora!
Cala-te, Vaz Netto! não vês que assim dás corda para a oposição?
E outra: por que, ao insistir em uma audiência privada com Delso Martini, Vaz Netto está dando corda para a oposição, e não simplesmente tentando entender por que foi abandonado pelo governo, já que o novo jeito de governar não tem nada a temer? E se o novo jeito de governar está com o nome limpo na praça, por que sua base legislativa não assume a defesa do aliado Vaz Netto?
Talvez seja isso que Vaz Netto não esteja conseguindo entender. Talvez, então, ele tenha algo mais a dizer.
Sobre traduções

La Vieja selecionou, abaixo, trechos dos discursos de George Bush, o pacifista, e de Joseph Ratzinger, aquele que pensa que é representante de um certo deus na terrra, na recepção oferecida pelo presidente estadunidense, na Casa Branca, ao homem que durante décadas acobertou as sevícias e perversões sexuais de padres católicos. Abaixo de cada discurso, uma pequena tradução livre, já que ambos discursaram em grego:
"Precisamos da sua mensagem para rejeitar esta ditadura do relativismo e abraçar a cultura da justiça e da verdade".
O presidente dos EUA quis dizer que os católicos estadunidenses precisam reforçar sua convicção de que todo costume e toda cultura que não se orientem pela palavra de deus contida na Bíblia estão em pecado, donde, por conseguinte, só a verdade lhes libertará, desde que ela, evidentemente, esteja de acordo com as revelações e com aquilo que sobre elas diz a Igreja Católica Apostólica Romana, que, como se sabe, é o representante autorizado do único deus, e não de qualquer deus, que há. Por extensão, é justo tudo aquilo que esteja de acordo com tal verdade revelada, como, por exemplo, matar mouros, incendiar pagãos, acobertar casos de pedofilia e condenar a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.
"A América tem-se mostrado tradicionalmente generosa na resposta às necessidades humanas imediatas, apoiando o desenvolvimento e oferecendo socorro às vítimas de catástrofes naturais. Tenho a certeza de que este cuidado com a grande família humana continuará a encontrar expressão no apoio aos pacientes esforços da diplomacia internacional para resolver os conflitos e promover o progresso".
Joseph Ratzinger disse que os EUA tradicionalmente respondem generosa e celeremente às necessidades humanas imediatas, tal como, por exemplo, nos bombardeios de Hiroshima e de Nagasaki, quando a necessidade humana imediata era testar os efeitos de uma bomba jamais utilizada. Tal generosidade é tanta que, não satisfeitos em ajudar, os estadunidenses assumem o poder soberano alheio em nome da satisfação de tais necessidades, inclusive proporcionando o desenvolvimento de tal comunidade através da exploração, por empresas da "América", de seus recursos naturais, tal como ocorre atualmente no Iraque, mas, por falta de colaboração da comunidade local, refratária a verdades reveladas, não deu certo no Vietnã. Além disso, Ratzinger afirmou que esse cuidado estadunidense para com a grande família humana também costuma se expressar nos esforços da comunidade internacional pela paz através do diálogo diplomático, algo que fica mais claro quando lembramos do recente apoio incondicional estadunidense à violação da soberania equatoriana pelo exército de seu aliado na América do Sul, a Colômbia - posição rejeitada por todos os outros países de todas as Américas - e das diárias invasões dos territórios palestinos pelos judeus, seus aliados do Oriente-Médio, também apoiadas incondicionalmente pela Casa Branca.
(O retrato, de Stefan Zaklin - EPA - foi retirado do sítio da Rádio e Televisão de Portugal)
quarta-feira, 16 de abril de 2008
O trenzinho da covardia

A Zero Hora do último domingo trouxe editorial sobre o suposto pedido de investigação, feito pelo Ministério Público Federal, das indenizações "autorizadas pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça a anistiados e a outras pessoas que alegam prejuízos sofridos durante o período da ditadura militar no país".
Segundo o jornaleco da Azenha, "Compreende-se que perseguidos políticos realmente lesados em suas carreiras, ou que tenham sofrido danos patrimoniais, sejam ressarcidos e indenizados como prevê a legislação. O que não dá para entender - e nem para aceitar - é que valores vultosos sejam destinados a pessoas de questionável participação na luta pela democracia, que sequer tiveram suas carreiras profissionais prejudicadas pela repressão".
É que, segundo ZH, jornalistas de projeção nacional estão entre os mais recentes beneficiados por essa "generosidade à custa do contribuinte".
O jornaleco, depois de questionar os critérios utilizados pela referida comissão para conceder indenizações a requerentes que tiveram seus contratos de trabalho interrompidos pela perseguição política da ditadura militar, conclui afirmando que "requerer ressarcimento por um dano que não houve é mais do que uma esperteza - é uma desonestidade", não sem simultaneamente arrematar, falaciosamente, que essa suposta desonestidade se torna uma brutal injustiça "quando se sabe que a maioria dos contribuintes que sustentarão tais indenizações tem rendimento infinitamente inferior aos benefícios concedidos".
Bem, La Vieja sequer vai entrar nos méritos das ilações de ZH, feitas à revelia de argumentos de defesa da Comissão de Anistia, dos anistiados e dos próprios resultados da investigação do MP federal, que, diga-se de passagem, ainda sequer começou. Ou seja, à revelia de qualquer contraditório. Também não merece nenhuma consideração o indigente argumento de que reparações de injustiças históricas cometidas por um Estado dependeriam somente do rendimento atual de seus contribuintes, e não também do tamanho das atrocidades por ele cometidas. Esse é um raciocínio típico de boçais que pensam o conceito de Estado a partir de contingências históricas, e não da própria história. Qualquer semelhança com o raciocínio de almofadinhas com MBA não é uma mera coincidência.
La Vieja quer falar, mesmo, é sobre a falta de vergonha na cara que tem quem quer hoje falar de espertezas, desonestidades e injustiças tendo apoiado a ditadura militar. A propósito, até o título escolhido por ZH para seu editorial, - O trenzinho da Anistia -, veio a calhar, já que ZH embarcou, na ditadura militar, no trenzinho da covardia.
Zero Hora emudeceu diante da atrocidade que foi a usurpação do poder do povo pelos seres rastejantes do abril de 64, vermes "que só vingam na escuridão, às sombras, frestas e brechas do poder popular", Zero Hora tapou os ouvidos para não ouvir os gritos democratas que vinham dos porões úmidos de sangue da ditadura, onde os vermes de 64 atacavam em grupos, sorrateiros, e Zero Hora fez que não os viu transitando disfarçados entre a multidão, exalando seu fétido odor.
Zero Hora, que espertamente foi conivente com a maior das injustiças que já sofreu a democracia brasileira e desonesta com o ofício de reportar, com sua responsabilidade social - que é um dever na medida em que recebe a concessão de um nosso direito - e com o povo usurpado, portanto, não tem moral alguma para falar em injustiças, se é que elas estão ocorrendo. Quem lambeu coturnos na ditadura militar não tem moral alguma, sob nenhum aspecto, para julgar atos republicanos que hoje busquem a reparação de danos causados por aquela mesma ditadura. Zero Hora, assim como a maioria da imprensa oligárquica brasileira, é réu histórico, é parte interessada, tanto quanto a ditadura da elite e do exército brasileiros, em qualquer processo de reparação que exija indenização por prejuízos pessoais causados por essa ditadura.
Não há, portanto, como levar minimamente a sério o editorial de ZH. Seus juízos de valor sobre injustiças supostamente cometidas no recente processo de reparações históricas ao período ditatorial estão prejudicados. Em virtude do suporte fornecido à essa ditadura, na forma de silenciosa, muda e cega conivência com a injustiça máxima que foi e é, em uma democracia, usurpar o poder popular, Zero Hora não tem como julgá-la, e nem atos a ela relacionados. Deve, portanto, antes de escrever editoriais condenando injustiças sequer provadas, em um deles se declarar impedida. Em última instância, sequer pode dimensionar um dano por ela causado.
E foi assim, espertamente calando e nada ouvindo ou enxergando, que ZH chegou onde hoje está.
Não foi à toa que, poucos dias após sua fundação, Zero Hora estampou na sua capa de 06 de maio de 1964 a bênção enviada pelo general Mário Poppe de Figueiredo, então comandante do III Exército. Desde então, teve início uma parceria de sucesso:
"Recebi com muita simpatia o aparecimento de Zero Hora. Com a orientação de propugnar pelos ideais cristãos e democráticos do povo brasileiro, será mais uma voz a conduzir a opinião pública no Rio Grande do Sul nos rumos tradicionais de nossa formação histórica. Auguro a Zero Hora uma longa e próspera existência".

José Luis Orihuela

Muito interessante, no Monitor de Mídia, revista mensal multimídia da Universidade do Vale do Itajaí, a entrevista com José Luis Orihuela, professor do curso de Jornalismo na Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra e autor do livro "La revolución de los blogs" (La esfera de los libros, Madrid, 2006).
Na entrevista concedida à Gabriela Azevedo Forlin, Orihuela "analisa as mais diversas ferramentas disponíveis na Internet relacionadas à Comunicação e ao seu mais recente fenômeno: o microblogging".
Orihuela, que tem como linhas básicas de trabalho "a articulação entre a vida acadêmica e a atividade profissional externa, a preocupação com os efeitos da inovação tecnológica sobre os modos e meios de comunicação e, por fim, como se dá a projeção internacional desses efeitos na Europa e especialmente na América Latina", mantém o blog eCuaderno.
Confira, abaixo, alguns trechos da entrevista:
"Com o surgimento dos blogs e de novas plataformas, como o Twitter e o Facebook, nasceu também o 'jornalismo interativo/participativo'. Graças a Internet, agora cada um pode converter-se em seu próprio meio. Podemos considerar realmente aproveitável o produto resultante das informações agregadas (levando em consideração fatores como credibilidade e confiabilidade, já que o ambiente digital possibilita mais facilmente a manipulação da informação)?
Graças às tecnologias da web social, os cidadãos podem participar, agora de maneira efetiva, no espaço público da comunicação. Isto é muito bom, mas não é Jornalismo, nem tem que ser. Creio que 'jornalismo participativo' é um conceito errôneo porque não há jornalismo sem jornalistas e porque o jornalismo é uma profissão. Prefiro falar de meios participativos ou de meios sociais. Ter uma página de Internet, um blog, um microblog ou participar de uma rede social não converte ninguém em jornalista (...)
Pesquisas nos EUA mostraram que a circulação dos jornais deste país diminui a cada ano e que a mídia impressa já não sabe o que fazer com a Internet. O jornal espanhol ABC também já publicou que a blogosfera (com mais de 100.000 entradas novas a cada dia) começou a exercer como quinto poder. Qual sua opinião sobre o debate 'jornalismo impresso X jornalismo on-line' (considerando a blogosfera como meio jornalístico)?
Creio que o debate central não é entre mídia impressa e mídia on-line, senão entre meios tradicionais convertidos em meios digitais frente aos meios digitais nativos e a explosão da Web social.
Os meios tradicionais complementaram-se por razões estratégicas a Web social, ainda que lhes faltem convencimento e preparação para fazê-lo bem. Pôr 'bijuteria social' ao pé de cada notícia publicada não é suficiente (...)
De que forma as transformações e o impacto das novas tecnologias disponíveis para os meios afetam o ensino de jornalismo?
Os universitários e seus docentes têm que levar mais a sério sua alfabetização digital. Hoje, boa parte de nossa cultura está se construindo sobre os intercâmbios informais de informação entre particulares à margem dos meios massivos tradicionais. 'Gente comum' está usando a rede para publicar conteúdos próprios, para misturar, valorizar e compartilhar conteúdos de terceiros, para relacionar-se e para cooperar. Temos que nos apropriar das novas ferramentas sem complexos e integrá-las às nossas práticas cotidianas de gestão de informação. Se não fizermos, não teremos uma voz autorizada para queixar-nos pelos seus usos triviais (na melhor das hipóteses) quando estes se generalizarem (...)".
Sobre entendimentos embotados

"É difícil para mim entender como isso poderia acontecer (...) Como foi possível que padres traíssem desta maneira a sua missão para com as crianças".
As palavras acima foram algumas das últimas de Joseph Ratzinger, para alguns o representante do deus católico entre os homens de boa vontade, sobre o tema dos abusos sexuais cometidos por padres católicos nos EUA, antes de seu embarque ontem, no avião papal, em Roma, rumo à Washington, em visita oficial.
Na verdade, não é difícil para Ratzinger entender como tais abusos sexuais aconteceram. Ele só está sendo hipócrita, como todo católico mau-caráter. E, de modo semelhante, também não é difícil para ele entender como foi possível que padres traíssem a suposta missão da Igreja Católica Apostólica Romana para com as crianças.
La Vieja, porém, como tem boa memória, dará uma ajuda para o católico hipócrita. Para entender tudo isso, basta que Ratzinger lembre que foi o responsável, em nome de tal missão, pela "ocultação sistemática de casos de abusos sexuais contra menores cometidos por padres católicos", nada além disso.
Durante mais de 20 anos, La Vieja faz questão de ratificar, Joseph Ratzinger foi o encarregado de zelar pela obediência aos termos do documento secreto intitulado "Crimen Sollicitationis", escrito em latim em 1962 a fim de instruir bispos a como "lidar com acusações de abusos sexuais cometidos por padres em suas paróquias" e "distribuído a bispos do mundo inteiro, com a recomendação de que fosse guardado a sete chaves". O referido documento obrigava vítimas, acusados e eventuais testemunhas a jurarem sigilo absoluto, sob pena de excomunhão, sobre os casos de abuso sexual cometidos por padres contra menores investigados pela igreja católica.
Barbara Blaine, que preside a entidade estadunidense Survivors Network of those Abused by Priests - SNAP - (em tradução livre, Rede de Sobreviventes dos Abusados por Padres), falou à BBC sobre o histórico de Joseph Ratzinger, também conhecido por alguns como o Papa Bento XVI: "Ele soube da ação dos predadores e não tomou uma atitude (...) Ele chefiou o setor responsável pela doutrina da Igreja, que recebeu denúncias de todo o mundo, mas eles fizeram pouco ou nada".
Portanto, na verdade não é difícil para Joseph Ratzinger entender como puderam ocorrer os abusos sexuais, nem como foi possível padres traírem sua "missão" para com crianças. Caso os escândalos não tivessem sido acobertados desde o começo pela cúpula católica, muito provavelmente uma série de abusos não teriam sido cometidos posteriormente. Mais do que uma covardia contra crianças, o silêncio da Igreja Católica Apostólica Romana em relação aos abusos sexuais foi conivência. Só por isso, já merecem arder no mármore do inferno, caso exista algum. Antes disso, mereceriam também abençoadas celas mundanas, caso nosso direito penal internacional não engatinhasse, pois poucos crimes são tão traumatizantes, asquerosos, violentos e covardes quanto o abuso sexual de um inocente.
Então, como pecadores da estirpe dos padres católicos abusadores e coniventes ainda conseguem supor que, em confissões, possuem alguma espécie de moral para julgar se o comportamento alheio é digno ou não de perdão divino?
Todos na Baixada Melancólica!
Dá-lhe, coloradinho!"Algumas pessoas não respeitaram o nosso trabalho. Diziam que o Inter viria para se defender e não ser goleado. Só que não foi assim".
Goico, goleiro do Esporte Clube Internacional, de Santa Maria, a respeito da maiúscula vitória de ontem em Caxias do Sul, sobre o Juventude.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Sobre doutrinas acerca do dever-ser

