sábado, 28 de março de 2009

"... los unía el desprecio por la vida ..."


Segundo informa o uruguaio La Republica, "La Justicia condenó ayer a penas de entre 20 y 25 años de penitenciaría a ocho militares con activa participación en la represión dictatorial, por el homicidio de 28 personas. Veinticuatro años después de reinstaurada la democracia se concreta la primera condena".

"El juez penal de 19º Turno, Luis Charles", recordou em sua sentença "que los hechos denunciados, el secuestro y traslado ilegítimo al Uruguay de 28 personas, se encuadran dentro del 'período dictatorial cívico-militar, comprendido entre los años 1973-1985 y responden a la coordinación operacional de las cúpulas de los gobiernos de hecho que regían en Argentina, Brasil, Bolivia, Chile, Paraguay y Uruguay', en el denominado 'Plan Cóndor'" (O grifo é meu).

"Los represores encausados 'actuaron dentro del contexto de coordinación operacional' de los gobiernos de la región", afirmou ainda Luis Charles, e "los unía el desprecio por la vida de aquellos que consideraban sus enemigos y entonces como manos ejecutoras del terrorismo de Estado, vulneraron no sólo manuales de procedimientos, lo que poco importaría, sino fundamentalmente derechos inherentes a la persona humana, utilizando para ello métodos degradantes".

"En suma - sentenciou o juiz uruguaio, los encausados constituyeron un grupo que actuó en un teatro de operaciones que no reconocía fronteras ni nacionalidades de las víctimas, con plenos poderes, pues no sólo no se sujetaban a reglas del derecho positivo, sino tampoco morales o éticas, por lo que son ahora responsabilizados".



À memória de Adalberto Soba Fernández, Alberto Mechoso Méndez, Rafael Lezama, Miguel Moreno, Casimira Carretero, Juan Pablo Recagno, Washington Queiró, Walner Bentancour Garín, Carlos Rodríguez, Julio Rodríguez Rodríguez, Rubén Prieto, Juan Pablo Errandonea, Raúl Tejera, Mario Cruz Bonfiglio, Armando Bernando Arnone, Washington Cram, Cecilia Trías, Segundo Chejenian, Graciela Da Silveira, Victoria Grisonas, Roger Julien, Maria Emilia Islas, Jorge Zaffaroni, Josefina Keim, Juan Miguel Morales, Ary Cabrera, León Duarte e Gerardo Gatti.






(No retrato, imagem da capa de hoje da edição impressa do La Republica)

sexta-feira, 27 de março de 2009

Novo jeito de investigar


Segundo informa o jornaleco da Azenha - cujos profissionais deram agora para ter melindres e, como diz o vulgo, pitis com análises estéticas e técnico-profisionais tecidas sobre suas suscetíveis atividades -, "Quatro vereadores e dois assessores da Câmara de Guaíba estão desde quarta-feira em uma viagem de quatro dias à Brasília para um curso de aperfeiçoamento profissional".

Um dia inteiro desses quatro, ainda segundo o jornaleco, foi dedicado ao credenciamento dos nobres edis guaibenses.

Cleusa Maria Souza, Luiz Edgar Graboski Leite, Orassi Carlos Nunes Orestes e Antônio Rodrigues dos Santos são os tais vereadores, que receberão R$ 2.750 cada em diárias, ao final dessa odisséia em nome do interesse público.

Que custou, além das diárias e, é claro, das passagens aéreas e demais deslocamentos, módicos 360 contos por cabeça.

Porém, noticiar somente isso, evidentemente, é ficar no nível rasteiro do jornalismo investigativo de ZH, que considera gran cosa, por exemplo, ficar de campana (salve, Ungaretti!) atrás de semianalfabetos políticos.

Estabelecer relações entre atos políticos de subordinados e interesses e estratégias político-eleitorais decididas em gabinetes, como se sabe, é algo que só é feito por ZH quando o PT governa o RS.

Os partidos dos referidos vereadores, que ZH não informa, são PTB (Antônio Rodrigues dos Santos), PMDB (Cleusa Maria Souza), DEM (Luiz Edgar Graboski Leite) e o "Partido da Ética", o PP (Orassi Carlos Nunes Orestes), como facilmente pode ser conferido na página da Câmara de Guaíba.

Todos eles, coincidentemente, integrantes da base de apoio do novo jeito de governar, até agora imune ao jornalismo investigativo de ZH.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Do além


Fantasmas é de Eduardo Simch.

domingo, 15 de março de 2009

Tuhu




Turíbio Santos, uma de nossas maiores personalidades culturais, e o Choro n° 1, para violão solo, composto em 1920 por Heitor Villa-Lobos (1887-1959).

Nos 50 anos da morte de Heitor Villa-Lobos, o compositor brasileiro de maior repercussão internacional, o projeto Música no Museu abriu a temporada mundial de homenagens a "Tuhu" no dia 9 de janeiro último, no Centro Cultural Justiça Federal (Rio de Janeiro, RJ), com o pianista Luiz Carlos de Moura Castro. O ano Villa-Lobos tem como tema "O homem, o artista e sua obra" e terá 48 concertos dedicados ao compositor, no exterior e em várias cidades do Brasil.

Menos em Porto Alegre, claro.


sexta-feira, 13 de março de 2009

Sobre focos



Considerando-se que o líder espiritual e chefe de Estado da Igreja Católica Apostólica Romana é
um contumaz acobertador de pedófilos, o que mais me impressionou no episódio de excomunhão pernambucano não foi o fato de lideranças católicas considerarem algumas palavras sem sentido mais importantes do que uma vida humana, mas sim o fato das pessoas ainda se preocuparem com o que a Igreja pensa sobre os fatos do mundo. A única coisa que isso diz sobre nossa espiritualidade é que ela precisa confessar-se com urgência.

