quinta-feira, 2 de abril de 2009

O direito penal de ZH


Embora o argumento mais sólido apresentado por ZH em defesa da tese de que o empresário Luis Antônio Lima é um petista - quase um desaforo, para a direita guasca mentalmente trôpega - seja a afirmação de que o referido consultor tem "(...) ligações no PT (...)", o jornaleco da Azenha parece não ter pensado duas vezes antes de publicar, no último dia 30, a chamada acima recortada.



Outro tratamento, no entanto, foi reservado a Francisco Fraga, ex-secretário de Governo de Canoas, réu no processo do Detran e um dos principais investigados na Operação Solidária, que também teve bens bloqueados pela Justiça recentemente.

Embora até as cadeiras de rodas doadas por Sérgio Zambiasi saibam que o DNA de Chico Fraga é petebista, o "suspeito da solidária" não é associado, na chamada acima, ao seu ex-partido, o PTB. Nada impedia que a chamada fosse, por exemplo, "Justiça bloqueia bens de ex-petebista envolvido da Solidária". Nem na matéria, aliás, se encontra qualquer referência ao seu ex(?)-partido.




Por que cargas d'água foi o critério de uma suposta relação partidária que, no caso de Luis Antônio Lima, orientou a elaboração da chamada "Justiça bloqueia bens de consultor petista"? E se esse é um bom critério, por que ele não foi adotado para noticiar a indisponibilidade dos bens do ex-petebista Chico Fraga?

O maior crime de Luis Antônio Lima, ao que tudo indica, pelo menos para ZH, parece ter sido o de aparentemente ser petista. Pouco importa, por outro lado, se Chico Fraga é ou foi petebista, progressista ou tucano. Desde que não se seja petista, tudo é permitido no Código Penal do Grupo RBS.

Zh personaliza ou partidariza o debate público quando convém a seus interesses de classe. Nessas horas, entretanto, nenhum inocente útil clama por pacificação.

Isso pode ser chamado de qualquer coisa, menos de jornalismo.

Comments:
Perfeito...
cassio
 
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