Percival Puggina, o doutrinador, iluminou nossas almas com um abençoado artigo acerca da paternidade do PAC na Zero Hora desse último domingo.
Afinal de contas, Puggina escreve sobre como deve ser a política.
Para Puggina, todo o mal do Programa de Aceleração do Crescimento criado pelo governo Lula provém de nosso federalismo, que se deixou "seviciar pela cobiça fiscal da União, pelo seu centralismo e pelo poder cada vez mais imperial dos presidentes". O PAC, portanto, segundo o doutrinador, foi parido pelas entranhas de nossa pecadora forma de estado.
O raciocínio do doutrinador é o seguinte: como "Numa federação, praticamente não existem riquezas geradas pela União", e isso porque toda ação produtiva ocorre nos municípios e nos estados a partir da atividade e do trabalho de empresas e de indivíduos - donde surgiriam os bens e os valores que geram os impostos -, se seguiria que esses entes federados é que, a partir desses recursos neles gerados, deveriam definir e executar seus investimentos. Portanto, ainda segundo a elegante lógica do doutrinador, como "quem parte e reparte fica com a melhor parte", todo nosso mal-estar político provém de nossa pervertida forma de estado: "uma fração dessa dinheirama ajuda a distribuir cartões corporativos e concede o maior PIB per capita do país à corte brasiliense", outra "vai nutrir a rede de sustentação do governo no Congresso", enquanto outra "se extravia nos desvãos dos comissionamentos". Um outro tanto, ainda, "empurra lomba acima a pesada máquina federal", enquanto outro "satisfaz a ganância do mercado financeiro". A "migalha restante", conclui o doutrinador, "vira comício do presidente".
Eis o novo pecado original, portanto.
Mas, há ainda mais mensagens aos homens de boa vontade. O doutrinador afirma, no começo de sua homilia, que encontrou a origem do mal mesmo sob a tentação de ceder aos apelos sensualistas da tese do aproveitamento eleitoral do PAC: "A primeira idéia que me passou pela cabeça foi a mesma expressa pelo raquítico bloco oposicionista no Congresso: o erro estaria no aproveitamento eleitoral do Programa de Aceleração do Crescimento". Foram, provavelmente, os 40 dias do doutrinador consigo e com o demônio em seu deserto mental.
No entanto, embora tenha afastado tal tentação mundana em nome da abnegada busca pela verdadeira gênese de nossos males políticos, o sermão do doutrinador não deixou de atirar a primeira pedra naqueles que aponta como os criadores, às suas imagens e semelhanças, do referido programa.
Em sua pregação afirma que tem acompanhado, ao longo das últimas semanas, "as notícias sobre as viagens do presidente Lula aos Estados", porém "com a percepção de que há algo podre no reino". Lula e a ministra Dilma Rouseff, "mãe do PAC", segundo o doutrinador, "são a corda e a caçamba desse produtivo poço político".
Porém, um asceta chegar à tal conclusão é uma trivialidade. Basta, para isso, "escutar os discursos do presidente". Lula tem transformado os eventos do PAC em comícios, ainda segundo o doutrinador. Em tais ocasiões, "onde fala em vaivéns de pastor evangélico", o presidente "desafia a oposição e garante que elegerá seu sucessor. Quando isso pega mal, ele obtém o mesmo resultado pelo viés oposto, promovendo o comício para dizer que não está fazendo aquilo que faz o tempo todo".
Entretanto, os homens de pouca fé irão perceber que, após condenar tanto o presidente Lula quanto a ministra Dilma Rousseff à fogueira, o doutrinador apazigua seu entendimento acerca da prática de se colher dividendos eleitorais a partir da inauguração de obras. Tal prática, palavras do doutrinador, "não foi inventada por Lula. É quase tão velha quanto a República, dificilmente será desentranhada de nossas rotinas, e só pode ser apontada como erro grave se contrariar a legislação eleitoral".
Mas por qual motivo o doutrinador, ó irmãos, com a mesma mão apedreja e afaga?
Por uma razão muito simples. Percival Puggina, do alto de seu tribunal inquisitório, condena ao apedrejamento moral todos os homens de pouca fé petistas, mas no final afaga e perdoa o erro de se colher dividendos eleitorais da inauguração de obras em geral, porque o seu Partido Progressista (PP) foi o único até agora flagrado em atos pecaminosos:
"Em reunião presenciada pela reportagem da Folha no Congresso Nacional", escreveu La Vieja na última quarta, 09, "o ministro das Cidades, Márcio Fortes, que é do PP, discutiu abertamente com deputados federais progressistas o uso das obras do PAC para beneficiar candidatos do partido nas eleições municipais deste ano".
Para quem não sabe, Percival Puggina, "preocupado com questões doutrinárias", criou e presidiu, de 1996 a 2004, "a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública", órgão vinculado ao Partido Progressista (PP) gaúcho. Atualmente, Puggina é o "diretor de doutrina" da referida fundação e integrante do diretório metropolitano do partido. Além disso, é membro do diretório e da executiva estadual do PP e de seu diretório nacional.
Ora, ora, vejam só... pois não é que o fervoroso temente a Deus, do alto de sua justeza moral e de sua retidão de caráter, monopólios católicos, usou de dois pesos e de duas medidas para julgar um mesmo pecado? Enquanto petistas são pecadores a serem crucificados em virtude de colherem dividendos eleitorais por conta da inauguração de obras do PAC, tal prática não é assim tão condenável quando correligionários de boa vontade dela se aproveitam. Essa é a única conclusão a que pode chegar um homem de pouca fé diante do total silêncio de Percival Puggina acerca dos pecados progressistas, muito embora, paradoxalmente, tenha o doutrinador escrito uma homilia condenando tal prática, aparentemente pecaminosa pelo menos enquanto praticada pelos mouros. Por que se cala o doutrinador diante da podridão no reino progressista? Por que a prática de se extrair dividendos eleitorais da inauguração de obras, embora revele que há algo de podre no reino petista, segundo o doutrinador, "só pode ser apontada como erro grave se contrariar a legislação eleitoral" - embora tal afirmação esteja errada, já que pode ferir tanto os princípios da impessoalidade e da moralidade, em administração pública - ?
Por isso, caríssimos irmãos. Porque o PP foi flagrado em pecado.
Daí, portanto, a conveniência de se condenar moralmente o comportamento de petistas e de se fazer vistas grossas ao comportamento de progressistas em seu sermão sobre a colheita de dividendos políticos a partir da inauguração das obras do PAC. Não foram os petistas Lula e Dilma Rousseff que disseram que "temos que rotular as obras do PAC como nossas" e que "a agenda de viagens deve potencializar e valorizar nossos candidatos", mas sim o ministro das Cidades, Márcio Fortes, que é do PP, o mesmo partido que, aqui no RS, tem como diretor de doutrina nosso personagem de hoje.
Aliás, o que homens tão puros quanto os progressistas fazem em um governo tão sujo? Os progressistas "de lá" não são tão puros quanto os "daqui", é isso? Ou acaso Puggina esqueceu que, como integrante do diretório nacional progressista, compactua com a "rede de sustentação do governo no Congresso", conforme o próprio doutrinador nutrida por parte das verbas sugadas pela União dos municípios e dos estados, dos homens de bem trabalhadores?
Um homem de pouca fé também perceberá que as referências depreciativas, pelo menos segundo a interpretação que La Vieja dá às intenções mais profundas do doutrinador, ao comportamento do presidente Lula em eventos de inauguração de obras do PAC também não são gratuitas. Ao se referir à tal comportamento como "vaivéns de pastor evangélico", Puggina também destila seu ódio fervoroso de homem de bem temente ao deus católico a tudo que não se conforma à doutrinação de sua igreja, depositória da verdade absoluta. O católico apostólico romano Percival Puggina, que acredita que crer na existência do deus católico é mais racional, seja lá o que isso for, do que nela não crer, embora para isso não apresente nenhum argumento que não seja refutado por um ateu de 12 anos, além de usar dois pesos e duas medidas para julgar questões nas quais estejam envolvidos seus correligionários, não respeita a diversidade religiosa. Percival Puggina, que aparentemente vê desvantagens no fato de livros científicos não conterem verdades reveladas, é a prova viva do quanto aqueles que se julgam os mais próximos de seu deus, o que lhes tornaria tão virtuosos quanto aos homens seria dado assim o ser, são também os mais próximos da intolerância.
Há tolerância, claro, para com o comportamento político dos doutrinados. Nesse caso, a ira de seu deus não atinge Sodoma e Gomorra e muito menos os vendilhões do templo.
Essa, portanto, ensina o doutrinador, é a política "como ela deve ser".
domingo, 13 de abril de 2008
Sobre paternidades e padrinhos

Dia desses, em "Sobre sensações", La Vieja perguntava a seus leitores se lembravam da famigerada sensação de segurança decretada via editorial pela Zero Hora logo ao alvorecer das políticas de segurança pública implementadas pelo novo jeito de governar.
Em 06 de fevereiro do ano passado anotava o RS Urgente:
"Pouco mais de um mês após o início do governo Yeda Crusius (PSDB), o jornal Zero Hora decreta hoje em seu editorial: a sensação de segurança da população já aumentou bastante. Sem apresentar nenhuma pesquisa de opinião a respeito, o jornal diz que se trata 'de um dado inequívoco'. 'Os cidadãos só se sentem protegidos quando vêem a polícia nas ruas', assinala o texto. O jornal festeja as primeiras estatísticas da criminalidade no Rio Grande do Sul em 2007, divulgadas ontem pela governadora e pelo secretário da Segurança, Enio Bacci (PDT). Segundo os números da polícia, 15 dos 21 tipos de crime analisados teriam registrado queda neste período. 'A Secretaria de Segurança está dando à população uma resposta à altura das demandas', diz ainda o editorial de ZH" (Os grifos são meus).
Pois bem. Tal editorial assinava embaixo das nascentes políticas de segurança pública da secretaria de Segurança do novo jeito de governar.
Como recordar é viver, com um pouquinho mais de esforço mnemônico descobrimos que entre tais políticas estava a não menos famigerada estratégia de metas da Brigada Militar gaúcha.
Do que diabos La Vieja está falando? Não serão falsas memórias? Alguém seria tão estúpido a ponto de estabelecer políticas de metas a serem atingidas em uma área socialmente sensível como a de segurança pública, ainda mais se sabendo que o salário básico de um policial militar é vergonhoso, o que poderia estimular uma competição entre soldados?
Vejamos, então, céticos de plantão, o que dizia o RS Urgente, em 11 de janeiro do ano passado, sobre a política de metas em segurança pública do novo jeito de governar:
"Cena em um futuro próximo. Dois brigadianos conversam em uma esquina de Porto Alegre.
- Tu já atingiu tua meta hoje?
- Bah, ainda não. Tô preocupado. O capitão vai chiar.
- Eu também. Vamos ter que dar um atraque em alguém.
- Na verdade, ainda precisamos fazer três até o fim do dia.
- Ou mais, se der. Se a gente ultrapassa a meta, aumenta o salário no fim do mês.
É isso aí. Os policiais militares gaúchos terão metas diárias a cumprir. Segundo o comando da Brigada, essas metas estarão relacionadas, em um primeiro momento, ao combate ao roubo de veículos. A competição entre os soldados será estimulada. Quem cumprir as metas com mais eficácia, ganhará um extra no fim do mês. Acredite se quiser" (Os grifos são meus).
E que mente brilhante estava por trás de tal estratégia, caríssimos leitores?
Acertou na mosca quem lembrou do coronel machão, aquele mesmo que participa de abraços simbólicos, organizados por produtoras rurais ligadas à Farsul, a fazendas suspeitas de terem sido adquiridas ilegalmente por multinacionais através de empresas laranja. Ainda segundo Marco Weissheimer então escrevia, "O idealizador do projeto, coronel Paulo Roberto Mendes, explica-se: 'Vamos dar metas para o combate ao crime. Se não forem cumpridas, a população não vai cobrar de mim, e sim do executor, que é cada comandante. Quero resultados'. 'A população não vai cobrar de mim' é ótimo. O coronel só admite que seus subordinados sejam cobrados. Ele fixa as metas e quer resultados. Tipo gerente da Wall Mart. Os policiais serão estimulados a competir entre si" (Os grifos são meus).
"Não é difícil prever o que vai acontecer, se esse plano for mesmo executado", lucidamente vaticinava então Marco Weissheimer. "A prioridade dos policiais será competir entre si, ver quem prende mais, quem faz mais abordagens, quem mata mais bandidos, talvez. A cada mês serão destacados os policiais e batalhões que obtiveram melhor desempenho. O espírito do governo Yeda vai se materializando em todos os setores. Aos poucos, a Constituição vai sendo substituída por idéias gerenciais que prometem fazer do Estado uma empresa eficiente" (Os grifos são meus).
Vejam os senhores, caríssimos leitores, que pouco menos de um mês após o anúncio da tresloucada estratégia de segurança do coronel machão, escrevia Zero Hora uma apologia gratuita travestida de editorial às então nascentes políticas de segurança pública do novo jeito de governar, inclusive cunhando o que seria uma das mais infelizes expressões da história do jornalismo gaúcho, não fosse um mero factóide: a famigerada "sensação de segurança", da qual até hoje ninguém teve notícias e não se sabe ainda se é de comer ou não. A única contestação a tais estratégias de segurança pública vinha então de blogs da mídia livre. Zero Hora se comportava como um legítimo cidadão de bem, aplaudindo acriticamente mesmo estratégias de segurança pública contestáveis sob vários aspectos.
Pois bem, voltemos para o presente. Mais especificamente para 12 de abril último, quando reportagem do jornal O Pioneiro, do Grupo RBS, denunciou que "O Comando Regional de Policiamento Ostensivo da Serra (CRPO/Serra) está produzindo relatórios falsos de veículos abordados em blitze em Caxias do Sul", esquema que "vem ocorrendo há pelo menos dois meses, com o objetivo de aumentar a produtividade da unidade da Brigada Militar (BM) na região" (O grifo é meu).
Ora, ora... Pois não é que os detratores das tresloucadas políticas de segurança pública do novo jeito de gerenciar o estado como uma empresa eficiente estavam corretos?
Em janeiro, continua ZH, "quando assumiu o CRPO/Serra, o tenente-coronel Jones Barreto dos Santos disse ter vistoriado 181.316 veículos na região. Em março, com o mesmo de policiais, o número saltou para 453.266".
Dentre as fraudes descobertas pela reportagem estaria o recolhimento, por soldados, de comprovantes de estacionamento de veículos em um hipermercado de Caxias do Sul, cujas placas seriam posteriormente lançadas em planilhas por telefonistas do CRPO que tiram serviço de 24 horas. Um soldado denunciou já ter copiado placas de veículos anunciados em classificados de jornal a fim de cumprir as metas estabelecidas pelo comando regional da serra. Carros furtados e com o IPVA vencido também estariam entre os veículos supostamente abordados, o que configuraria uma situação no mínimo surreal, já que deveriam ter sido apreendidos caso tivessem sido abordados em alguma barreira policial. Até veículos que nunca estiveram em Caxias do Sul apareceram entre as estatísticas do comando regional serrano, ainda segundo as denúncias de Guilherme Pulita.
Na manhã de ontem estiveram reunidos o secretário da Segurança Pública do novo jeito de governar, José Francisco Mallmann, e o comando da BM no Estado, a fim de avaliar a situação. Foi determinada a abertura de inquérito policial militar para apurar as denúncias.
Até onde La Vieja sabe, ninguém em tal reunião quis assumir publicamente a paternidade de tal estratégia de política de metas em segurança pública.
Quem lê blogs no RS, no entanto, não fica sem essa informação, sonegada por ZH. Tal estratégia parece jamais ter estado na história recente de nossas políticas de segurança pública. Ninguém dela mais parece se lembrar, e muito menos dos recentes editoriais escritos em seu louvor.
Para uma aparentemente amnésica Zero Hora, os comandos regionais da BM que apresentam os maiores números de veículos abordados, prisões efetuadas e armas apreendidas estão sendo premiados pelo estado desde dezembro último.
Porém, quem lê o RS Urgente e conferiu acima o levantamento de La Vieja sabe que tal política foi gestada, na verdade, no alvorecer do novo jeito de governar. Tal política, portanto, não caiu do céu em dezembro último, ao contrário do que sugere o jornal. Ela tem nome, sobrenome, pai e padrinho, que inclusive se encarregou de saudar seu surgimento via editorial. Será que agora também irá escrever seu obituário?
Até agora, no entanto, nenhum editorial de Zero Hora lembrou a seus leitores que o jornal assinou embaixo de tais políticas desde seu surgimento. Também não houve nenhum manifestação do jornal a fim de esclarecer se essa peculiar estratégia de metas adotada pelo comando regional serrano da BM faz parte da famosa sensação de segurança da qual nos falava ZH quando louvava, ainda no começo do ano passado, as políticas de segurança pública então recém implementadas pelo novo jeito de governar, entre as quais se encontrava tal política de metas.
Mas o que La Vieja gostaria mesmo de ver é se tal fraude tivesse ocorrido durante o governo Olívio Dutra (1999-2002). Todos estão lembrados da irresponsabilidade pública e do escândalo que o Grupo RBS fez em cima da bandeira dos alcunhados pardais faturadores, levantada pela então oposição, hoje situação no governo estadual.
E então? onde estão os editoriais de ZH condenando toda a política de segurança pública do novo jeito de governar? Onde estão as intervenções diárias de Lasier Martins sobre o escândalo dos relatórios falsos faturadores? E agora, alguém em sã consciência é ainda capaz de defender políticas de metas em segurança pública?
(No retrato,à direita, o coronel Paulo Roberto Mendes Rodrigues, subcomandante-Geral da Brigada Militar, acompanhado pelo major Mário Maciel, seu Ajudante de Ordens, então em visita de cortesia ao Tribunal de Justiça Militar por ocasião de sua posse, em 03 de janeiro do ano passado. Na ocasião, o coronel Mendes expôs aos magistrados Octavio Augusto Simon de Souza e Sérgio Antônio Berni de Brum, respectivamente presidente e vice do referido tribunal, as estratégias que então seriam implementadas pelo comando da BM. Entre elas, o aumento da produtividade operacional, vulgo política de metas)
Promoção imperdível!