Porém, uma vez que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deve estar preocupadíssima com o destino dos fetos abortados, já que Joseph Ratzinger recentemente acabou com o limbo - local à margem do Paraíso onde ficavam as almas de crianças, bebês e fetos que morreram sem o batismo, mais os homens de bem que viveram antes da vinda de Jesus - por decreto, alcanço minha solidariedade a esses magnânimos teólogos. Não é nada fácil, simultaneamente, estar em contato com Ele e lidar com uma doutrina que tem os pés na realidade mundana.

Como se vê, Ele deu a Ratzinger tanto o poder de, em nome da humanidade, perdoar os crimes de seus pares quanto o de acabar, por decreto, com suas prováveis criações.

Bem, mas se Deus existe e criou x e x tem um estatuto ontológico, então nenhum decreto humano seria capaz de acabar com tal estatuto. Se isso fosse possível, ou bem x só teria existido nos pensamentos mundanos, ou bem Deus não teria sido muito sábio, pois embora onipotente - já que poderia ter criado o homem de tal modo que fosse esse capaz de revogar por decreto uma sua criação -, não teria dado grande mostra de sabedoria ao criar algo que, depois, precisasse ser extinto, ainda mais pelo homem, um ser que ouve funk. A menos, claro, que ele quisesse que isso se desse assim, pois estamos tratando de um ser onipotente, como se disse. Como se sabe, mesmo por linhas tortas Ele escreve certo, pois Perfeito.

Bem, como não podemos penetrar nos desígnios divinos - o que não autoriza especulações sobre a sabedoria ou não de Seus atos - e não temos acesso epistêmico a todas Suas criações, ao menos nos consola saber que é bastante provável que os fetos abortados "tenham sido confiadas à misericórdia de Deus", como reza agora a boa doutrina.

Mas, do que é mesmo que estávamos falando? Ah, sim, de uma menina de nove anos estuprada continuamente desde os 6 por um membro de sua família e grávida de 4 meses. Nada, enfim, que mereça qualquer atenção.





(No retrato, a obra "A descida ao limbo", de Andrea Mantegna, 1431/1506)

domingo, 1 de março de 2009

Rotina


Quando Jonas inteligentemente escorou para a conclusão perfeita de Alex Mineiro, La Vieja achou que Tite faria aquilo que todo gremista que olhava a tática do grenal 375 esperava: mexer no meio-de-campo colorado, sacando Magrão ou Andrezinho.

Ambos, mais Guiñazu e Sandro, foram responsáveis pelo aniquilamento do meio-campo gremista durante o primeiro tempo da partida, o que transmitia a impressão de que a defesa colorada poderia matear despacita durante os 45 primeiros minutos do clássico que não seria incomodada, não obstante tenha sido competente por seus próprios méritos sempre que exigida.

Precedentes não faltavam para Tite, pois Andrezinho já amarrara o jogo colorado em uma que outra oportunidade, tanto na marcação quanto na criação. A bem da verdade, ninguém consegue impor seu estilo, e o de Andrezinho é mais cadenciado, sem sequencia de jogo.

Dessa vez, no entanto, foi diferente. O Inter marcava bem e saía rápido para o contra-ataque, o que forçou a defesa gremista a fazer o que melhor tem feito em grenais: bater em Taison e em Nilmar. D'Alessandro também serve, mas não estava em campo.

Porém, alguma luz, talvez aquele raio que iluminou Figueroa em 1975, fez com que Tite não tivesse idéias. Caso tivesse mexido no meio-campo colorado após o golo gremista, teria cometido o mesmo erro do recente jogo contra os mato-grossenses do União, pela Copa do Brasil. Não há substituto para Magrão, no atual elenco colorado, e Andrezinho é o quinto titular do meio-campo. Substituições na intermediária da Academia do Povo, só no desespero.

Celso Roth, por sua vez, fez desde o início aquilo que todo colorado esperava que fizesse: manteve Jonas no banco. O mais perigoso e eficiente atacante gremista, no entanto, pouco ou nada poderia ter feito nos 45 finais, uma vez que nem Dunga é capaz de entender que espécie de orientação Roth passa para seus meiocampistas antes do início da partida. Um sujeito que consegue transformar Souza em um burocrático meia e Tcheco em uma espécie de carregador de piano, por vezes visto até batendo em Taison, deve algumas explicações para sua torcida.

O que La Vieja não entende é o que o Grêmio, um time de Libertadores, quer com Alex Mineiro. Uma coisa é ter em campo um Romário em fim de carreira; outra, bem diferente, é manter até o final um jogador com lapsos de criatividade.

Não durou muito tempo a esperança gremista. Em poucos minutos o meio-de-campo colorado voltou a se impor, na maior prova de que esse é o setor de qualquer time que mais precisade ritmo, mesmo depois de um que outro revés contingente, e entrosamento. Naturalmente a bola voltou a girar de pé em pé e de um lado a outro do campo, numa facilidade constrangedora para, La Vieja ratifica, quem tem Souza e Tcheco no mesmo meio-campo.

La Vieja via isso tudo cristalino suportando a boçalidade do comentarista da RBS, que quase exigia a saída de Magrão logo após o tento gremista ter sido anotado com uma categoria invulgar. Até em futebol, algo fácil de ser analisado, eles são ruins. É impressionante.




Hoje, em solidariedade, é sem flauta. Gremistas andam chorosos, desanimados e abatidos com
o retrospecto do clássico, culpando tabela, arbitragem, gramados e até o vento. Como diz o vulgo, o freguês sempre tem razão.





(No retrato, de Alexandre Lops, Nilmaravilha subjuga um limitado, porém esforçado, Adílson)

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