segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sobre "jeitinhos"




Ele domina. Ela quica, inquieta. "Decifra-me ou te devoro", desafia. Ele então a acalma na coxa esquerda. O drible para dentro sai rápido, e lá fica parado o primeiro adversário, prenunciando o dribe com a esquerda, agora já agudo, que deixa o segundo pelo meio do caminho. Mais um toque com a esquerda e o terceiro João, o que vem de trás e atropela, come poeira, não sem antes um leve toque de direita já preparar a fuga, com mais um toque de esquerda, do quarto, o da tesoura desleal, não sem razão ex-gremista. Fuga que já prenuncia o pior para a torcida que pensa ter conquistado o mundo da bola. Ou o melhor, para o regozijo dos deuses que o criaram.

E vem mais um toque de esquerda, agora ainda mais agudo, que deixa o beque de espera sem pai e nem mãe, logo no seu dia. Pobre mãe corintiana. E mais um de esquerda, bem leve, só para reposicionar o corpo, agora já dentro da área, que beque de sobra corintiano vencido bate como gremista.

Mas - congelam-se as respirações e mais nada se ouve na plateia -, ainda há um beque, ela parece que vai fugir e o campo está acabando: o que fazer? Concluir atabalhoadamente, como os olímpicos avantes louros argentinos? Desistir de tudo e usar a canela, como os toscos ingleses? Cair espalhafatosamente na área, lamentando o rasgo no uniforme desenhado por Armani, como os italianos? Não, não mesmo. Para tudo há um "jeitinho", como dizem os brasileiros. Porém, não o daqueles que transportam, de avião, sogras e esposas para a Europa com o dinheiro público, e sim o daqueles que jogam peladas em intervalos de tijolos e andaimes, olhos embotados de cimento e lágrima.

"Deixa-se ela correr mais um pouco", ensinam, "só para ver a cara do beque. É ela que diz o que se faz. Se ele está apavorado, já sem saber o que fazer, basta preparar o tiro. De calcanhar, de preferência, para que a história nada credite ao acaso, que pelada que se preze jamais é filmada".

Ela corre mais um pouco, mas não foge e nem o campo acaba. Um leve toque de calcanhar tira mais um defensor e a prepara para o arremate certeiro, de destra. Agora ela jaz, decifrada, onde se enleva.

Seis adversários batidos, um petulante goleiro vencido e uma nação de joelhos.

Nilmaravilha, nós gostamos de você.




Sugestões e reclamações podem ser encaminhadas
para os seguintes endereços eletrônicos:

benedictxvi@vatican.va (em inglês)
benedettoxvi@vatican.va (em italiano)
bentoxvi@vatican.va (em português)

Comments:
TEU! não te ressabiaste ainda?!? daqui a pouco a mijada vai pegar pro teu lado.. ehehe
 
Marcelo!
A mais bela descrição do mais belo gol! Este gol merecia, parabéns!
Abraços!
 
Crack só é bom os do Internacional - Campeão de Tudo. Começando pelo Lauro`, Índio, Bolivar, Kleber, Guinhazu, Magrão, D'Alessandro, Nilmar,Tayson e etc...
Mas se quiseres entrar no vício que destrói a vida e a família, vai lá... hehehehehehe, nooossaaaaa!!! torça para o Vitor, Souza e cia.... Isso sim é ma droga!!!
Diz-que o apelido do saco do Tcheco é Vínicius de Moraes..... hehehehehe.... PQ? Vive so lado do Toquinho!! auahauahauahaa
 
Belíssimo!
(amei o encaminhamento para as reclamações)
sorte e saúde pra todos!
 
Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?