La Vieja irá aproveitar o momento cultural abaixo para lançar uma promoção supimpa.
O fiel leitor, ou mesmo aquele que por aqui cai por acaso, em virtude das armadilhas semânticas de La Vieja, que nos comentários a essa postagem apresentar a melhor definição para a expressão "Almofadinha com MBA" leva uma sacola de compras reutilizável do Mercado Público de Porto Alegre, uma bela lembrança da capital gaúcha, além da última edição do Varanda Cultural. De quebra, um retrato de La Vieja autografado, que, evidentemente, pode ser dispensado do pacote pelo vencedor da promoção.
Então é isso: a melhor definição da expressão "Almofadinha com MBA" leva a sacola ecologicamente correta do Mercado Público porto-alegrense, disponível nas duas cores acima, ideal para compras em feiras e pequenas compras em mercados, e a última edição do Varanda. O departamento de premiações do blog entrará em contato por email com o vencedor da promoção e despachará o mimo para qualquer lugar do planeta, livre de qualquer custo para o autor da melhor definição, que La Vieja não é mão-de-vaca a ponto de criar uma promoção e fazer alguém pagar algo por ela, ainda mais quando se corre o risco de se ganhar de lambuja um seu retrato.
Portanto, se alguém não suporta mais engomadinhos assépticos metidos a gatinhos e com gel até às ventas discursando no Fórum da Liberdade sobre as virtudes do liberalismo e o fim da história, em geral sem nenhum conhecimento de causa, a hora da vingança chegou. Só não me deixem mal na foto, pois senão os almofadinhas da ala jovem do PIG irão confirmar sua tese de que La Vieja só tem mesmo meia dúzia de leitores. Então, pelo menos esses seis, desde já, estão convocados para a promoção.
Ou La Vieja começa a falar bem do governo Yeda Crusius e publicar aqui os textos e as lições de filosofia do Olavo de Carvalho. Ou, na pior das hipóteses, os editoriais diários da Zero Hora. Na íntegra.
A promoção dura até o próximo sábado, 20, quando então será anunciado, com banda de música, seu grande vencedor. Se bem que ela pode durar até La Vieja achar que o número de comentários foi suficiente, o que pode durar um bom tempo, ou até ela entrar em contato com um amigo que aceite se passar por várias pessoas e que apresente várias definições.
Então, sejam criativos. A comissão julgadora será formada por mim e por La Vieja. Em caso de empate, ouviremos as vozes.
Varanda Cultural

Já saiu do prelo a 6ª edição do Varanda Cultural, que neste seu segundo ano conta com o diferencial de ter sido um dos projetos culturais aprovados pelo Fumproarte, da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre.
César Camargo e Cristiane de Freitas são os responsáveis pela criação e execução do projeto, que tem distribuição gratuita e tiragem de 10 mil exemplares.
Esta 6ª edição do Varanda traz como destaque os depoimentos dos chargistas Santiago e Kayser a respeito dos episódios de censura que culminaram com a demissão de ambos, e também do Moa, do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. De quebra, uma imperdível entrevista com o Kayser e as charges de ambos censuradas pelo jornal.
Imperdíveis também as matérias sobre os 18 anos de teatro do Grupo Falos & Stercus e os 17 da Cia Gente Falante - Teatro de Bonecos.
No cenário musical, entrevista com Pedro Pastoriz, da X-Galinha, e uma matéria sobre a Central do Samba, integrante do Instituto Brasilidades, e sobre o Grupo Afro-Sul, instituto gaúcho de promoção e divulgação da cultura negra. O Afro-Sul proporciona a jovens e crianças de rua, através de cursos, oficinas e vivência cotidiana, a aprendizagem e a prática da cultura afro-brasileira e gaúcha e mantém o Bloco Afro Odomodê.
Também merecem destaque as matérias sobre Adriana Xaplin, escultora porto-alegrense que ultimamente desenvolve um interessantíssimo trabalho explorando a figura humana, e sobre o trabalho do artista plástico Ramiro Carlos Borges.
No mais, dicas da programação teatral e musical de Porto Alegre, um artigo de Mariah de Oliviéri discutindo a expressão da angústia através da arte, charges do cartunista e escritor José Fraga e um artigo de La Vieja discutindo a mídia e os movimentos sociais, no espaço "Mídia em Debate".
A charge que abrilhanta a capa dessa edição do Varanda (reproduzida acima), de Eugênio Neves, foi recentemente premiada no 6th FreeCartoonsWeb International Cartoonet Festival-2007, na China. Trata-se de um trabalho brilhante, incontestavelmente.
Contatos através do email varandacultural@gmail.com
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Ainda sobre financiamentos públicos a multinacionais
O lucro líquido da Siderúrgica Gerdau, em 2007, foi de R$ 4,31 bilhões;
- Ainda no final do ano passado, a Gerdau comprava a estadunidense Quanex Corporation, segunda maior produtora de aços especiais nos Estados Unidos, por US$ 1,458 bilhão;
- Em fevereiro último, a multinacional gaúcha comprou 50,9% de participação na colombiana Cleary Holdings, controladora de unidades de produção de coque metalúrgico e de reservas de carvão coqueificável, por US$ 59 milhões;
- Ainda em fevereiro, a Gerdau comprou 49% do capital social da Holding Corsa Controladora, empresa com sede na Cidade do México, detentora de 100% do capital social da Aceros Corsa e controladora de duas distribuidoras de produtos siderúrgicos, por US$ 110,7 milhões;
- No início de abril, a Gerdau Ameristeel, unidade do grupo Gerdau na América do Norte, comprou a estadunidense Century Steel, especializada na construção e montagem de estruturas metálicas, por US$ 152 milhões;
- Ainda neste mês, a siderúrgica Diaco, unidade da Gerdau na Colômbia, comprou parte dos ativos de laminação da Aceros Boyaca y Procesos, por US$ 19,2 milhões.
Recentemente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma instituição estatal de fomento, concedeu crédito de R$ 900 milhões ao grupo Gerdau.
Por que cargas d'água uma empresa que lucra R$ 4,3 bi precisa de financiamento público para expandir seus negócios no exterior? E por qual motivo um banco público de fomento, que em tese deveria incentivar, antes de qualquer coisa, o desenvolvimento nacional interno, precisa conceder crédito a uma multinacional que, em função de sua sanha capitalista, cada vez mais expande seus negócios no exterior, portanto gerando empregos e divisas no exterior, e que tem todas as condições de andar com as próprias pernas?
E por que a Siderúrgia Gerdau, propriedade de Jorge Gerdau Johannpeter, ícone entre liberais e homem que em seus contatos com as autoridades não se cansa de pedir por mais e mais mercado, não toma financiamentos em instituições privadas que concorrem entre si nesse tão incensado e necessário deus mercado?
- Ainda no final do ano passado, a Gerdau comprava a estadunidense Quanex Corporation, segunda maior produtora de aços especiais nos Estados Unidos, por US$ 1,458 bilhão;
- Em fevereiro último, a multinacional gaúcha comprou 50,9% de participação na colombiana Cleary Holdings, controladora de unidades de produção de coque metalúrgico e de reservas de carvão coqueificável, por US$ 59 milhões;
- Ainda em fevereiro, a Gerdau comprou 49% do capital social da Holding Corsa Controladora, empresa com sede na Cidade do México, detentora de 100% do capital social da Aceros Corsa e controladora de duas distribuidoras de produtos siderúrgicos, por US$ 110,7 milhões;
- No início de abril, a Gerdau Ameristeel, unidade do grupo Gerdau na América do Norte, comprou a estadunidense Century Steel, especializada na construção e montagem de estruturas metálicas, por US$ 152 milhões;
- Ainda neste mês, a siderúrgica Diaco, unidade da Gerdau na Colômbia, comprou parte dos ativos de laminação da Aceros Boyaca y Procesos, por US$ 19,2 milhões.
Recentemente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma instituição estatal de fomento, concedeu crédito de R$ 900 milhões ao grupo Gerdau.
Por que cargas d'água uma empresa que lucra R$ 4,3 bi precisa de financiamento público para expandir seus negócios no exterior? E por qual motivo um banco público de fomento, que em tese deveria incentivar, antes de qualquer coisa, o desenvolvimento nacional interno, precisa conceder crédito a uma multinacional que, em função de sua sanha capitalista, cada vez mais expande seus negócios no exterior, portanto gerando empregos e divisas no exterior, e que tem todas as condições de andar com as próprias pernas?
E por que a Siderúrgia Gerdau, propriedade de Jorge Gerdau Johannpeter, ícone entre liberais e homem que em seus contatos com as autoridades não se cansa de pedir por mais e mais mercado, não toma financiamentos em instituições privadas que concorrem entre si nesse tão incensado e necessário deus mercado?
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Sobre enfrentamentos, ainda

Recentemente, falando sobre enfrentamentos, La Vieja afirmou que "no dia 08 de março ocorreu, em São Paulo, um encontro que reuniu jornalistas, professores e ativistas na área da comunicação a fim de debater a luta contra a hegemonia conservadora na construção e disseminação da informação".
Uma das conclusões de tal encontro, relembra La Vieja, "foi a necessidade de se organizar um evento nacional, precedido de encontros regionais preparatórios, que possa dar conta de uma estratégia articulada de enfrentamento à hegemonia de nossa mídia oligárquica sem que, no entanto, se percam as principais virtudes daquilo que hoje, graças em muito às novas tecnologias de informação, pode ser chamado de mídia alternativa, independente, marginal ou livre: sua diversidade e sua pluralidade".
O primeiro encontro regional de Porto Alegre, convocado pelo Dialógico, dando seguimento ao de São Paulo, ocorreu no dia 20 de março último. O relatório desse encontro está à disposição na Carta Maior.
O segundo encontro regional de Porto Alegre ocorrerá hoje, na Assembléia Legislativa.
Pois bem. O evento nacional ao qual La Vieja se referiu acima já tem nome e sobrenome. O I Fórum Mídia Livre será realizado nos dias 17 e 18 de maio, na UFRJ, no Rio de Janeiro.
No último dia 04, sexta, ocorreu o encontro regional do Rio de Janeiro, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Segundo a Agência Petroleira de Notícias, "O vice-presidente da República José Alencar destacou o Fórum da Mídia Livre, que se reuniu no Rio no último dia 4/4, como um dos eventos recentes mais importantes que aconteceram na Associação Brasileira de Imprensa (ABI)".
O destaque ocorreu durante o discurso de José Alencar no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em comemoração ao aniversário de 100 anos da ABI.
Para Rodrigo Brandão, que fazia a cobertura do evento, as declarações do vice-presidente são um sinal de apoio às propostas do Fórum, vindo do Palácio do Planalto e do chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Franklin Martins.
José Alencar teria dito, textualmente, que "a ABI continua a se destacar por ser palco de importantes articulações de movimentos sociais, populares e nacionalistas. Na última semana, recebeu a primeira reunião no Rio de Janeiro do Fórum de Mídia Livre".
As declarações do vice-presidente da República também repercutiram no Blog do Rovai.
Já há burburinhos nas redações dos grupos midiáticos oligárquicos, dizem as más línguas.
Abaixo, La Vieja publica o manifesto do I Fórum Mídia Livre, publicado também pelo próprio Renato Rovai, editor da revista Fórum outro mundo em debate, pela Agência Petroleira de Notícias e pelo Observatório do direito à comunicação. Na Carta Maior o manifesto também está disponível, porém com as assinaturas dos jornalistas e entidades que desde já aderiram ao manifesto, embora ele
esteja em discussão e deva ser revisto no encontro nacional do Rio.
"Manifesto da Mídia Livre
O setor da comunicação no Brasil não reflete os avanços que ao longo dos últimos trinta anos a sociedade brasileira garantiu em outras áreas. Isso impede que o país cresça democraticamente e se torne socialmente mais justo.
A democracia brasileira precisa de maior diversidade informativa e de amplo direito à comunicação. Para que isso se torne realidade, é necessário modificar a lógica que impera no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos.
Não se pode mais aceitar que os movimentos sociais que conquistaram muitos dos nossos avanços democráticos sejam sistematicamente criminalizados, sem condições de defesa, pela quase totalidade dos grupos midiáticos comerciais. E que não tenham condições de informar suas posições com as mesmas possibilidades e com o mesmo alcance à disposição dos que os condenam.
Um Estado democrático precisa assegurar que os mais distintos pontos de vista tenham expressão pública. E isso não ocorre no Brasil.
Também precisa criar um amplo e diversificado sistema público de comunicação, no sentido de produzido pelo público, para o público, com o público. Tal sistema deve oferecer à sociedade notícias e programação cultural para além da lógica do mercado.
Por fim, um Estado democrático precisa defender a verdadeira liberdade de imprensa e de acesso à informação, em toda sua dimensão política e pública. E ela só se dá quando cidadãos e grupos sociais podem ter condições de expressar idéias e pensamentos de forma livre, e de alcançar de modo equânime toda a variedade de pontos de vista que compõe o universo ideológico de uma sociedade.
Para que essa luta democrática se fortaleça, os que assinam este manifesto convidam a todos que defendem a liberdade no acesso e na construção da informação a participarem do I FÓRUM MÍDIA LIVRE, que se realizará na Universidade Federal do Rio de Janeiro, nos dias 17 e 18 de maio de 2008.
Os que assinam esse manifesto apresentam a seguir algumas propostas e idéias que, entre outras, serão debatidas no FÓRUM MÍDIA LIVRE.
Nós nos declaramos a favor de que:
- O Estado atue no sentido de garantir a mais ampla diversidade de veículos informativos, da total liberdade de acesso à informação e do respeito aos princípios da ética no jornalismo e na mídia em geral;
- Se realize com a maior urgência a Conferência Nacional de Comunicação que discutirá, entre outras coisas, um novo marco regulatório para o setor, com o objetivo de limitar a concentração do mercado e a formação de oligopólios;
- A inclusão digital seja tratada com a prioridade que merece e que o investimento nela possibilite o acesso a canais em banda larga a toda a população, para que isso favoreça redes comunitárias (WiFi) e faixas em espectro livre;
- As verbas de publicidade e propaganda sejam distribuídas levando em consideração toda a ampla gama de veículos de informação e a diversidade de sua natureza; que os critérios de distribuição sejam mais amplos, públicos e justos, para além da lógica do mercado; e que ao mesmo tempo o poder público garanta espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, nas suas sinopses e outros meios semelhantes;
- O Estado brasileiro atue no sentido de apoiar as iniciativas das rádios comunitárias e não o contrário, como vem acontecendo nos últimos anos;
- O Estado brasileiro considere a possibilidade de a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos atue na área de distribuição de periódicos, criando uma nova alternativa nesse setor;
- O Cade intervenha no atual processo de concentração de distribuição de periódicos impressos, evitando a formação de um oligopólio que possa atingir a liberdade de informação;
- A Universidade dê sua contribuição para a democracia nas comunicações, em seus cursos de graduação e pós-graduação em Comunicação Social, formando profissionais críticos que possam contribuir para a produção e distribuição de informação cidadã;
- A revisão do processo de renovação de concessões públicas de rádio e TVs, já que nos moldes atuais ele não passa por nenhum controle democrático, o que possibilita pressões e negociações distantes das idéias republicanos, levando à formação de verdadeiras capitanias hereditárias na área;
- A sistematização e divulgação de demonstrativos das despesas realizadas com publicidade pelo Judiciário, pelo Legislativo e pelo Executivo, nas diferentes esferas de governo;
- A definição de linhas de financiamento para o aporte tecnológico e também para a constituição de empreendimentos da mídia livre e sem fins lucrativos com critérios diferentes do que as concedidas à mídia corporativa e comercial; e que isso seja realizado com ampla transparência do montante de recursos, juros e critérios para a obtenção de recursos.
Finalmente, pensamos que há condições para que o movimento social democrático brasileiro e também os veículos da mídia livre mobilizem recursos e esforços para constituir um portal na internet, capaz de abrigar a diversidade das expressões da cidadania e de garantir a máxima visibilidade às iniciativas já existentes no ciberespaço".
Sobre usos múltiplos

Germano Rigotto, o meigo, elegeu-se governador pelo PMDB (2003-2006) prometendo um posto de saúde a cada quilômetro no RS.
A tucana Yeda Crusius, por sua vez, elegeu-se governadora nas últimas eleições prometendo um açude e/ou poço artesiano em cada propriedade rural gaúcha.
O objetivo de tal promessa seria acabar, ou ao menos apaziguar, com o problema da estiagem, que há dez anos castiga produtores rurais gaúchos principalmente na região da produção.
Uma de suas primeiras providências, em função disso, foi a criação da pomposa Secretaria Extraordinária da Irrigação e Usos Múltiplos da Água.
Até agora, no entanto, nada foi feito. Os produtores rurais gaúchos, novamente atingidos pela seca, bem que gostariam de fazer usos múltiplos da água, porém de bom grado já se contentariam se ao menos o novo jeito de governar cumprisse suas promessas de campanha.
Segundo informa a Zero Hora, "Já chega a 80 o número de municípios que encaminharam decreto de situação de emergência à Defesa Civil Estadual" em função da estiagem. Em alguns municípios já falta água para consumo humano e cerca de 650 mil pessoas estão sofrendo com os efeitos da seca, principalmente nas regiões norte e noroeste do estado. Até o abastecimento de água em Caxias do Sul, na serra gaúcha, está em risco, ainda segundo ZH.
Ainda ontem, no Jornal do Almoço, em alguns dos parcos minutos diários a que o Grupo RBS tem direito em função de ser um mero retransmissor de conteúdos produzidos pela Rede Globo, o subchefe da Defesa Civil gaúcha, tenente coronel Marco Aurélio da Silva Forlin, afirmou que o novo jeito de governar tem se esforçado para resolver o problema da estiagem que novamente atinge o estado. O governo da Rainha das Pantalhas, disse Forlin, "tem contribuído no sentido de agilizar a documentação necessária a fim de produtores rurais gaúchos obterem, junto a programas federais, linhas de crédito destinadas à construção de açudes".
Bem, mas até onde La Vieja lembre, o novo jeito de governar não foi eleito com a promessa de agilizar documentos, mas sim de construir açudes e poços artesianos. Há uma diferença do tamanho do Aqüífero Guarani entre uma e outra coisa. E como se os agricultores gaúchos, que todo ano encaminham toda a documentação necessária à obtenção de financiamentos públicos, fossem arigós o suficiente a ponto de precisarem de tal agilização.
Porém, nem só da agilização de documentação vive o novo jeito de agilizar. Nem tudo está perdido, como podemos ver.
Também vive o novo jeito de enrolar produtores rurais de renovação de promessas.
Ainda na última terça, 08, o Secretário Extraordinário da Irrigação e Usos Múltiplos da Água, Rogério Porto, em debate em Pelotas com prefeitos da região centro-sul do estado, "propôs a construção de microaçudes através da parceria entre Estado, municípios e produtores".
Porto, portanto, renovou as promessas de campanha do novo jeito de governar, nada além disso.
Outras secretarias de governo também têm feito sua parte. Ainda em março passado, "O secretário-geral de Governo, Delson Luiz Martini, o chefe da Casa Militar, coronel Edson Ferreira Alves, os secretários da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, João Carlos Machado, e da Habitação, Saneamento e Desenvolvimento Urbano, Marco Alba, e o comandante da divisão de Apoio Técnico da Defesa Civil, capitão Luis Fernando Santos Carlos", reuniram-se para "analisar a situação da estiagem nas diferentes regiões do Estado".
Seria bom que o governo Yeda Crusius mostrasse a que veio. De agilização de documentação, de renovação de promessas de campanha e de análises da situação da estiagem os agricultores gaúchos já estão cheios.
Enquanto não providencia um modo de agricultores terem acesso à irrigação e aos tão falados usos múltiplos da água, o novo jeito de governar mostra como se faz o uso múltiplo de explicações furadas.
(No retrato, área supostamente abrangida pelo Aqüífero Guarani)
Sobre amizades

"Já cansei de visitar amigos na cadeia" (O grifo é meu).
De João Luiz Vargas, ex-deputado estadual pelo PDT e atual presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em entrevista à Zero Hora de hoje, tentando justificar sua recente visita ao apartamento de José Fernandes, dono da Pensant, empresa apontada pela Polícia Federal como mentora da fraude que lesou os cofres públicos gaúchos, através do Detran, em mais de R$ 40 milhões.
Mas está bem de amigos o presidente do TCE gaúcho...
Sobre grandes missões educativas

Segundo informou ontem a Zero Hora, o papa Bento XVI tentará curar as feridas causadas pelos casos de abuso sexual praticados pelo clero estadunidense durante sua passagem pelo país na próxima semana.
Segundo o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, "a crise iniciada pelos escândalos vêm causando tanto sofrimento às vítimas, às suas famílias e a todos os membros da Igreja porque são uma contradição em relação à grande missão educativa da instituição".
Joseph Ratzinger, para alguns o Papa Bento XVI, supremo líder espiritual da Igreja Católica Apostólica Romana e também chefe de Estado do Vaticano, representante do deus católico entre os homens de boa vontade, antes de levar sua mensagem de esperança aos estadunidenses vítimas das sevícias do clero talvez tenha algo a dizer sobre essa grande missão educativa da igreja.
Ele poderia começar dizendo, por exemplo, que em nome de tal missão "desempenhou um papel de peso na ocultação sistemática de casos de abusos sexuais contra menores cometidos por padres católicos", segundo o documentário da BBC intitulado "Sexo, Crimes e o Vaticano".
Durante mais de 20 anos o atual papa foi o encarregado de zelar pela obediência aos termos do antes secreto documento "Crimen Sollicitationis", escrito em latim em 1962 a fim de instruir bispos a como "lidar com acusações de abusos sexuais cometidos por padres em suas paróquias" e "distribuído a bispos do mundo inteiro, com a recomendação de que fosse guardado a sete chaves".
O referido documento obrigava vítima, acusado e eventuais testemunhas a jurarem sigilo absoluto, sob pena de excomunhão, sobre os casos de abuso sexual cometidos por padres contra menores investigados pela igreja católica.
Um dos acusados, o padre Joseph Henn, indiciado em um tribunal nos Estados Unidos por 13 acusações de abusos, inclusive hoje vive no Vaticano.
Joseph Ratzinger poderia aproveitar essa proximidade com Joseph Henn a fim de elaborar essa mensagem de esperança que pretende levar aos fiéis estadunidenses. Poderia começar explicando por que Henn vive hoje no Vaticano e não mais nos EUA.
Ainda conforme ZH, desde os anos 50 foram registradas nos EUA "cerca de 14 mil denúncias de abuso sexual contra a Igreja Católica (...)". A mais recente crise "começou há seis anos, em Boston, onde o cardeal Bernard Lay acabou por renunciar ao seu cargo de arcebispo".
Boston não está no itinerário de Joseph Ratzinger.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
II Encontro pela mídia livre
Reunião para discutir propina do Dentranduto teria ocorrido em gabinete de deputado integrante da CPI
Segundo informa o jornalista Júlio Prates, é grande em Santiago, interior do RS, a repercussão da informação, veiculada hoje através da Rádio Gaúcha e publicada no blog Direto da Fonte, de Giovani Grizotti, de que teria ocorrido no gabinete do deputado estadual Marco Peixoto (PP), membro da CPI do Detran, reunião para discutir divisão de propina entre três envolvidos no esquema de corrupção descoberto no departamento, responsável pelo desvio de mais de R$ 40 milhões dos cofres públicos gaúchos.Silvestre Selhorst, ex-secretário executivo da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec), Luiz Carlos de Pellegrini, então presidente da Fatec, e Ferdinando Fernandes, um dos sócios da empresa Pensant Consultores, teriam participado da referida reunião no ano passado.
O sistema informatizado de controle de visitas à Assembléia Legislativa gaúcha mostrou que os três ingressaram na casa entre 11h16min e 11h18min do dia 09 de maio de 2007. Ainda segundo a Zero Hora, "Os três declararam a recepcionistas que iriam ao gabinete do deputado Marco Peixoto (PP)".
Marco Peixoto é titular da CPI do Detranduto, que investiga o desvio de mais de R$ 40 milhões dos cofres públicos gaúchos. O deputado progressista afirmou sequer conhecer Selhorst, Fernandes e Pellegrini e que não se lembra de tê-los recebido.
(No retrato, o deputado progressista Marco Peixoto)
Antes só do que mal acompanhado
Reportagem da Folha de São Paulo de hoje escancara o uso eleitoreiro do Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC) pelo PP, partido da base aliada do governo Lula.Em reunião presenciada pela reportagem da Folha no Congresso Nacional, o ministro das Cidades, Márcio Fortes, que é do PP, discutiu abertamente com deputados federais progressistas o uso das obras do PAC para beneficiar candidatos do partido nas eleições municipais deste ano.
No encontro, segundo a Folha, "deputados federais disseram que a agenda de viagens do ministro deve valorizar candidatos nas eleições de outubro e de 2010 e que as obras do PAC precisam ser vistas como do partido".
O ministro ainda teria dito que "Temos que rotular as obras do PAC como nossas" e que "a agenda de viagens deve potencializar e valorizar nossos candidatos". Só no mês passado, Fortes participou de nove solenidades de inaugurações de obras do referido projeto.
O ministro foi festejado pelos presentes na reunião, em ares de deboche, como o "operador do PAC".
O ministro Márcio Fortes publicamente violou dois princípios básicos da administração pública: indiretamente o da impessoalidade - pois promove o PP e os candidatos progressistas às custas de obras do PAC - e abertamente o da moralidade. Merece, por isso, demissão imediata. É inadmissível que um governo comprometido com o interesse público, como se quer o governo petista, possa conviver com tal afronta à cidadania e ao republicanismo e tolerar a violação escancarada e debochada de princípios basilares da administração pública.
É preciso se evitar, entretanto, o clima de "dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és" que pode ser instalado em função de tal condenável comportamento do ministro das Cidades. A maioria das obras do PAC são fundamentais para projetos regionais de desenvolvimento e não podem ser mensuradas em função do comportamento imoral do ministro progressista. Portanto, o governo precisa dar uma resposta urgente e incisiva à tal escárnio institucional à cidadania. Ademais, o governo Lula estava ciente, ou ao menos deveria estar, de todos os riscos envolvidos em se lançar um programa de tal natureza em ano eleitoral.
Ainda mais tendo o PP, fisiologista e clientelista por natureza, em sua base de apoio e à frente do ministério que controla uma das principais verbas do PAC.
La Vieja acredita que, nesse caso, mais valeria o dito "antes só do que mal acompanhado".
(No retrato, fac-símile da manchete de capa da edição impressa da Folha de hoje)
Sobre o triunfo dos interesses das papeleiras

Hoje é um dia fundamental para os interesses das papeleiras no RS, atualmente representados pelo novo jeito de governar.
Segundo informa a EcoAgência, o Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA), em reunião extraordinária, examinará hoje a proposta final de Zoneamento Ambiental para a Atividade de Silvicultura no RS (ZAS), a ser apresentada pela Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) e pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM) com as devidas mudanças introduzidas pelas câmaras técnicas do referido conselho na proposta original elaborada pela FEPAM.
As mudanças introduzidas pelas câmaras técnicas do CONSEMA desagradaram enormemente as ONGs gaúchas ligadas ao setor. Ainda segundo a EcoAgência, a referida proposta deverá ser aprovada hoje "a menos que uma reviravolta aconteça".
Entre os defensores das agora flexibilizadas regras para a atividade de silvicultura contidas na nova proposta estão, além do novo jeito de governar e das papeleiras, "as federações da Agricultura (Farsul) e das Indústrias do Estado (Fiergs)".
Como se sabe, as regras para licenciamento ambiental para a atividade de silvicultura aqui no RS, estabelecidas pelos estudos técnicos da FEPAM, não estavam suficientemente claras para os interesses das empresas que financiaram a campanha eleitoral da tucana Yeda Crusius. Tanto que, a fim de atender a tais interesses, atribuições antes exclusivas da referida fundação foram transferidas para a secretaria estadual do Meio Ambiente, um órgão de governo sob controle e longe dos olhos de alguns integrantes do Conselho Estadual do Meio Ambiente, como La Vieja havia denunciado ainda em dezembro último.
Restrições ao eucalipto foram retiradas da proposta de zoneamento da silvicultura mês passado
A referida votação deveria ter ocorrido ainda na última sexta, 04, em reunião do CONSEMA, mas o conselheiro Flávio Lewgoy, representante da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e um veterano das lutas ambientais, com base no regimento do conselho, pediu vistas à matéria em função da referida reunião ter sido convocada por edital com apenas três dias de antecedência. As sugestões das câmaras técnicas do referido conselho à proposta original do ZAS também não teriam chegado às suas mãos a tempo de serem examinadas, ainda segundo a Ecoagência.
Muito a contragosto, o presidente do conselho e secretário do Meio Ambiente do novo jeito de governar, Carlos Otaviano Brenner de Moraes, acatou a solicitação, convocando nova reunião para hoje, quarta-feira, 09.
Ainda nessa reunião de sexta, representantes da Agapan e das ONGs Amigos da Terra e Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (INGÁ) divulgaram carta aberta dirigida ao secretário Brenner de Moraes apelando, basicamente, para que sejam mantidas as limitações ao plantio de florestas exóticas (pinus e eucalipto) no ZAS, limitações essas que haviam sido acordadas, por consenso, nas reuniões da Câmara Técnica de Biodiversidade e Política Florestal do CONSEMA.
Na referida carta também foi feita a denúncia de que Ana Pellini, presidenta da FEPAM, teria promovido uma espécie de manobra política intervencionista em reunião da referida câmara técnica em 18 de março último. Ela teria se apresentado no lugar do conselheiro que vinha representando a FEPAM e, junto com representantes dos setores empresariais, retirado do documento todas as principais restrições ao plantio de eucalipto e pinus consensualmente aprovadas anteriormente pelos integrantes da câmara. E, mais grave ainda, Ana Pellini teria votado no lugar do representante da FEPAM na referida reunião sem ter sido designada para representá-lo.
Segundo Paulo Brack, representante do INGÁ e integrante do CONSEMA, "foram retirados os elementos mais importantes do zoneamento: 1) os percentuais possíveis de se plantar em cada Unidade de Paisagem Natural (UPN); 2) a limitação do tamanho dos maciços de eucalipto e pinus; e 3) a definição do distanciamento entre estes maciços".
Votação de hoje é decisiva para os interesses das papeleiras
São esses os três pontos que, basicamente, dividirão as opiniões dos representantes do novo jeito de governar, de empresas papeleiras, de ONGs ambientalistas e dos técnicos dos órgãos ambientais gaúchos, FEPAM E SEMA, na reunião de votação de hoje do CONSEMA, que será aberta ao público e começará às 14h no auditório da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, na rua Carlos Chagas, 55, centro de Porto Alegre.
Conforme a EcoAgência, pela proposta original de zoneamento ambiental para a atividade de silvicultura no RS elaborada pelos técnicos da FEPAM, "seriam levadas em consideração as condições de hidrologia, relevo, vegetação, fauna e outros critérios que estabeleceram regiões de alta, média ou baixa restrição à silvicultura". ONGs e a maioria dos técnicos envolvidos no estudo defendem a permanência desses itens. "Esses aspectos são fundamentais, sem esses elementos o zoneamento não terá eficácia nenhuma, voltamos à estaca zero", teria dito o conselheiro Paulo Brack.
Porém, para a diretora da FEPAM e para o secretário do Meio Ambiente do novo jeito de governar, ambos escolhidos a dedo por Yeda Crusius, não caberia ao referido estudo fixar tais critérios, que devem, pasmem, ser ajustados "no decorrer dos exames dos licenciamentos para os empreendimentos da silvicultura".
Ou seja, de acordo com as conveniências e com os interesses das papeleiras. Se o novo jeito de governar ainda não havia deixado claro que projeto defende frente a esse embate entre papeleiras e ambientalistas, suas manobras intervencionistas e diversionistas acabaram com qualquer dúvida. O governo estadual, definitivamente, rasga o estudo técnico de zoneamento para a silvicultura, realizado por um órgão que tem como função zelar pelo interesse público em questões ambientais, a fim de promover os interesses privados de seus financiadores de campanha. É o cúmulo do servilismo travestido de modernidade afirmar que um estudo de zoneamento ambiental para a atividade de silvicultura realizado pelo principal órgão ambiental do estado não teria competência para fixar critérios que estabeleceriam restrições à tal atividade. Mais do que um desaforo à inteligência alheia, trata-se de um verdadeiro atentado aos interesses públicos, ao republicanismo e à soberania do Estado.
Para Antenor Pacheco, presidente da Associação dos Servidores da FEPAM e diretor do Semapi (o sindicato da categoria), "A direção da Sema, o secretário Otaviano e a presidente Ana Pellini, descaracterizaram completamente o ZAS, que era um instrumento técnico de gestão. O que eles estão apresentando não é um zoneamento ambiental, é um zoneamento empresarial, pois não fixa critérios e nem regras para o licenciamento ambiental". Ainda segundo Pacheco, o novo jeito de governar deixou de fazer política ambiental e se tornou "um cartório ambiental, para viabilizar os investimentos do capital financeiro, das papeleiras e de outros empreendimentos".
Segundo Flávio Lewgoy, as alterações na proposta original de zoneamento ambiental, que serão votadas hoje, "são de uma magnitude incrível, em cima de uma proposta que foi elaborada durante quatro anos pelos melhores especialistas que existem nessa área".
Não para Ana Pellini. A diretora-presidente da FEPAM acredita que a proposta original de zoneamento ambiental tinha "defeitos evidentes". Pensando em aprimorar o estudo, Pellini negocia "a vinda de especialistas de outros países para novos estudos das Unidades de Paisagem Natural (UPNs), suas fragilidades e a possibilidade de implantação de florestas, 'a partir de estudos científicos, com critérios mais sustentáveis'".
Os especialistas que virão aprimorar os estudos técnicos da FEPAM, que certamente não foram científicos e nem baseados em critérios sustentáveis o suficiente para os interesses do novo jeito de governar e das papeleiras, muito provavelmente desembarcarão da Suécia e da Finlândia, países de onde vem a multinacional Stora Enso.
Para Pellini, a versão final do zoneamento ambiental a ser votada hoje "representa uma proposta intermediária, a que foi possível, entre os interesses das ONGs e das empresas de silvicultura".
Percebe-se o quanto.
Que governicho entreguista e de gente medíocre!
(A charge é do Kayser)
terça-feira, 8 de abril de 2008
Operação "Festança"
Em função das conclusões da CPI que investigou irregularidades em eventos promovidos pela Secretaria Municipal de Cultura do município de Sapucaia do Sul, região metropolitana de Porto Alegre, o Ministério Público gaúcho, em conjunto com o Departamento de Investigações Criminais da Policia Civil, desencadeou, nesta última segunda, 7, a Operação Festança. É o que informa o sítio do próprio Ministério Público.Segundo a promotora de Justiça Andréa de Almeida Machado, "as investigações apontam para graves ilegalidades, especialmente em relação a falta de licitação para realização de eventos como o Carnaval, Semana Farroupilha, Dia da Criança e Natal Luz".
Os documentos recolhidos por conta do cumprimento dos mandados de busca e apreensão nas sedes das secretarias municipais da Fazenda e Cultura, bem como nas residências dos envolvidos, serão agora investigados pelo MP e pela Polícia Civil.
Ainda segundo Andréa Machado, "existem fortes indícios de formação de quadrilha e os prejuízos causados com a elaboração de contratos irregulares podem ultrapassar R$ 1 milhão".
Recentemente também foi instalada CPI, na Câmara de Vereadores de Sapucaia do Sul, a fim de investigar a situação financeira do prefeito Marcelo Machado. Dentre os itens que chamaram a atenção dos vereadores, segundo informa a Zero Hora, "está a compra de uma caminhonete avaliada em R$ 155 mil e de uma casa de R$ 350 mil, sendo que R$ 200 mil foram dados como entrada em dinheiro. Também será analisado o pagamento de diárias em dois eventos para o prefeito, vice e assessores".
O prefeito, que é vice-presidente estadual do PMDB, em entrevista ao programa Pampa Entrevista, na Rádio Pampa, teria dito que "a Câmara criou uma CPI apenas porque estamos num ano eleitoral, e fica evidente o propósito de criar factóides para confundir a população".
(No retrato, retirado do sítio do homem do tempo, em sentido horário, os deputados estadual e federal democratas Paulo Borges e Onyx Lorenzoni, em recente almoço junto ao prefeito peemedebista de Sapucaia do Sul, Marcelo Machado, e ao seu secretário municipal de Saúde, Paulo Borges, homônimo e correligionário do homem do tempo. O Democratas é o aliado preferencial do prefeito de Sapucaia do Sul para as eleições municipais deste ano, já que Marcelo Machado pretende convidar Paulo Borges, não o do tempo, para concorrer como seu vice)
21ª Convenção Anual dos Almofadinhas com MBA

E por falar em almofadinhas com MBA, começou ontem, em Porto Alegre, a 21ª edição do Fórum da Liberdade, evento promovido anualmente pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) farrapo.
O nível dos debatedores têm evoluído, pelo menos. Olavo de Carvalho não é uma de suas principais estrelas, ao contrário de edições passadas. A propósito, para quem ainda não sabe, o esquizofrênico-mor refugiou-se nos EUA. Dizem as más línguas que pretende fundar uma seita, a Igreja dos Últimos Dias do Foro De São Paulo, e abrir um debate mundial com a Irmandade Internacional dos Homens de Bem (Mantermebem), sediada em Porto Alegre e presidida por Onyx Lorenzoni (Dem-RS), sobre os projetos comunistas de dominação para este milênio. Para isso, já está recolhendo doações através de melodramáticos apelos em seu blog.
Pois bem. La Vieja pretendia dizer que ontem, na abertura do evento, foram feitas duras críticas ao tamanho do Estado. Seu peso excessivo, por unanimidade, foi considerado o maior entrave para o Brasil continuar crescendo.
Giancarlo Mandelli, presidente do IEE, teria considerado o Brasil o "país das aberrações", segundo Zero Hora. "Será que temos liberdade ao termos de trabalhar para viver e doar 35% (do Produto Interno Bruto) para o governo? Eu acredito que não", teria dito o engomadinho asséptico.
Bem, já que estamos falando em aberrações, La Vieja não lembra de ter visto ainda nenhuma manifestação da referida liderança liberal, por exemplo, sobre o fato de dezenas de trabalhadores rurais terem sido encontrados em condições degradantes - alguns trabalhando sem carteira assinada há mais de 03 anos - na fazenda Vale do Rio Verde (MT), de propriedade do grupo Bom Futuro, um dos maiores produtores de grãos do país, e nem sobre a ação civil ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho do Pará contra a Vale do Rio Doce e mais 43 empresas que lhe prestam serviços, para que "sejam condenadas a pagar aos trabalhadores das minas de Carajás e Sossego o tempo que gastam no deslocamento da portaria até o efetivo local de trabalho - aproximadamente duas horas para ir e para voltar".
Aliás, La Vieja também aguarda manifestações liberais sobre a aberração jurídica que é multinacionais comprarem terras na faixa de fronteira brasileira através de empresas-laranja. Se Giancarlo Mandelli não sabe, a Procuradoria da República gaúcha entrou nessa discussão para investigar como a Stora Enso "adquiriu 46 mil hectares de terras a fim de plantar eucalipto na fronteira do RS". Para o procurador regional da república Domingos Sávio Dresh da Silveira, a referida multinacional "constituiu uma empresa com sócios brasileiros, chamada Azenglever Agropecuária Ltda., para burlar exigências legais relativas a investidores estrangeiros na região".
Já Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau e "ícone do fórum", segundo definição de ZH, por sua vez, teria dito que, em seus contatos com as autoridades, "não se cansa de pedir 'mais mercado, mais mercado'" (Os grifos são meus).
Pois é, vejam só como é a vida e, particularmente, o estranho mundo liberal de Gerdau. Pois não é que esse empresário - um dos que criticou tanto o tamanho quanto o peso excessivo do Estado -, que em meio a almofadinhas ensebados diz que não se cansa de clamar às autoridades por mais e mais mercado, é o mesmo que, há poucos dias, comprou a estadunidense Century Steel, Inc., a fim de gerar empregos nos EUA, graças exatamente ao dinheiro público?
Vamos ver, então, se assimilamos bem a lição liberal: na hora de crescer, ou falir, o candidato à almofadinha com MBA deve bater às portas do Estado de pires na mão, mas em convescotes de classe deve dizer publicamente que esse mesmo Estado é um entrave ao crescimento, embora só tenham crescido, muitas vezes, exatamente graças ao dinheiro público posto em suas empresas. Crescer graças ao próprio capital, nem pensar. Quando convém, não se critica nem o tamanho do Estado e nem seu peso excessivo.
Como dizia o grande filósofo Rubens Ricúpero, quase em uma síntese antecipatória dos governos FHC, "Eu não tenho escrúpulos: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde".
Agora sim La Vieja entende os liberais brasileiros.
Porém, cada vez entende menos nossos bancos públicos. Que os discursos de abertura da convenção almofadinha abram os olhos do governo brasileiro.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Não tem preço
Zero Hora dominical: R$ 3,50Caixa de Dramin: R$ 8,90
Saber que, em um eventual segundo turno com José Fogaça (PMDB), pelo menos de acordo com a mais recente pesquisa Ibope/Zero Hora para a prefeitura de Porto Alegre, o candidato - com a licença de Cristóvão Feil e de seu iluminado comentarista Joventino - do "setor jovem do PIG, travestido de alternativa midiática na internet", perderia até para brancos e nulos: Não tem preço.
Em tempo: talvez também seja interessante anotar que, em um eventual segundo turno entre Fogaça e Mônica Leal (PP), ou entre Fogaça e... e quem mesmo? ah, lembrei: Nélson Marchezan Júnior (PSDB), progressistas e tucanos apanhariam mais feio dos votos nulos ou em branco do que o candidato dos almofadinhas.
Como sabem os precavidos porto-alegrenses, nada está tão ruim que não possa piorar...
Sobre sensações
"Pelo menos 10 pessoas são assassinadas no estadoMadrugada sangrenta teve dois triplos homicídios".
"Insegurança fecha posto de saúde na capital
Local deve voltar a funcionar normalmente na terça-feira".
"Assaltantes entram em posto bancário de hospital disfarçados de médicos
Polícia não tem informações sobre quantia levada".
"Uma pessoa morre e outra é ferida a tiros na Vila Cruzeiro, na Capital
Policiais suspeitam de assalto ou de uma briga".
Todas as manchetes acima foram retiradas agora há pouco do latifúndio improdutivo da Zero Hora. Noves fora o jornalismo literalmente "das tripas coração" do Grupo RBS, que amanhã deverá aumentar em 10% a circulação do Diário Gaúcho, alguém "aí ainda lembra da famosa sensação de segurança que, supostamente, teria baixado sobre o Rio Grande do Sul no início do ano" passado, "fato inquestionável" para a Zero Hora até bem pouco tempo atrás?
(A charge é do Kayser)
Sobre porcentagens e induções
Se o caso é a defesa intransigente do novo jeito de governar, a depuradora de melífluos sabores briga até com os fatos do mundo.
Reparem no que a abelha-mestra do jornalismo político farrapo escreveu em sua coluna de hoje:
"O Ibope confirma que os porto-alegrenses estão entre os eleitores mais exigentes na hora de avaliar os governantes: foram duros com Lula, Yeda e Fogaça" (Os grifos são meus).
Rosane de Oliveira refere-se à pesquisa Ibope, encomendada pelo Grupo RBS (reproduzida abaixo), sobre a avaliação das administrações federal, estadual e de Porto Alegre, divulgada na Zero Hora de hoje.
Os governos Lula e Fogaça foram aprovados (soma dos percentuais das avaliações "ótima" e "boa" recebidas), respectivamente, por 37% e 35% dos entrevistados, e reprovados (soma dos percentuais das avaliações "ruim" e "péssima" recebidas), respectivamente, por 31% e 28% dos ouvidos pela pesquisa.
Yeda Crusius, por sua vez, foi aprovada por míseros 17% dos entrevistados. 15% deles avaliaram sua administração como "boa", enquanto corajosos 2%, provavelmente algum contingente de turistas japoneses, avaliaram seu governo como "ótimo". Seu percentual de aprovação, portanto, ficou abaixo da metade dos percentuais de aprovação tanto do governo Lula (37%) quanto da administração Fogaça (35%).
Se sua aprovação já foi um fiasco, a reprovação de seu governo não deixou por menos.
Nada menos do que 33% dos entrevistados consideraram seu governo "péssimo", enquanto 16% deles o consideraram somente "ruim". Isso dá assustadores 49% de reprovação, contra os 31% e 28%, respectivamente, conferidos a Lula e a Fogaça.
Reparem que o percentual de entrevistados que avaliou seu governo como "péssimo" (33%), por si só, ficou acima tanto do percentual daqueles que reprovaram o governo Fogaça (28%) quanto daqueles que reprovaram o governo Lula (31%). O índice de reprovação, La Vieja vos lembra, é obtido através da soma dos percentuais de "péssimo" e de "ruim" obtidos junto aos entrevistados. Um piadista infame diria que aquilo que Lula e Fogaça têm de péssimo e ruim a Rainha das Pantalhas tem de péssimo. Mais ainda: o percentual de entrevistados que avaliou seu governo como "péssimo" foi mais do que o dobro do percentual obtido pela administração Fogaça nessa mesma classificação.
Então, que estória mesmo é essa de que "os porto-alegrenses foram duros com Lula, Yeda e Fogaça"?
Rosane de Oliveira ao menos deveria combinar antes com seus colegas o que todos deveriam dizer sobre um mesmo fato, já que até mesmo os encarregados da matéria não tiveram como brigar com a realidade. Leiam abaixo, através da reprodução de trecho da matéria, o que dizem os analistas de ZH sobre a referida pesquisa:
"Avaliações de Fogaça e Lula se aproximam em pesquisa
Pesquisa mostra governo Yeda com reprovação de 49%
A mais recente pesquisa Ibope sobre avaliação das administrações federal, estadual e de Porto Alegre mostrou os governos Lula e José Fogaça com índices semelhantes.
(...)
O governo Yeda Crusius, por sua vez, tem percentual de aprovação de 17% — praticamente a metade das gestões federal e municipal. Das três administrações, também é de Yeda o maior percentual de reprovação: 49%. A governadora tem também o maior índice de "péssimo": 33%" (Os grifos são meus).
Porém, La Vieja entende o que Rosane de Oliveira quis dizer. A depuradora de melífluos sabores comparou as avaliações dos três governos a partir dos percentuais de classificação "regular" que obtiveram. Como Fogaça teve sua administração assim avaliada por 37% dos entrevistados, Lula por 32% e Yeda por 33% deles, nada mais honesto e correto do ponto de vista jornalístico do que afirmar que todos eles foram avaliados rigorosamente pelos porto-alegrenses.
A abelha-rainha do jornalismo político farrapo, que de jornalismo já não é lá grandes coisas, também mostra que de induções também não é lá essas coisas.
Reparem no que a abelha-mestra do jornalismo político farrapo escreveu em sua coluna de hoje:
"O Ibope confirma que os porto-alegrenses estão entre os eleitores mais exigentes na hora de avaliar os governantes: foram duros com Lula, Yeda e Fogaça" (Os grifos são meus).
Rosane de Oliveira refere-se à pesquisa Ibope, encomendada pelo Grupo RBS (reproduzida abaixo), sobre a avaliação das administrações federal, estadual e de Porto Alegre, divulgada na Zero Hora de hoje.
Os governos Lula e Fogaça foram aprovados (soma dos percentuais das avaliações "ótima" e "boa" recebidas), respectivamente, por 37% e 35% dos entrevistados, e reprovados (soma dos percentuais das avaliações "ruim" e "péssima" recebidas), respectivamente, por 31% e 28% dos ouvidos pela pesquisa.Yeda Crusius, por sua vez, foi aprovada por míseros 17% dos entrevistados. 15% deles avaliaram sua administração como "boa", enquanto corajosos 2%, provavelmente algum contingente de turistas japoneses, avaliaram seu governo como "ótimo". Seu percentual de aprovação, portanto, ficou abaixo da metade dos percentuais de aprovação tanto do governo Lula (37%) quanto da administração Fogaça (35%).
Se sua aprovação já foi um fiasco, a reprovação de seu governo não deixou por menos.
Nada menos do que 33% dos entrevistados consideraram seu governo "péssimo", enquanto 16% deles o consideraram somente "ruim". Isso dá assustadores 49% de reprovação, contra os 31% e 28%, respectivamente, conferidos a Lula e a Fogaça.
Reparem que o percentual de entrevistados que avaliou seu governo como "péssimo" (33%), por si só, ficou acima tanto do percentual daqueles que reprovaram o governo Fogaça (28%) quanto daqueles que reprovaram o governo Lula (31%). O índice de reprovação, La Vieja vos lembra, é obtido através da soma dos percentuais de "péssimo" e de "ruim" obtidos junto aos entrevistados. Um piadista infame diria que aquilo que Lula e Fogaça têm de péssimo e ruim a Rainha das Pantalhas tem de péssimo. Mais ainda: o percentual de entrevistados que avaliou seu governo como "péssimo" foi mais do que o dobro do percentual obtido pela administração Fogaça nessa mesma classificação.
Então, que estória mesmo é essa de que "os porto-alegrenses foram duros com Lula, Yeda e Fogaça"?
Rosane de Oliveira ao menos deveria combinar antes com seus colegas o que todos deveriam dizer sobre um mesmo fato, já que até mesmo os encarregados da matéria não tiveram como brigar com a realidade. Leiam abaixo, através da reprodução de trecho da matéria, o que dizem os analistas de ZH sobre a referida pesquisa:
"Avaliações de Fogaça e Lula se aproximam em pesquisa
Pesquisa mostra governo Yeda com reprovação de 49%
A mais recente pesquisa Ibope sobre avaliação das administrações federal, estadual e de Porto Alegre mostrou os governos Lula e José Fogaça com índices semelhantes.
(...)
O governo Yeda Crusius, por sua vez, tem percentual de aprovação de 17% — praticamente a metade das gestões federal e municipal. Das três administrações, também é de Yeda o maior percentual de reprovação: 49%. A governadora tem também o maior índice de "péssimo": 33%" (Os grifos são meus).
Porém, La Vieja entende o que Rosane de Oliveira quis dizer. A depuradora de melífluos sabores comparou as avaliações dos três governos a partir dos percentuais de classificação "regular" que obtiveram. Como Fogaça teve sua administração assim avaliada por 37% dos entrevistados, Lula por 32% e Yeda por 33% deles, nada mais honesto e correto do ponto de vista jornalístico do que afirmar que todos eles foram avaliados rigorosamente pelos porto-alegrenses.
A abelha-rainha do jornalismo político farrapo, que de jornalismo já não é lá grandes coisas, também mostra que de induções também não é lá essas coisas.
sábado, 5 de abril de 2008
Sobre cusparadas
Mas que bela descoberta em uma radiante manhã da sábado!
Paulo Heuser, via Ainda a Mosca azul:
"(...) Aqui, nas ruas, havia latas de lixo que poderiam ser utilizadas como escarradeiras. Contudo, foram substituídas por recipientes plásticos com a boca para o lado, exigindo que os eventuais escarradores também lancem o produto para o lado, numa demonstração de contorcionismo bucofacial. Coisa que Clint Eastwood e Lee Van Cleef tiravam de letra nos Spaghetti Westerns, produções cinematográficas italofrancobelgogermâncias rodadas nas regiões áridas da Itália e da Espanha, nos anos 60 do século passado. Ao som da trilha sonora de Ennio Morricone, eles se revezavam nas cusparadas tão certeiras quanto os disparos que cuspiam fogo das suas armas. Cuspidores como aqueles exibiam técnica apurada, completamente diferente dessa usada pelos modernos cuspidores urbanos (...)"
Continue lendo "Cusparada".
(Acima, abertura do descomunal "The good, the bad and the ugly", clássico de Sergio Leone com Clint Eastwood, Eli Wallach e Lee Van Cleef)
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Sobre engrenagens

Eduardo Pazinato da Cunha escreveu na Zero Hora de hoje, em "Muito além do constrangimento":
"Assisti, estarrecido, às manifestações do coronel Paulo Roberto Mendes e do juiz criminal de Porto Alegre Felipe Keunecke de Oliveira, no Painel RBS, que tratou do tema 'Constrangimento nas ruas - até onde vai este problema?'
O discurso, punitivo e repressivo, dos referidos operadores do sistema de segurança pública, simbolizado em expressões como 'lixeiro social', 'patologia social', 'higienização das ruas' e em dicotomias, sempre reducionistas, como 'nós, cidadãos, e eles', marcou a tônica do debate do terceiro bloco do programa, materializando um modelo de sociedade e um paradigma político-criminal, assustadoramente perverso, que remonta ao não tão distante século 19.
(...) A concepção político-criminal que sustenta tais discursos (e práticas) reduz os problemas sociais ao código crime-pena e, dessa forma, descontextualizada e inócua, os despolitiza, ao policializá-los. O exercício do poder punitivo do Estado, (re)legitimado pelo controle social informal da 'mídia' (com aspas porque, como o Estado e a sociedade, não pode ser reduzida a um conceito monolítico e uniforme), perpetua desigualdades estruturais através de estratégias político-criminais desumanas, como o 'emparedamento' de moradores (e/ou em situação) de rua, a 'caça' a flanelinhas e 'outros criminais'" (Os grifos são meus).
Muito pertinentes as críticas de Pazinato, principalmente as direcionadas às intervenções de nosso coronel destemido, cuja verborragia fascista e destemor só não atingem latifundiários que abraçam a ilegalidade e homens de bem de não pouca influência no novo jeito de governar atolados até o pescoço em denúncias de corrupção.
Que por acaso, aliás, é o governo que o escolheu para o cargo de subcomandante geral da Brigada Militar farrapa. Um cargo de confiança, como se sabe.
As declarações do coronel machão são um exemplo do conceito da radicalização do debate público sobre o problema social da miséria estrutural, comentado ontem por La Vieja a partir das manifestações de Eduardo de Lima Veiga, subprocurador-geral para Assuntos Institucionais do Ministério Público gaúcho, que também participou do referido painel organizado pelo Grupo RBS.
Voltemos ao raciocínio de Pazinato, no entanto.
Suas observações reforçam aquilo que desde o final do ano passado e ao longo desse ano La Vieja vem chamando de criminalização de condutas de movimentos sociais e de marginalizados, uma das estratégias da mídia a fim de escamoetar nosso velho e bom conflito de classes. Aqui, um exemplo da criminalização da conduta de moradores de rua, pedintes, limpadores de pára-brisas e vendedores ambulantes de Porto Alegre. Aqui, um exemplo da criminalização da conduta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terras (MST), e aqui outro, e aqui mais outro, todos sem prova alguma. Aqui, um exemplo da estratégia de invisibilização, pela caricaturização, de uma demanda social legítima.
Todos retirados da Zero Hora, evidentemente.
Porém, há um problema com o artigo de Pazinato. Assim, como ele se apresenta, não passa de um discurso estéril, lamentavelmente, embora suas teses sejam inatacáveis.
E isso porque seu autor pensa que a mídia hegemônica não pode ser reduzida a um conceito monolítico e uniforme.
Pois é exatamente ao pensar assim que sua crítica se dilui no jogo de subjetividades e reforça a hegemonia dessa mídia essencialmente monolítica.
O trecho do artigo de Pazinato ao qual La Vieja se refere é o seguinte:
"O exercício do poder punitivo do Estado, (re)legitimado pelo controle social informal da 'mídia' (com aspas porque, como o Estado e a sociedade, não pode ser reduzida a um conceito monolítico e uniforme), perpetua desigualdades estruturais através de estratégias político-criminais desumanas, como o 'emparedamento' de moradores (e/ou em situação) de rua, a 'caça' a flanelinhas e 'outros criminais'".
Bem, a pergunta que se faz necessária é a seguinte: acaso a mídia hegemônica alimentaria os germes de sua própria destruição se não os tivesse sob controle?
De modo algum. E a tal ponto que a publicação do próprio artigo de Pazinato - que contém uma virulenta crítica ao papel da mídia como legitimadora de práticas e discursos despolitizados - não é senão uma das estratégias pelas quais a mídia hegemônica, que ele ingenuamente divide entre a "com aspas" e a "sem aspas", legitima tanto aquele despolitizado exercício do poder punitivo do Estado quanto a aparência de que há um debate público e democrático sobre problemas sociais para além daquela abordagem policializada e despolitizada por ela mesma legitimada, como o próprio autor reconhece.
E é só por ter tal controle que a mídia permite manifestações como a de Pazinato. A esse controle, que se exerce pela oferta pública e tentadora de uma ilusão de democracia, é fundamental a imagem que a mídia monolítica construiu de si mesma na disputa pela hegemonia no imaginário coletivo. Espaços aparentemente democráticos como colunas de opinião e de cartas de leitores, assim como artigos de especialistas, técnicos e por vezes leigos, são meros jogos de cena no palco das ilusões midiáticas, pois não há debate democrático e não há respeito à diversidade legítimos. Na verdade, não há debate algum, só uma ilusão. Para cada artigo de um lúcido Pazinato publicado, que com bons argumentos desconstrói facilmente um discurso esquizofrênico, volta a mídia seus potentes holofotes, o ano inteiro, centenas de vezes, diariamente, para criminalizações de condutas estranhas às reconhecidas e aceitas como padrão e para invisibilizações, caricaturais ou pela pura e simples omissão, de demandas sociais reprimidas. É isso que Pazinato bem chama de legitimação do exercício daquele poder punitivo do estado que despolitiza, ao policializar, determinados problemas sociais. O único seu problema foi não ver que não há mídia hegemônica "sem aspas" e "com aspas". Trata-se de controle social, nada além disso. Os integrantes de aparelhos ideológicos de estado, embora não articulem em reuniões secretas estratagemas pérfidos de dominação de mentes, operam condicionados pela existência social que estrutura o sistema e que lhes educa as mentes. Trata-se de sua própria condição de sobrevivência inculcada por uma já secular mecânica reprodução quase inconsciente. É uma classe, cercada de seus sabujos ignorantes, querendo impor e manter seu poder.
E não há freios e contrapesos nesse sistema. A mídia hegemônica brasileira talvez seja a última de nossas instituições pela qual sequer uma nesga de democracia se infiltrou desde nossa recente democratização. Toda sua estrutura foi montada durante o período ditatorial e é sob suas paredes e tetos que nos abrigamos, com a ilusão de que abrindo algumas janelas o sol possa entrar e a tudo iluminar. Mas é a própria mídia, não nos esqueçamos, que elaborou tal projeto. Ela sabe, portanto, onde colocou portas e janelas.
É exatamente através de tal aparência de democracia, por fim, que a mídia hegemônia acaba legitimando aquele poder punitivo policialesco que despolitiza os problemas sociais, como bem reconhece Pazinato. Sua tese, no entanto, peca por ignorar o jogo de subjetividades em torno do qual a mídia construiu e mantém sua hegemonia no imaginário coletivo, o que o leva a ingenuamente não suspeitar que, ao manifestar seu ponto de vista através da mídia hegemônica, na verdade se torna parte involuntária da engrenagem que legitima o discurso por ele mesmo criticado. E uma das implicações desse jogo de cena é que mesmo sua sutil crítica à mídia que legitima o exercício policialesco e despolitizado do poder punitivo pelo estado passa completamente despercebida. Também ela foi diluída e tragada, como todo o resto.
É preciso, portanto, se buscar formas alternativas e livres de expressão, onde de fato haja valorização do debate democrático e respeito à diversidade e ao contraditório.
(No retrato, Charles Chaplin em Modern Times)
Sobre perguntas básicas a animais amestrados

A Zero Hora correria o risco de estar se tornando patética ao imediatamente ecoar as sucessivas tentativas da Folha de São Paulo de injetar novos ânimos no já falecido factóide criado pelo panfleto colorido esquizofrênico, não fosse essa retroalimentação essência mesma das práticas cotidianas da mídia hegemônica brasileira.
Lê-se no jornaleco da Azenha de hoje:
"Uma cópia de arquivo extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil mostra que o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da sua mulher, Ruth Cardoso, e de ministros tucanos saiu pronto do Palácio do Planalto. É o que revela reportagem desta sexta-feira do jornal Folha de S.Paulo" (Os grifos são meus).
Em primeiro lugar, não há consenso sobre a existência do referido dossiê. Só na ótica da oposição ao governo federal, da Veja, da Folha de São Paulo e da Zero Hora. O que há são informações sigilosas que, não se sabe ainda como, caíram nas mãos de um senador de oposição que se encarregou de entregá-las à revista Veja. O que precisa ser respondido, portanto, é como e por que tais informações foram parar nas mãos da oposição. Esse é o problema que há, uma vez que migrar dados de arquivos mortos vinculados ao Sistema de Controle de Gastos de Suprimento de Fundos (Suprim) para planilhas e bases de dados não é crime algum, até onde La Vieja saiba. Bem ao contrário do tráfico privilegiado de informações sigilosas, aliás.
E, em segundo lugar, qual seria o sentido do próprio governo elaborar um suposto dossiê, supostamente a fim de deixar o ex-presidente FHC e sua família em maus lençóis e, desse modo, chantagear a oposição, e entregá-lo de mão beijada à oposição, passando, assim, de estilingue à vidraça? Por que cargas d'água alguém em sã consciência do próprio governo faria isso?
A menos, claro, que tais informações sigilosas tenham sido entregues à oposição a fim de deixar o próprio governo em situação desfavorável. O que resta, portanto, é saber como, por que e quem as entregou.
Aliás, essas três perguntinhas básicas não integram aquelas que qualquer foca deve saber de cor e salteado?
Sobre estultices ou más-fés, ainda
Mais uma da abelha-rainha do jornalismo político farrapo, em sua coluna de hoje:
O recorte acima é mais uma prova de que Rosane de Oliveira aposta na desinformação e na ignorância de seus leitores preferenciais ao comparar projetos em nada semelhantes a fim de fazer uma defesa velada de políticas públicas do novo jeito de governar.
Do alto da neutralidade de seu comentário pretende fazer justiça às políticas públicas educacionais do governo Yeda Crusius e desautorizar críticas petistas a elas endereçadas, uma vez que o líder máximo de tal partido teria feito "uma defesa indireta" de uma delas, no caso, da famigerada enturmação, em tese em tudo semelhante a uma determinada política pública petista, pelo menos segundo a abelha-mestra do jornalismo político farrapo. Logo, criticar o projeto de enturmação seria cair em contradição.
Mas não se trata de nada disso. Só por ignorância ou perfídia se pode dizer que uma defesa do Reuni e críticas "aos que resistem à ampliação do número de alunos em sala de aula na universidades federais" são uma defesa indireta da enturmação proposta pela secretaria de Educação do novo jeito de socar o maior número possível de alunos em uma mesma sala de aula a fim de não realizar concursos públicos.
E isso por uma razão muito simples. A expressão "ampliação do número de alunos em sala de aula" é equívoca. Rosane de Oliveira, portanto, está sofismando.
Bueno, mas o que raios isso quer dizer?
Quer dizer simplesmente que ela não se aplica, do mesmo modo, aos objetivos do Reuni e aos objetivos da política de enturmação do governo Yeda Crusius.
Enquanto ampliar o número de alunos em sala de aula pela ótica da enturmação é simplesmente acrescentar um número x de alunos, oriundos de uma turma y, a uma turma z, o que faz com que essa turma passe, por exemplo, de 40 para 50 alunos, ampliar o número de alunos em sala de aula pela ótica do Reuni é outra coisa bem diferente.
La Vieja está especulando que seja assim ou tem alguma espécie de informação privilegiada?
De modo algum. La Vieja simplesmente tem acesso, como qualquer cidadão brasileiro com mais de dois neurônios, com acesso à internet e com um grau mínimo de comprometimento com a veracidade das informações que publica, o que deveria incluir Rosane de Oliveira, ao Decreto nº 6096, de 24 de abril de 2007, que "Institui o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais - REUNI", bem como às "Diretrizes Gerais" de tal programa.
E o que eles dizem? Bem, é certo que eles não fazem, em nenhum momento, qualquer referência ao termo enturmação ou a qualquer conceito cujo conteúdo se assemelhe ao do conceito yediano de enturmação.
Lemos, no decreto que o instituiu, que "O Programa tem como meta global a elevação gradual da taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais para noventa por cento e da relação de alunos de graduação em cursos presenciais por professor para dezoito, ao final de cinco anos, a contar do início de cada plano".
Entre suas diretrizes estão, por exemplo, ainda de acordo com o referido decreto, a "redução das taxas de evasão, ocupação de vagas ociosas e aumento de vagas de ingresso, especialmente no período noturno", e é responsabilidade do Ministério da Educação destinar recursos financeiros à "construção e readequação de infra-estrutura e equipamentos necessárias à realização dos objetivos" do referido programa.
Como se vê, nenhuma palavra ainda sobre socar mais uma dúzia de alunos em turmas já com 40 estudantes.
Vamos tentar, então, em suas Diretrizes Gerais.
Quando as lemos, entendemos que a meta global do programa, acima referida, tem a ver com a pretensão do governo federal de "congregar esforços para a consolidação de uma política nacional de expansão da educação superior pública, pela qual o Ministério da Educação cumpre o papel atribuído pelo Plano Nacional de Educação (Lei nº 10.172/2001) quando estabelece o provimento da oferta de educação superior para, pelo menos, 30% dos jovens na faixa etária de 18 a 24 anos, até o final da década".
Ahá, achamos! Então Rosane de Oliveira estava correta, no final das contas. São esses 30% que serão socados em turmas já existentes a fim de que sejam satisfeitas as condições necessárias ao uso do conceito de enturmação.
Não, também não é assim. Seria, se se tratasse de mau jornalismo.
Em primeiro lugar, "É importante ressaltar que o REUNI não preconiza a adoção de um modelo único para a graduação das universidades federais, já que ele assume como pressuposto tanto a necessidade de se respeitar a autonomia universitária, quanto a diversidade das instituições" (os grifos são meus), autonomia essa da qual as escolas gaúchas obrigadas a adotar o conceito yediano de enturmação sequer ouviram falar. Já começamos mal, novamente.
Seu objetivo é, segundo tais Diretrizes, "Criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, no nível de graduação, para o aumento da qualidade dos cursos e pelo melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas universidades federais, respeitadas as características particulares de cada instituição e estimulada a diversidade do sistema de ensino".
Com base nos diagnósticos de que "as turmas apresentam, em geral, reduzido número de estudantes em componentes curriculares cuja natureza não requer essa baixa relação professor/aluno", de que "os espaços físicos das unidades universitárias registram, não raramente, considerável ociosidade no período noturno" e de que "os índices de evasão de estudantes nos cursos de graduação atingem, em alguns casos, níveis alarmantes", se pretende ampliar a oferta de educação superior pública via (a) aumento de vagas de ingresso, especialmente no período noturno, (b) redução das taxas de evasão e (c) ocupação de vagas ociosas. A referida ampliação de oferta, portanto, se fará através do "melhor aproveitamento da estrutura física e do aumento do qualificado contingente de recursos humanos existente nas universidades federais", o que nem de longe equivale ao conceito yedista de enturmação.
Bem, se Rosane de Oliveira ainda não entendeu nada, aí vai um resumo ao melhor estilo para o seu filho entender:
Ampliar o número de alunos em sala de aula nas universidades federais não é socar alunos que já freqüentam tais universidades em determinadas turmas a fim de deixá-las maiores, mas sim criar novas turmas, inclusive no período noturno, onde há ociosidade nas instituições federais, através da expansão da oferta de educação superior pública viabilizada pelo aumento do número de vagas de ingresso. É assim que o MEC pretende atingir suas metas globais de elevação da taxa de conclusão média dos cursos de graduação e da relação de alunos de graduação por professor, o que nem de longe se fará por qualquer parente da famigerada política de enturmação. Já essa política, por sua vez, consiste simplesmente em enturmar turmas distintas em uma só; ou seja, de duas ou mais, fazer uma.
E é exatamente esse o conceito de enturmação que a oposição ao novo jeito de governar, e não somente o PT, criticam.
Informação e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
E o impressionante é que jornalistas assim tenham credibilidade.
Se bem que, pensando melhor, talvez seja exatamente em função disso que tenham essa credibilidade.
O recorte acima é mais uma prova de que Rosane de Oliveira aposta na desinformação e na ignorância de seus leitores preferenciais ao comparar projetos em nada semelhantes a fim de fazer uma defesa velada de políticas públicas do novo jeito de governar.Do alto da neutralidade de seu comentário pretende fazer justiça às políticas públicas educacionais do governo Yeda Crusius e desautorizar críticas petistas a elas endereçadas, uma vez que o líder máximo de tal partido teria feito "uma defesa indireta" de uma delas, no caso, da famigerada enturmação, em tese em tudo semelhante a uma determinada política pública petista, pelo menos segundo a abelha-mestra do jornalismo político farrapo. Logo, criticar o projeto de enturmação seria cair em contradição.
Mas não se trata de nada disso. Só por ignorância ou perfídia se pode dizer que uma defesa do Reuni e críticas "aos que resistem à ampliação do número de alunos em sala de aula na universidades federais" são uma defesa indireta da enturmação proposta pela secretaria de Educação do novo jeito de socar o maior número possível de alunos em uma mesma sala de aula a fim de não realizar concursos públicos.
E isso por uma razão muito simples. A expressão "ampliação do número de alunos em sala de aula" é equívoca. Rosane de Oliveira, portanto, está sofismando.
Bueno, mas o que raios isso quer dizer?
Quer dizer simplesmente que ela não se aplica, do mesmo modo, aos objetivos do Reuni e aos objetivos da política de enturmação do governo Yeda Crusius.
Enquanto ampliar o número de alunos em sala de aula pela ótica da enturmação é simplesmente acrescentar um número x de alunos, oriundos de uma turma y, a uma turma z, o que faz com que essa turma passe, por exemplo, de 40 para 50 alunos, ampliar o número de alunos em sala de aula pela ótica do Reuni é outra coisa bem diferente.
La Vieja está especulando que seja assim ou tem alguma espécie de informação privilegiada?
De modo algum. La Vieja simplesmente tem acesso, como qualquer cidadão brasileiro com mais de dois neurônios, com acesso à internet e com um grau mínimo de comprometimento com a veracidade das informações que publica, o que deveria incluir Rosane de Oliveira, ao Decreto nº 6096, de 24 de abril de 2007, que "Institui o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais - REUNI", bem como às "Diretrizes Gerais" de tal programa.
E o que eles dizem? Bem, é certo que eles não fazem, em nenhum momento, qualquer referência ao termo enturmação ou a qualquer conceito cujo conteúdo se assemelhe ao do conceito yediano de enturmação.
Lemos, no decreto que o instituiu, que "O Programa tem como meta global a elevação gradual da taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais para noventa por cento e da relação de alunos de graduação em cursos presenciais por professor para dezoito, ao final de cinco anos, a contar do início de cada plano".
Entre suas diretrizes estão, por exemplo, ainda de acordo com o referido decreto, a "redução das taxas de evasão, ocupação de vagas ociosas e aumento de vagas de ingresso, especialmente no período noturno", e é responsabilidade do Ministério da Educação destinar recursos financeiros à "construção e readequação de infra-estrutura e equipamentos necessárias à realização dos objetivos" do referido programa.
Como se vê, nenhuma palavra ainda sobre socar mais uma dúzia de alunos em turmas já com 40 estudantes.
Vamos tentar, então, em suas Diretrizes Gerais.
Quando as lemos, entendemos que a meta global do programa, acima referida, tem a ver com a pretensão do governo federal de "congregar esforços para a consolidação de uma política nacional de expansão da educação superior pública, pela qual o Ministério da Educação cumpre o papel atribuído pelo Plano Nacional de Educação (Lei nº 10.172/2001) quando estabelece o provimento da oferta de educação superior para, pelo menos, 30% dos jovens na faixa etária de 18 a 24 anos, até o final da década".
Ahá, achamos! Então Rosane de Oliveira estava correta, no final das contas. São esses 30% que serão socados em turmas já existentes a fim de que sejam satisfeitas as condições necessárias ao uso do conceito de enturmação.
Não, também não é assim. Seria, se se tratasse de mau jornalismo.
Em primeiro lugar, "É importante ressaltar que o REUNI não preconiza a adoção de um modelo único para a graduação das universidades federais, já que ele assume como pressuposto tanto a necessidade de se respeitar a autonomia universitária, quanto a diversidade das instituições" (os grifos são meus), autonomia essa da qual as escolas gaúchas obrigadas a adotar o conceito yediano de enturmação sequer ouviram falar. Já começamos mal, novamente.
Seu objetivo é, segundo tais Diretrizes, "Criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, no nível de graduação, para o aumento da qualidade dos cursos e pelo melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas universidades federais, respeitadas as características particulares de cada instituição e estimulada a diversidade do sistema de ensino".
Com base nos diagnósticos de que "as turmas apresentam, em geral, reduzido número de estudantes em componentes curriculares cuja natureza não requer essa baixa relação professor/aluno", de que "os espaços físicos das unidades universitárias registram, não raramente, considerável ociosidade no período noturno" e de que "os índices de evasão de estudantes nos cursos de graduação atingem, em alguns casos, níveis alarmantes", se pretende ampliar a oferta de educação superior pública via (a) aumento de vagas de ingresso, especialmente no período noturno, (b) redução das taxas de evasão e (c) ocupação de vagas ociosas. A referida ampliação de oferta, portanto, se fará através do "melhor aproveitamento da estrutura física e do aumento do qualificado contingente de recursos humanos existente nas universidades federais", o que nem de longe equivale ao conceito yedista de enturmação.
Bem, se Rosane de Oliveira ainda não entendeu nada, aí vai um resumo ao melhor estilo para o seu filho entender:
Ampliar o número de alunos em sala de aula nas universidades federais não é socar alunos que já freqüentam tais universidades em determinadas turmas a fim de deixá-las maiores, mas sim criar novas turmas, inclusive no período noturno, onde há ociosidade nas instituições federais, através da expansão da oferta de educação superior pública viabilizada pelo aumento do número de vagas de ingresso. É assim que o MEC pretende atingir suas metas globais de elevação da taxa de conclusão média dos cursos de graduação e da relação de alunos de graduação por professor, o que nem de longe se fará por qualquer parente da famigerada política de enturmação. Já essa política, por sua vez, consiste simplesmente em enturmar turmas distintas em uma só; ou seja, de duas ou mais, fazer uma.
E é exatamente esse o conceito de enturmação que a oposição ao novo jeito de governar, e não somente o PT, criticam.
Informação e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
E o impressionante é que jornalistas assim tenham credibilidade.
Se bem que, pensando melhor, talvez seja exatamente em função disso que tenham essa credibilidade.
Sobre ficar de arreganhos públicos
Recentemente La Vieja comentou aqui a meiga entrevista que as pré-candidatas à prefeitura de Porto Alegre, Maria do Rosário (PT), Luciana Genro (Psol) e Manuela D'Ávila (PCdoB), concederam ao jornaleco da Azenha de domingo, 23 de março último.Em seu comentário, La Vieja afirmou que "adular o Grupo RBS em busca de visibilidade e a fim de constituir uma relação harmônica com a mídia hegemônica, como se isso fosse possível em um contexto onde ambos estão em lados opostos da luta de classes, não é nenhuma novidade para as referidas deputadas federais gaúchas".
La Bruja se referia aos equivocados discursos proferidos pelas três deputadas, no Congresso Nacional, por ocasião da passagem dos 50 anos do Grupo RBS.
A propósito, os discursos de Luciana Genro, a parlamentar da adulação envergonhada, de Manuela D'Ávila, a deputada que pede licença para existir politicamente, bem como a oratória fácil do sabujismo desavergonhado de Maria do Rosário, estão disponíveis no Diário Gauche.
Mas não era bem sobre isso que La Vieja queria falar.
Ela pede licença aos seus leitores para se dirigir diretamente às deputadas gaúchas. Pede, antes, que todas elas leiam o comentário de hoje de Rosane de Oliveira (no retrato, acima) a respeito da conduta de duas delas ontem, por conta da visita do presidente Lula à mui leal e valerosa capital gaúcha:
"Por serem deputadas federais, Maria do Rosário e Manuela DÁvila têm lugar cativo no palco. Ontem, ficaram na segunda fila, enquanto o prefeito José Fogaça, pelo cargo que ocupa, ficou na primeira. As duas trataram de marcar posição: acenaram para o povo reunido na praça e ganharam aplausos de simpatizantes de suas candidaturas. Nos discursos, aproveitaram a posição de "papagaios de pirata" para mostrar intimidade com o popularíssimo Lula" (Os grifos são meus).
La Vieja está simplesmente tentando dizer que não há convivência harmônica com mídia comprometida como a RBS. Todas as vezes que ZH achar conveniente ridicularizar suas candidaturas ou posturas públicas, como no comentário acima de Rosane de Oliveira, fará isso, e não importa o quanto suas desqualificadas assessorias de comunicação pensem o contrário. Releases e retratinhos sorridentes publicados na coluna da depuradora de melífluos sabores e entrevistas que as rotulam de acordo com pré-determinações editoriais, como foi o caso da recente entrevista pelas senhoras concedida, não valem o preço cobrado pela referida empresa, que é uma espécie de eterna sabujice e submissão à pauta por eles imposta. Mas são exatamente as senhoras, minhas queridas, que como agentes públicos têm obrigação de pautar a imprensa, e jamais o contrário! Ela é que deve correr atrás de suas iniciativas, posições e manifestações, e não o contrário. Não convém dar a seres politicamente pequenos, como Rosane de Oliveira, o privilégio de pautar suas condutas públicas.
A ridicularização de suas posturas de ontem junto ao presidente Lula é só mais uma mostra de como nada está sob controle, em se tratando de imprensa. Principalmente de Zero Hora. Portanto, não pensem que adulação à mídia é uma boa estratégia às suas candidaturas. Uma imagem construída a partir dos filtros da mídia é uma imagem que pode ser desconstruída na hora que essa mesma mídia bem entender, pois ela não tem fundamento no real, mas sim no jogo de subjetividades que a alicerçou.
Fazer o jogo da mídia oligárquica, patronal e representante de classe pensando estar, com isso, espertamente lhe passando a perna, é conceder liberdades a seres politicamente pequenos e tacanhos. É o embate político de classes na arena pública que está em jogo, imbecil, e não nosso direito à informação! É nessa falácia que eles querem que vocês caiam.
Como se diz lá em Santiago do Boqueirão, não se mostra os dentes para quem não é confiável. Simples assim. Depois de se conceder certas liberdades para quem não tem nenhum respeito, é preciso se arcar com as conseqüências.
Ficar de arreganhos públicos com a mídia oligárquica é um atentado ao pudor republicano.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Estultice ou má-fé?
Segundo o arauto dos liberais assépticos, o Supremo Tribunal Federal (STF) barrou "empréstimo de US$ 1 bilhão do Bird ao RS".
"O responsável pela decisão no STF", continua o espetáculo de desinformação, "foi o ministro Ricardo Lewandowski, relator da ação", e isso por ter entendido "que o financiamento do Bird contraria a legislação" (Os grifos são meus).
Caramba, mas o que o sujeito que foi expulso da RBS pelos fundilhos quis dizer com isso? Ou acaso seus estagiários é que são tão ignorantes assim?
Na verdade, o novo jeito de atropelar a Constituição Federal entrou com pedido de liminar no STF a fim de impedir que a União proíba o estado de contrair empréstimo com a referida instituição, e foi tal liminar que lhe foi negada, nada além disso. O STF não tem nenhuma competência para barrar ou não o referido empréstimo, até porque tal atribuição é da esfera da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda. Yeda Crusius simplesmente queria, com tal esdrúxulo pedido, que o STF retirasse cautelarmente da União uma das suas mais fundamentais prerrogativas.
O governo gaúcho, ainda segundo o RS Urgente, que "pediu autorização para contrair o empréstimo ao Ministério da Fazenda no dia 10 de março e ainda aguarda uma resposta", teme que ela lhe seja negada por suposto descumprimento de regras da Lei de Responsabilidade Fiscal. Por isso, então, o pedido de liminar. Tal autorização, no entanto, La Vieja ratifica, é prerrogativa de tal ministério.
"Ora - La Vieja comentou no RS Urgente -, qual o sentido da contratação de empréstimos por entes federados necessitar da aprovação federal?
Exatamente impedir que, em função do descumprimento da legislação, e mais exatamente ainda em função de dificuldades financeiras, um daqueles entes contrate um empréstimo, com um financiador estrangeiro, que não possa ser honrado, o que implicaria intervenção federal e a responsabilização, pelos mecanismos jurídicos internacionais, do Estado ao qual tal ente pertence.
Ou seja, se um estado está quebrado, não é um bom negócio ser seu fiador. Nada além disso. A precaução da Secretaria do tesouro Nacional, portanto, é absolutamente legítima e justa.
Yeda Crusius tenta, com tal pedido, ignorar completamente que há todo um sistema fiscal e monetário por detrás de seus caprichos, e é exatamente em função desse desequilíbrio jurídico emocional que deve a União a
"O responsável pela decisão no STF", continua o espetáculo de desinformação, "foi o ministro Ricardo Lewandowski, relator da ação", e isso por ter entendido "que o financiamento do Bird contraria a legislação" (Os grifos são meus).
Caramba, mas o que o sujeito que foi expulso da RBS pelos fundilhos quis dizer com isso? Ou acaso seus estagiários é que são tão ignorantes assim?
Na verdade, o novo jeito de atropelar a Constituição Federal entrou com pedido de liminar no STF a fim de impedir que a União proíba o estado de contrair empréstimo com a referida instituição, e foi tal liminar que lhe foi negada, nada além disso. O STF não tem nenhuma competência para barrar ou não o referido empréstimo, até porque tal atribuição é da esfera da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda. Yeda Crusius simplesmente queria, com tal esdrúxulo pedido, que o STF retirasse cautelarmente da União uma das suas mais fundamentais prerrogativas.
O governo gaúcho, ainda segundo o RS Urgente, que "pediu autorização para contrair o empréstimo ao Ministério da Fazenda no dia 10 de março e ainda aguarda uma resposta", teme que ela lhe seja negada por suposto descumprimento de regras da Lei de Responsabilidade Fiscal. Por isso, então, o pedido de liminar. Tal autorização, no entanto, La Vieja ratifica, é prerrogativa de tal ministério.
"Ora - La Vieja comentou no RS Urgente -, qual o sentido da contratação de empréstimos por entes federados necessitar da aprovação federal?
Exatamente impedir que, em função do descumprimento da legislação, e mais exatamente ainda em função de dificuldades financeiras, um daqueles entes contrate um empréstimo, com um financiador estrangeiro, que não possa ser honrado, o que implicaria intervenção federal e a responsabilização, pelos mecanismos jurídicos internacionais, do Estado ao qual tal ente pertence.
Ou seja, se um estado está quebrado, não é um bom negócio ser seu fiador. Nada além disso. A precaução da Secretaria do tesouro Nacional, portanto, é absolutamente legítima e justa.
Yeda Crusius tenta, com tal pedido, ignorar completamente que há todo um sistema fiscal e monetário por detrás de seus caprichos, e é exatamente em função desse desequilíbrio jurídico emocional que deve a União a

